RESENHA LITERÁRIA: Carrie Soto Está de Volta (2022)

(Foto: Adan Cavalcante)

"O Jogo é dividido em games. Você precisa ganhar mais games que o adversário para vencer o set. E mais sets para vencer o jogo", eu recitava de cor. 


Quem acompanha o Blog do Clubinho, sabe bem que essa casa serve a Taylor Jenkins Reid. Sempre que alguém ler algo da escritora, rapidamente você verá uma resenha sobre a obra aqui. Não poderia ser diferente com Carrie Soto Está de Volta. O quarto livro que se passa no jenkinsverse foi lançado esse mês de setembro, trazendo a tenista Carrie Soto como protagonista. Ela foi vista em Malibu Renasce, obra que fala sobre os filhos de Mick Riva.


Ao trazer Carrie Soto para contar sua história, Reid embarca em uma jornada totalmente diferente dos seus outros 3 livros. Ainda se passando no meio do entretenimento, tal qual o do cinema em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, da música de Daisy Jones + The Six e as famílias famosas do entretenimento em Malibu Renasce, o foco agora vai totalmente para o mundo dos esportes, especificamente o do tênis.


Quando Soto, uma atleta legendária aposentada vê seu recorde ser ameaçado por uma tenista mais nova, ela decide voltar às quadras. A autora vê nesse fio da meada uma forma de explorar a vida desde cedo da protagonista, seus traumas e como o tênis a ajudou nos momentos mais difíceis. Além disso, ao trazer um número reduzido de personagens, tendo o foco central na Carrie, seu pai Javier e Bowe Huntley, seu interesse amoroso.


Narrado em primeira pessoa, com certas pausas de narrações esportivas e noticias de jornais, o livro mantém um timing muito bom, mantendo o leitor entretido da primeira à última página. Como a maioria de suas protagonistas, Carrie não é boazinha, amável e muitas vezes é dura, ranzinza. Por vezes, pode ser até difícil simpatizar com ela, mas isso muda a cada novo capitulo. Dentro do seu universo, é vista como uma “Vaca”, sendo apelidada desde cedo como "Machadinha de Guerra", tendo seu nome sempre associado a adjetivos que a diminuem como mulher.


Um dos focos aqui, como já tratado em Evelyn Hugo, é o papel da mulher na sociedade, principalmente na mídia do entretenimento. Carrie Soto não pode envelhecer. Aos 37 anos, ela já é considerada um dinossauro, algo para ser deixado no passado. Irrelevante. Ela também, mesmo que tendo ganho mais prêmios que muitos homens, ainda é segregada e em certo momento, fala para um personagem que acabaria com a raça dele, mesmo ele sendo homem.


Mulher, latina e longe de ser a pessoa mais amável no seu meio, Soto enfrenta a hostilidade da mídia sempre. Criando um casulo, que chegou até a afastar seu próprio pai, ela resumia sua vida apenas ao tênis. Quando a única coisa que ela sempre lutou se vê ameaçada, ela tira as raquetes do armário e começa um treinamento pesado. Ninguém botou muita fé em sua nova trajetória, que além da idade, possui uma fratura em um dos joelhos. Tudo leva a crer um fracasso iminente.


Carrie Soto está de Volta traz todos os ingredientes que fizeram nos apaixonar pela escrita de TJR. Ela conquista você com detalhes precisos, citações de suas obras é uma personagem dual, que aos poucos alcança sua redenção. É um livro sobre se reconhecer e principalmente, sobre crescer. As coisas evoluem e você não pode ficar presa no passado. É interessante acompanhar toda a caminhada de Soto, e muitas vezes, garanto, você fica sem ar nas cenas de partidas. Você quer que ela ganhe, mas ao mesmo tempo, ao conhecer o outro lado, você torce também que ela desista. É tudo muito complexo.


Ao final, quem ama o jenkinsverse vai adorar, mas quem nunca leu sequer nenhum livro dela, vai se apaixonar por essa história da mesma forma. Em suas 352 páginas, você passa por uma montanha de emoções, onde você chora, ri e termina satisfeito com a finalização de um arco necessário na vida da nossa protagonista.

P.S: Para quem gosta de cultura pop, vai amar as referencias a personalidade como a Princesa Diana ou Cameron Dias, tal qual filmes como Antes do Amanhecer e musicas noventistas. Um deleite só.   

