EM CARTAZ: Luta Pela Liberdade


(Imagem: Divulgação/A2 Filmes)

Ultimamente, fica difícil para histórias cinematográficas terem apenas um gênero específico que tomará conta de toda a duração do longa. Também não acredito que são muitos os cineastas que buscam por isso. Comédia não precisa ter apenas comédia, nem drama só drama, e por aí vai. Tanto que, ao indicarmos algo para amigos ou conhecidos, tentamos detalhar o máximo possível, dizendo: “ah, é uma comédia romântica” ou “é uma dramédia”. Estamos acostumados com essa mescla. Quando um filme se propõe a juntar dois ou mais desses gêneros, em coesão com o enredo, temos uma experiência ainda mais agradável para o público, que tende a se afastar gradativamente das sensações tediosas.

Em Luta Pela Liberdade, representante da China na categoria de Filme Internacional para o Oscar 2022, acompanhamos uma missão secreta de quatro agentes especiais do partido comunista chinês, treinados na União Soviética, no fim da década de 1930. Eles retornam para a terra natal com o intuito de cumprir essa operação, que recebeu o codinome “Utrennya”. Porém, o grupo enfrenta diversos obstáculos à medida que chega mais próximo do objetivo, ficando cada vez mais complicado diferenciar amigos de inimigos.

Filmes, no fim das contas, são entretenimento. Claro, alguns têm mais a dizer do que outros, isso é normal. Porém, aqueles que conseguem produzir um mínimo de curiosidade na mente do espectador são os que passam mais tempo em nosso imaginário. Pode ser tanto pela reflexão da mensagem transmitida ou o desejo de conhecer mais sobre eventos históricos. Logo após os créditos finais, busquei aprender o máximo possível sobre o contexto do que tinha acabado de assistir, centrado nas consequências da invasão japonesa durante a Guerra Civil Chinesa. Quando algo assim acontece, o mérito total é do filme.

A direção é do renomado Zhang Yimou (O Clã das Adagas Voadoras) e ele constrói uma montagem e edição meio que avulsas, trazendo dinamismo para a tela, além de prender mais a atenção da audiência, principalmente na parte inicial. Paralelamente, a narrativa é dividida em capítulos, mudando o foco dos personagens em cada etapa da missão. Na parte de atuação, os quatro agentes principais, Zhang Chen (Zhang Yi), Wang Yu (Qin Hailu), Xiao Lan (Liu Haocun) e Chu Liang (Yawen Zhu), estão muito bem. São dois casais que transmitem bem a sensação de estarem em perigo constante, ao mesmo tempo em que se preocupam com si mesmos, com os que amam e principalmente com a integridade da tarefa para que foram designados. Há ainda o destaque para o papel coadjuvante do Zhou Yi (Yu Hewei), que traz importante elemento emocional para o longa.

Colocando em perspectiva, temos uma trama de espionagem completa. Muitas reviravoltas, ótimas cenas de perseguição e tiroteios. Porém, Luta Pela Liberdade não se atém ao gênero inicial. O suspense permeia a história como um todo, gerando impasses difíceis de serem resolvidos, deixando-nos apreensivos. A parte dramática aparece nas subtramas introduzidas em diferentes momentos no roteiro e, quando concluídas, afloram o sentimento construído desde o início. Esse misto de emoções é o grande trunfo do filme.

Nota: 8.5/10

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EM CARTAZ: 45 do Segundo Tempo (2022)

(Imagem: Cena do filme 45 do Segundo Tempo, 2022)

Desde que eu assisti ao trailer de 45 do Segundo Tempo, dirigido por Luiz Villaça e que conta com Tony Ramos, Cassio Gabus Mendes e Ary França como protagonistas, eu simplesmente quis assisti-lo. Achei interessante a história desses três amigos e quis saber qual seria o desenvolvimento dela. Ao concluí-lo, compreendo o desejo que me bateu pelo primeiro contato.