Nota: 9/10
Onde Comprar? Amazon
Ano: 2022
Editora: Paralela
Páginas: 352


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EM CARTAZ: “A Mulher Rei” e todas as dores que não te definem

(Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Ubuntu. Eu sou, porque nós somos.

Pode parecer irônico, mas, quando penso em como escrever sobre “A Mulher Rei”, não é a representatividade que vem na minha mente em primeiro lugar – logo eu que tô sempre levantando essa bandeira por aqui. Até porque acho que isso é meio óbvio e repetitivo, em comparação com as demais críticas e resenhas sobre o filme que estão por aí na internet. Ele é um filme potente sim, ele é um filme sobre e para a negritude sim, disso não há dúvidas.

Contudo, ele é uma espécie de abraço quentinho e “beijinho de mãe” em ferida exposta, que te pega de surpresa e você não consegue não senti-lo. Para quem já foi machucada de alguma maneira cruel (ainda que não fisicamente, às vezes) e nunca conseguiu colocar em palavras, muito menos externalizar, “A Mulher Rei” vem como um lembrete de que você é muito mais do que a dor que lhe causaram. Quando Nanisca, interpretada por Viola Davis, compreende que ela é sua própria fera amedrontada pelas dores do passado e sobre a necessidade de enfrentar isso, ela fala mais de mim e de outras tantas mulheres, sejam elas pretas ou não, do que pode parecer.

É um filme sobre acolher suas próprias dores, mesmo aquelas que ninguém, além de você mesma, sabe, e entender que você é maior do que isso.

Se você for uma mulher preta, o diálogo do filme vai tocar em lugares ainda mais intimistas, desde a história em si até no todo que a obra representa. A história, que acompanha um exército de mulheres guerreiras em um ponto de uma África Ocidental (atualmente onde se localiza o Benin) do período escravocrata, demonstra o poder de um povo que em tantos outros lugares do mundo eram oprimidos e escravizados, mas ali, naquele continente, ganhavam posições de reis. O enredo apresenta essa comunidade que se põe à disposição de se opor ao regime de escravidão, que negociava e vendia os seus iguais, que agredia e violentava as suas mulheres, e que não olhava para o outro menos abastado como alguém que merecia o mesmo respeito. No reinado de Ghezo, ele quer fazer a diferença.

Dizer que Viola Davis brilha é redundante, mas mais do que isso, ela abre espaço para que as demais brilhem também, com destaque para Thuso Mbedu e Lashana Lynch. As duas dão vida às guerreiras Nawi e Izogie, respectivamente, e contracenam a maior parte do tempo juntas. A interação entre elas se apresenta de forma natural, com uma dose extra de carisma por parte da nossa Capitã Marvel do multiverso. Inclusive, vou aproveitar esse gancho para dizer que aqui sim vemos essa heroína protagonizando batalhas incríveis – e não naquele filme lá, vocês sabem qual.

Viola e Thuso também possuem uma relação à parte, que mesmo quando nos pega de supetão, aponta as similaridades e nos envolve entre farpas e cuidados. Além disso, quando a verdade vem à tona, é impossível não se emocionar com a sinceridade que tudo é exposto, apelando sempre para o real e sem medo de demonstrar a vulnerabilidade e delicadeza de toda a situação.

Apesar de todo o contexto, com reinados e guerreiros, mesmo os homens negros que aparecem em tela aparentam ser coadjuvantes perto da grandeza das Agojie. Esse exército de mulheres realmente existiu formando um dos regimentos militares de Daomé, onde hoje fica o Benin. O nome colonizado delas era “amazonas” e a história dessas mulheres inspiraram personagens também na ficção, sim, estou falando das Dora Milajes, que vemos em Pantera Negra e em Falcão e o Soldado Invernal.

Como eu ia dizendo, os homens aparecem em posições secundárias em relação ao todo, até mesmo o rei Ghezo, interpretado por John Boyega (Star Wars). Mesmo sendo a figura mais importante daquele lugar, ele parece pequeno perto da grandiosidade da nossa “kinga” e de toda a história ali contada.

“A Mulher Rei” não poupa os discursos, muito menos as violências, que se fazem necessárias para apontar as dores e as camadas das personagens. Há sangue e muita ação em suas cenas lindamente coreografadas que não perdem em nada para outras grandes produções como Game of Thrones, por exemplo.

A obra discute machismo, liberdade, escravidão, raízes, representatividade, maternidade, violência sexual, sistemas opressores e capitalistas, poder e afins de um jeito que você não se sente sobrecarregado pelas informações e, ao subir dos créditos, entendeu toda a mensagem. Ele nem se estende demais, mas também não peca pela superficialidade.

Bem dosado, sensível, forte e necessário. Acho que esse texto inteiro poderia ser resumido nessas cinco palavras e definições. É uma experiência que, certamente, ainda vai conversar mais com o telespectador depois de seu fim do que durante, enquanto você está apenas recebendo a mensagem, mas ainda não digeriu.

Não sei se dá para digerir.

Talvez seja presunção ou exagero, mas acho que para algumas pessoas existe um antes e depois desse filme. Talvez eu seja uma delas. Nunca tive coragem de olhar para determinadas feridas, muito menos me dedicar uma dose de carinho porque ter passado por elas, mas “A Mulher Rei” me deu uma dose de esperança e possibilidade. Se Nanisca não é definida pela dor que passou, eu também não. Muito menos você aí do outro lado.

Eu sei que essa deveria ser uma resenha mais crua e direta, afinal estamos falando do #EmCartaz, mas desculpe o transtorno, eu precisava colocar um olhar mais pessoal nesse texto. Quem me conhece, sabe.

Que esse filme possa te acolher da mesma forma que eu me senti acolhida, porque em tempos de tantos julgamentos e apontar de dedos, às vezes um abraço é tudo que a gente precisa. E eu me senti abraçada. Obrigada, Viola.

Nota: 10/10
Onde assistir? Nos cinemas

*Esse conteúdo foi patrocinado pela Livraria do Luiz, localizada no Centro de João Pessoa e no Mag Shopping, no bairro de Manaíra.

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CAFÉ COM PAUTA: conheça Gabi Cardoso, a vilã Bertha de TAGEM

(Foto: Divulgação/CasNovo)

Gabi Cardoso
tem 21 anos e é natural de Minas Gerais. Estreou na televisão em 2020, na Record TV, na novela Gênesis. O primeiro papel da atriz chegou depois de ter sido descoberta pelos produtores por meio da internet. O resultado foi tão positivo que este ano, Gabi ganhou um papel de destaque na série 'Todas as Garotas em Mim', também da Record. Sua personagem, Bertha, foi uma espécie de vilã na trama, considerada a principal rival de Mirella, a protagonista, interpretada por Mharessa Fernanda.

O Clubinho conversou com Gabi sobre seus sonhos, suas inspirações, carreira e vida pessoal. Você pode conferir a entrevista aqui abaixo!

1) Você sempre teve o sonho de seguir na atuação ou a partir de quando esse desejo passou a fazer parte de você?

No fundo eu sempre me identifiquei com a área artística, mas quando se mora no interior essa área não é vista como profissão, então eu não pensava em seguir na atuação e nem na música. Minha família queria que eu fizesse Medicina, e sempre foi assim desde que eu me entendo por gente. 
Cheguei a passar um tempo estudando e fazendo cursinho pra prestar vestibulares, mas andava frustrada porque não era o que eu realmente queria fazer. Acredito que a arte sempre esteve dentro de mim, sempre foi um sonho desde criança, desde pequena eu admirava todo esse mundo artístico, a música, o audiovisual, a dança, o desenho, carreguei esse sonho dentro de mim pensando que só seria possível como hobbie e uns anos atrás vi que posso fazer tudo o que eu quiser, então decidi seguir esse caminho.

2) O que motivou a seguir na carreira?

As oportunidades de trabalho e todas as pessoas incríveis que passaram no meu caminho me fizeram enxergar que tenho potencial, que sou uma artista de verdade, que tenho a arte fluindo dentro de mim, isso me faz acreditar no meu propósito, que nasci pra fazer isso, é o que eu sinto quando estou trabalhando, estudando e mergulhando em algum projeto, sinto que ali é o meu lugar, me sinto bem e feliz.

3) Existe algum trabalho que é um sonho a ser realizado? Se sim, qual?

Meu sonho é trabalhar com cinema, sou completamente apaixonada pelo audiovisual e quero muito poder fazer filmes e séries bem escritas e bem produzidas e trabalhar com grandes talentos, ter boas trocas e poder assistir o resultado e ficar orgulhosa do meu trabalho. Também tenho muita vontade de ir para o exterior e trabalhar em projetos grandes, um dos meus sonhos é fazer parte de algo tão incrível como o universo cinematográfico da Marvel, eu amo muuuuito (risos) deve ser muito divertido e desafiador!