Primeiramente, o filme trata sobre quatro amigos (agora 3) de colégio que se reencontram 40 anos depois para recriar uma foto que eles tiraram no dia da inauguração do metrô de São Paulo. A vida dos três seguiu caminhos bem distintos, com Pedro (Tony Ramos) passando o maior perrengue com seu negócio indo à falência, Ivan (Cassio Gabus Mendes) que se tornou um advogado de sucesso e Mariano (Ary França) que virou padre.

Todo o desenrolar que se desenvolve a partir daí é um deleite para o público. O Pedro, desiludido com tudo que vem ocorrendo na sua vida, decide tirar sua vida. Mas antes, chama os dois amigos de longa data para pedir alguns favores para eles. Tudo acertado, só uma coisa falta acontecer: ele só vai seguir em frente com o plano quando o Palmeiras virar campeão. Ao mesmo que tudo isso acontece, Ivan está passando por um processo de separação com sua esposa Lilian (Denise Fraga) e viu seu filho beijando seu secretário e não está sabendo lidar muito bem com isso, enquanto Mariano tá passando por uma crise existencial sobre sua vocação dentro da igreja.

Esse trio traz uma dinâmica muito boa durante toda a trama, pois você crê na amizade que existiu ali e que ainda pode ser acesa. Durante os acontecimentos, e tudo desmoronando aos poucos, Pedro se mantém preso nas memórias do passado, tentando buscar um final feliz para ele e mostrar que eles foram felizes no passado. Um pequeno road movie se inicia, quando eles decidem retornar para cidade onde passaram a adolescência e reviver as memórias de outrora.

Todo o filme dá uma sensação de conforto, de encontro e que até em seus momentos mais sombrios, digamos assim, ele passa uma mensagem interessante. Quando essa amizade retorna, você se pergunta como seria encontrar seu grupo de amigos do ensino fundamental ou médio. E acredito, que ao utilizar do futebol, um dos maiores ganchos brasileiros de união, o filme acertou em cheio no tom.

Ainda que em certos momentos, o filme peque pela agilidade da trama, se prendendo em momentos desnecessários, o saldo final é bastante positivo. O filme me remete um pouco a O Pai da Rita, filme de Joel Zito Araújo, que foi lançado esse ano e também tem na trama o desenrolar de uma amizade. Bem confortáveis em seus papéis, destaque enorme para Ary França, um ótimo ator com uma timing de comédia incrível. O personagem do padre desbocado caiu muito bem nele.

45 do Segundo Tempo é uma ótima dramédia, onde o telespectador vai sair com o coração quentinho com essa amizade renascida após um longo tempo, onde faz você refletir sobre o amor e o companheirismo nos dias atuais. Produzido pela Bossa Nova Filmes, tem coprodução da Globo Filmes, Telecine e SPcine. A estreia do filme acontece nos cinemas hoje, dia 18 de agosto.


Nota: 8/10

Confira o trailer abaixo:

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Desculpe o transtorno, mas nunca foi só uma fase


(Foto: Divulgação/Fresno)

Sábado teve show de Fresno em Recife. Se você acompanha o Clubinho há algum tempo, com certeza você sabe que alguns de nós por aqui somos fãs, inclusive eu. Logo, deve ser possível imaginar quão ansiosa eu estava para esse show. Acompanho a banda há mais de dez anos e, em todos os outros shows, sempre teve alguma coisa que me impossibilitou de ir, seja idade ou viagens, por exemplo. Mas, sabe aquele papo de não era pra ser? Pois é, eu creio nisso.

O que eu presenciei no último sábado foi surreal. Pode parecer besteira para alguns, mas eu sei que quem estava lá vai entender o que eu estou falando. Fresno é uma banda que acompanhou várias fases da minha vida – mesmo quando eu não escutava com a mesma frequência de antes, sempre tinha alguma música se fazendo presente como um divisor de águas. E a setlist do show reuniu algumas das minhas canções preferidas da banda – como Manifesto, Casa Assombrada, Eu Sou a Maré Viva, Cada Acidente, Diga pt 2, MilongaCada Poça dessa Rua Tem um Pouco das Minhas Lágrimas, Caminho Não Tem Fim e Quando Eu Caí, enfim.