(Foto: Divulgação/CasNovo)

4) Falando de profissão, quais são as suas referências e inspirações na área?

Tenho grandes inspirações na música, como Freddie Mercury, Michael Jackson e The Beatles. Já na parte da atuação admiro muitos atores e atrizes como Natalie Portman, Emma Stone, Joaquin Phoenix, Leonardo DiCaprio, além, claro, de atrizes nacionais como Adriana Esteves e Isis Valverde, admiro muito o trabalho delas.

5) Tem algum artista que você sonha em trabalhar? Quem seria?

Não acho que tenho algum artista específico que sonho em trabalhar, admiro muitos deles, seria incrível trabalhar com vários, mas gostaria muito de trabalhar com Fernanda Montenegro, Andréa Beltrão, Wagner Moura, Selton Mello, Lázaro Ramos, Adriana Esteves, Isis Valverde, Fernanda Torres, Matheus Nachtergaele, enfim, muitos artistas fodas! (Risos)

6) Como você se prepara para os trabalhos? Tem algum ritual especial?

Não tenho nenhum ritual, eu recebo o texto, leio e procuro entender todas as motivações e objetivos daquele personagem, estudo sua história, tento me por no lugar dele para poder compreender todas as suas atitudes e toda sua trajetória.

7) Qual foi o seu primeiro trabalho e o que mudou desde o início?

Meu primeiro trabalho foi Gênesis da Record TV. Desde então, venho melhorando minhas interpretações e entendendo mais de como funciona esse mundo artístico.

8) O que você tem de semelhante com seu/sua personagem? E de diferente?

Bertha é uma personagem muito especial, ela é uma garota que tem muita curiosidade sobre as coisas da vida, é super antenada, observadora e inteligente, mas também é bem complexa, tem muita coisa acontecendo dentro dela, muita insegurança, muita ansiedade, coisas que afetam o emocional dela, e eu me identifico bastante com ela em todos esses quesitos que mencionei, sejam bons ou ruins. Sempre tive que lidar com a insegurança, o medo e a ansiedade, isso afeta muito os meus pensamentos, o meu estado emocional, e a melhora disso é um trabalho constante de autoconhecimento e amor próprio. Mas diferente de mim, a Bertha tenta lidar com essas questões profundas de outra forma, e isso vai ser mostrado nas próximas temporadas.

(Foto: Divulgação/Trevo)

9) Filme favorito? 

“A Escolha” adaptação do livro de Nicholas Sparks. Eu adoro um romance e já assisti milhares de vezes esse. Também sou apaixonada nos filmes da Marvel, o filme “Ultimato” está na minha lista de favoritos.

10) Livro favorito?

Gosto muito de suspense, alguns livros como “Caixa de Pássaros” de Josh Malerman e “E não sobrou nenhum” de Agatha Christie estão entre os meus favoritos.

11) Música ou artista preferido?

Acho que uma das minhas músicas favoritas da vida é “Quando bate aquela saudade” de Rubel, sou apaixonada.

12) Lugar preferido?

Qualquer lugar com natureza, lugares calmos que me tragam paz.

13) Comida preferida?

Eu AMO açaí, um dos meus pratos prediletos é fettuccine ao molho Alfredo e também AMO MUITO suco de maracujá! (Risos)

10) Se pudesse se definir com uma só palavra, qual seria?

Intensa!

11) Como tem sido esse trabalho atual na série TAGEM? Fala um pouco sobre a personagem e essa nova experiência.

Tem sido uma experiência muito interessante e única. Fiz muitas amizades, tive trocas muito boas, viajei bastante, conheci vários lugares novos e me diverti muito.

Valeu, Gabi! Sucesso!

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MILKSTAPE: Hold The Girl, mas deixe-a livre

(Foto: Rina Sawayama/Divulgação)

Ao explicar o título do seu segundo álbum de estúdio, Rina Sawayama afirmou em entrevista que ele surgiu durante uma sessão de terapia. Hold The Girl seria uma referência a tentativa de entender a pessoa que ela era quando mais jovem. Entretanto, mesmo que a voz de XS não tivesse explicado o significado por trás do nome deste trabalho, ficaria claro para qualquer um: essa pessoa se consulta com um psicólogo.