Parte do meu entendimento em relação ao “não era pra ser” de antes é justamente porque Fresno tem letras muito potentes, sofridas e políticas, e por mais que eu gostasse, certeza que não compreenderia e sentiria o show com a intensidade que foi, nem com a identificação que teve.

O show faz parte da turnê “Vou Ter que Me Virar”, o disco mais recente da banda, que foi lançado em novembro do ano passado. O álbum é um dos mais políticos que a Fresno já fez, pelo menos de forma explícita, e o sofrimento tradicional do “emo” não se resume mais ao coração partido. Assim como no disco “Sua Alegria Foi Cancelada”, as dores são mais adultas. Os temas versam sobre ansiedade, depressão, ainda tem relacionamentos e não só os amorosos, e isso gera uma identificação muito forte com essa legião de fãs que cresceu junto com a banda.

Com frases como “eu sinto ter mais passado que futuro a viver” ou “essa casa eu tenho que arrumar pra poder receber você”, o disco dialoga com sentimentos corriqueiros da nossa geração, as incertezas da vida adulta, a falta de sentido que na maioria das vezes bate, principalmente diante da realidade atual das coisas. Complexo, né? E eles conseguem transmitir isso.

O show foi como um descarrego de emoções, colocar para fora em lágrimas e gritos as dores e os desalentos que estavam sufocando, relembrar os amigos e os amores, se sentir acolhida e também acolher. Inclusive, publicamente agradecendo aos meus primos que toparam ir nessa comigo e meus “sóciomigos” Adan (à distância com videochamadas e áudios) e Matheus, que esteve presente no show e tava aguentando minhas declarações via whatsapp porque estávamos longe um do outro.

Não vou me estender muito, porque talvez não consiga expressar em palavras o que foi finalmente assistir a um show de uma das minhas bandas favoritas da vida, mas que fique o registro de que momentos como esses nos transformam. Tinha momentos que eu encarava aquele mar de gente e o palco como quem encara uma experiência divina, parecia uma espécie de culto, todo mundo com as mãos levantadas, sentindo cada letra ali cantada e ecoada. Que especial ter presenciado isso!

Para mim, como dito, foi surreal. Me arrepiei, chorei, gritei, abracei e vivi cada segundo como se fosse o último. Gravei algumas coisas e outras ficarão por conta do registro da memória e do coração mesmo, minha maior preocupação era curtir, era não perder nada com meus próprios olhos e o que desse para salvar com o celular também, bem, mas se não desse, o melhor já estava acontecendo. Eu fui, eu tava.

Um agradecimento especial também à Thaís, da Trovoa, que foi muito paciente comigo e prestativa, viabilizando junto ao Baile Perfumado ingressos de cortesia para o Clubinho registrar esse show. Que venham os próximos!

E, bom, hoje essa coluna é mais para mim do que para vocês. É uma tentativa pífia de deixar registrado aquilo que me faltam palavras, mas ainda ouso buscar algumas. Obrigada, Fresno, por entregar um show que fez tanto sentido pra mim, que supriu parte de todos os outros que não pude ir ou que nem chegaram a acontecer. Puta que pariu, é a melhor banda do Brasil.

Até a semana que vem!

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B!TCH, ela é a Madonna

(Imagem: Reprodução/ Instagram @madonna)


Ao falar de música, a gente sempre lembra dos ícones que passaram pela terra e infelizmente não estão mais entre nós. É sempre mais fácil enaltecer um trabalho concluído, do que olhar ao redor e dar a devida importância para o que está aí. Como Pitty disse em sua música Me Adora “Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora, que me acha foda.”, e caso você ainda não percebeu, na música, desde da década de 80 a gente só tem uma Rainha, e o nome dela é Madonna.


É impossível tratar sobre a história da música mundial, sem colocar o nome da que basicamente criou o pop e o colocou em evidência. Há 40 anos, ela vem subvertendo a indústria e sendo referência em tudo o que faz. Madonna Louise Veronica Ciccone trata sobre assuntos tabus desde religião, feminismo, LGBTQIA +, AIDS e o ato de envelhecer. Ela enfrenta essa indústria machista, que a todo instante tenta calá-la, subjugá-la e buscam a todo custo sujar sua imagem, como acontece com várias mulheres.

(Imagem: Reprodução/ Instagram @madonna)

Desde novo, eu cresci ouvindo a palavra da Madonna. Minhas tias tinham fita cassete, que rodavam em seus micro system as noites, enquanto elas estavam escrevendo em diários e eu deitado ouvindo as canções. Como bom garoto gay que fui, me aliei a Britney Spears, a princesa do Pop e a quem sempre foi vista como a sucessora natural da Rainha do Pop. Crescer ouvindo o pop da Britney, sempre tendo a Madonna como uma de suas referências, é dar valor a um legado único. Quando foi lançado o single Me Against the Music em 2003, para o álbum In The Zone, foi basicamente o encontro de titãs que tanto esperávamos.


Em 2005, ela trouxe de volta às paradas a disco music, com um dos melhores discos já lançados: o Confessions on a Dance Floor. Eu estava viciado, e todos ao meu redor também. Ele tocava em todos os lugares onde eu estava, era na rádio, na MTV, no meu quarto, no carro do meu primo. Aos 47 anos, ela provava mais uma vez, que ainda tinha MUITO a oferecer a indústria musical e estava muito longe do seu fim.


Hoje com 64 anos, ela continua sua luta. Ela mostra que ainda é mulher, que ainda pode sim ser sexy, ela quer mostrar que não vai ser ninguém que vai tirar a vitalidade dela. Ela vai a luta, continua chocando, mas dessa vez simplesmente por se recusar a ser uma “senhorinha recatada”, mas mostrando que mulher com mais de meia-idade se mantém relevante com a sexualidade ainda aguçada. Lógico, por que para uma mulher é extremamente vergonhoso ousar querer ser sensual e para homens é natural envelhecer e se tornar até mais atraente? Não, aqui não.


Madonna vai levar os esporros da mídia, da sociedade do momento, para quando garotas como Katy Perry, Taylor Swift, Beyoncé, Britney Spears, entre outras, chegarem na idade dela, se quiserem, terem a opção de manter sua sexualidade e sensualidade acesa na indústria, sem serem deixadas de lado. O argumentação dela com a sociedade vem desde muito cedo em sua carreira, quando ela abordou a questão do aborto em Papa Don’t Preach, as questões religiosas em Like a Prayer, o encorajamento libertário feminino em Express Yourself, o álbum Erotica que o nome já fala tudo, e por todo esse caminho até agora, seus ideias e politicas são sempre trazidos em suas letras e videoclipes.


Mesmo no seu último trabalho, o Madame X de 2019, Madonna se manteve com outro título marcante: o de camaleoa do pop, uma de suas marcas. Sempre mudando e nunca se mantendo na mesmice, ela aos 61 anos trouxe novas sonoridades, mantendo-se fiel a muito de sua origem e abordando assuntos, como o porte de armas, política e religião, e claro, sempre dando visibilidade a comunidade que sempre a abraçou, a LGBTQIA +.


Mostrando que ainda tem muito a oferecer, a cantora está trabalhando atualmente na cinebiografia, que não sabemos muito bem até que ponto ela vai narrar, e sendo para o bem ou paro o mal, estamos bastante ansiosos para ver no que vai dar. A atriz Julia Garner dará vida a Rainha do Pop, e quem conhece o trabalho dela, sabe da competência da garota. Esse ano foi lançado um compilado de remix, a cantora Beyoncé utilizou a icônica musica Vogue em um mashup de seu single Break My Soul e um décimo quinto álbum deve chegar logo logo. Para os haters, não vai ser agora que a Queen vai descansar.