Escrito e concebido durante a pandemia de covid-19, o sucessor de SAWAYAMA tinha um legado elevadíssimo para carregar. O disco de estreia de Rina foi um dos mais aclamados de 2020, agregando uma nota de 89 no Metacritic e saindo em várias listas de melhores do ano, como a da NME e da Consequence of Sound.


As expectativas para o que a cantora traria logo em seguida eram altas e ela parecia ser o tipo de artista disposta a continuar aperfeiçoando sua experimentação, o que não aconteceu com Hold The Girl.


(Foto: Capa do álbum "Hold The Girl")

Longe de ser um álbum ruim, mas também longe de superar o seu antecessor, este é um trabalho que vai fundo no pop e no que havia de menos interessante em outros lançamentos de Rina. 


Algumas características já conhecidas da britânica ainda estão aqui: os múltiplos gêneros musicais explorados, os vocais explosivos, o amor pelo pop dos anos 2000, letras sobre traumas geracionais e uma devoção a Lady Gaga. Ao último elemento da lista, trago um destaque, porque as comparações não são à toa: Hold The Girl de fato parece uma tentativa de juntar as guitarras elétricas e o stadium rock de Born This Way com o eletrônico noventista e “Y2K” de Chromatica.


O resultado dessa mistura é uma perda, ainda que pequena, da identidade e da estranheza fenomenal que Sawayama costumava trazer em suas músicas. Aqui, ela foi fundo no pop, no mainstream e no que está sendo feito por todos da indústria no momento. Isso também pode ser visto quando as referências musicais vêm do rock.


Enquanto em SAWAYAMA, tínhamos a inesperada STFU!, uma faixa nu-metal com claras inspirações em bandas como Korn, Hold The Girl entrega mais músicas de pop rock e pop punk em 2022. Como se já não tivéssemos o bastante.


Parece que todo artista crescido nos anos 2000 precisa dizer que ouvia Green Day e Avril Lavigne quando adolescente. Em pouquíssimo tempo, essa ressurreição já parece esgotada e saturada. Meu voto de perdão para Rina, neste quesito, é dedicado à canção Catch Me In The Air, que poderia ter vindo do catálogo de Kelly Clarkson ou da Katy Perry pré-Teenage Dream e funciona bem dentro da proposta apresentada.




Outras como Frankenstein, que parece ser uma filha perdida do HOLY FVCK de Demi Lovato, caem na mesmice e no mar de músicas iguais a esta que saíram neste ano.


Tematicamente, Hold The Girl é mais conciso. Suas letras giram em torno de perdão e desconstrução de traumas geracionais relacionados a imigração, vivência LGBTQIA+ e gênero. Embora, por vezes, Rina soe como se estivesse prestes a lançar um livro de autoajuda, na maior parte do disco, suas confissões exalam sinceridade, coragem e muita força.


Em uma de suas composições mais sensíveis até o momento, Send My Love To John, ela evoca no eu lírico uma mãe imigrante que pede perdão ao filho gay e, finalmente, demonstra o apoio que ele sempre precisou. Em três minutos e 24 segundos, entendemos perfeitamente a complexidade da relação entre uma pessoa que aprendeu a ultrapassar os limites da sua dura realidade através da abundância do amor materno. O perdão não é só aquele que é solicitado pela mãe, mas também o que quem escuta a música concede a ela, uma figura que reconhecemos em tantos rostos por aí.



Os dois primeiros terços do álbum têm seus altos e baixos, mas são os momentos mais divertidos e fortes dele. É impressionante como mesmo com partes da sua identidade musical dissolvidas em prol de um som mais mainstream, Rina consegue ser uma força da natureza dentro do pop.


O primeiro single, This Hell diverte e cativa, enquanto a faixa-título, Hold The Girl, nos faz querer cantar junto de uma multidão imensa. Outro destaque é Forgiveness, que merecia ter sido trabalhada como single e definitivamente é uma das melhores canções do álbum.


Um erro cometido, talvez pela tentativa de tentar terminar com um clima mais otimista, foi colocar To Be Alive para encerrar o disco. Além de não ser uma boa música, ela é antecedida por Phantom, que tem força suficiente para “fechar as cortinas” com grandeza.


Ainda assim, com defeitos e concessões artísticas para conseguir se consolidar no cenário pop, Rina Sawayama entregou um dos melhores trabalhos do ano até agora. Mesmo não estando à altura de SAWAYAMA, Hold The Girl tem o seu valor e qualidade. Nele, a mistura de gêneros musicais é mais confusa, mas ainda assim demonstra a capacidade que a artista tem de ser eclética e versátil. 


A espera pela elevação experimental de Rina, pelo jeito, continua. Entretanto, é possível apreciar essa manutenção do que já conhecíamos dela como uma espécie de projeto de cura, autoconhecimento e libertação de um talento único na música contemporânea.


Faixas de destaque: Send My Love To John, Forgiveness, This Hell.

Nota: 8/10.


Artista: Rina Sawayama

Álbum: Hold The Girl

Ano: 2022

Selo: Dirty Hit

Gênero: Pop, pop rock


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EM CARTAZ: A ÓRFÃ 2: A ORIGEM (2022)

(Imagem: Cena do filme A Órfã 2: A Origem, de 2022)


Uma continuação do filme A Órfã, de 2009, sempre foi muito comentado no meio. Várias histórias eram especuladas de como continuar, pois ao final do filme, ela tem um fim definitivo. Mas se tratando de uma obra de suspense/terror, tudo é possível. A escolha feita aqui, foi um prequel, e assim 13 anos depois, chegava aos cinemas Orphan: First Kill ou A Órfã 2: A Origem.


Trazendo novamente no papel título Isabelle Fuhrman, que viveu a encapetada Esther, a criança que era na verdade uma adulta nos seus 30 anos. O que causou frenesi antes, que era a revelação de que havia algo de estranho com Esther, aqui já não é mais nenhum segredo. O filme já se tem início com esse acontecimento sendo narrado, de crimes cometidos em outrora pela psicopata.


Juntando-se ao elenco, temos Julia Stiles e Rossif Sutherland, como os futuros papais da figura. Na trama, temos a origem da “Esther”, a menina que a Leena Klammer (nome verdadeiro da nossa vilã) toma o lugar. Desaparecida, ela usurpa a identidade e vai parar na casa dessa família que aparentemente vive com a dor da perda, mas que esconde grandes segredos.


Memes a parte, é engraçado e interessante ver as fórmulas utilizadas para infantilizar e encolher a Fuhman. Antes com 12 anos, agora a menina tem 25 anos e seus 1,60 de altura, diferente do que se espera de uma criança de 10 anos de idade (que é o que ela deveria aparecer). Seja pelo filtro escolhido, que acaba por deixar o rosto da atriz meio embaçado, as roupas extremamente infantilizadas, ou a Maria Chiquinha, tudo contribui para o que o filme acaba se tornando: um bom camp.


O plot twist do filme contribui para tudo se tornar extremamente suculento. Quando Tricia (Julia Stiles) se revela tão psicopata quanto a Esther/Leena, as coisas aumentam em um nível que quando eu descobri isso, fiquei com a boca aberta. Os ápices de loucura e exagero, e sua irmandade de sangue com o filho (Matthew Finlan), torna tudo muito prazeroso de se ver. Como sempre, o personagem e figura paterna, serve apenas como catalizador emocional da Leena, que precisa loucamente satisfazer seus prazeres sexuais. E nada melhor do que um homem parrudo de quase 2 metros de altura, não é mesmo?


Toda a dinâmica entre a Isabelle Fuhmann e a Julia Stiles movimenta o filme de maneira incrível. Elas são definitivamente a força que move tudo até seu clímax final. Deixando a nostalgia e a imagem que o filme original deixou, que acabou se tornando cultuado durante esses anos, A Órfã 2 não é um filme ruim, mas não é nenhuma obra prima. A escolha por seguir algo que ocorreu antes, não prejudica em nada. Tem furos que a gente engole e o saldo final acaba sendo tão divertido que nem isso afetou o apreço que senti ao finalizá-lo.


Devo dizer que a escolha de um diretor tão ruim como o William Brent Bell, que veio de bombas como Boneco do Mal e sua continuação, ajuda a dar sentido à existência de tudo o que foi apresentado. Se você for aos cinemas esperando assistir o melhor filme de terror do ano, vá assistir Não! Não Olhe! ou espere Halloween Ends, que já já sai. Se quer ir se divertir, sair do cinema com os amigos comentando as loucuras de um filme, esse é sua escolha.


Nota: 8


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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.