Não, não vamos esperar ela ir embora para dar os devidos créditos a quem merece. E sim, Madonna é foda e vai continuar sendo por muito tempo, pois ícones nunca deixam de existir.


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ATERRORIZADAN: O Hagsploitation e o etarismo hollywoodiano

(Imagem: Cena do filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de 1962)


Após assistir X - A Marca da Morte, filme de Ti West que chegou aos cinemas brasileiros recentemente, me peguei analisando e relembrando de algumas obras que traziam com antagonismo mulheres idosas, neuróticas e que veem a juventude com almejo e rancor. Chamado de hagsploitation, o termo em si já é um ataque a quem o protagoniza. Hag é um termo pejorativo para indicar mulher velha e feia, algo também como bruxa velha; o explotation é de exploração mesmo.

Leia mais sobre X - A Marca da Morte 

Na era de ouro do cinema, a “aposentadoria forçada” para atrizes tinha limite certo. Ao chegar aos 40, os papéis já estavam minguando, forçando-as a seguir outros rumos. Simplesmente não existia mais espaço para elas, não importava a glória que elas tinham no passado ou os prêmios que elas acumulavam. Simplesmente, havia passado da “validade” e era o tempo de dizer adeus.


Ao chegar na década de 60, o cinema de terror estava cada vez maior. Psicose tinha sido um sucesso e outras obras caminhavam ao seu lado. Dois anos após o seu lançamento, chega às telonas “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, filme estrelado por Bette Davis e Joan Crawford, duas das maiores estrelas de Hollywood e que cultivava uma rixa das mais históricas.


Quando foi anunciado ninguém dava muito por ele, pois o que duas atrizes esquecidas poderiam trazer que Hollywood iria aprovar? Para se ter noção, Bette Davis já havia recebido 10 indicações ao Oscar e levado 2, Joan Crawford já tinha 1 na sua estante. Ambas vinham de uma carreira de sucesso, carregando vários filmes nas costas. Mas o tempo não foi bom para a carreira delas e os papéis começaram a ficar mais fracos e quase inexistentes. Na casa dos 50, era iminente o ostracismo, de acordo com a lei hollywoodiana.


Ao mostrarem que o sucesso poderia ainda existir, elas foram pioneiras em um subgênero que escancara o preconceito presente no meio com as atrizes que ousavam envelhecer e retrata a velhice feminina como algo grotesco, taxando-as como figuras repugnantes, indignas de piedade e no limite da loucura. Claro que as atrizes não tem culpa de nada disso, elas tinham contas a pagar e amavam o trabalho, seguir ali tinha um preço. O preço este, era ser “humilhada” e ojeriza.


Após o grande sucesso de Baby Jane, outros filmes vieram na esteira, inclusive alguns estrelados pelas protagonistas. De A Mansão dos Desaparecidos estrelado por Geraldine Page à Obsessão Sinistra, de Debbie Reynolds, passando por A Dama Enjaulada com Olivia de Havilland, todos trazendo grandes atrizes premiadas de meia-idade que na época em questão já não eram produtivas para Hollywood.
 
(Imagem: Cena do filme Espetáculo de Sangue, de 1967)

O estilo em questão, foi trazido inspirado no clássico de Billy Wilder Crepúsculo dos Deuses, onde temos Norma Desmond, interpretada pela maravilhosa Gloria Swanson, uma atriz decadente vinda do cinema mudo que não se adaptou ao sonoro. Em sua mansão, ela rever seus filmes e projeta em um comeback, que nunca vai ocorrer. A obra de 1950 importa elementos que 12 anos depois, iria ser trazido com força ao cinema. A figura feminina que aos poucos vai perdendo a sanidade, a não aceitação de sua nova realidade e a rejeição social que ocorre, virou o que conhecemos pelo hagsploitation.


Sessenta anos depois, o cinema volta a ser assombrado por figuras femininas decadentes, com o corpo tido como grotesco, tendo seu sexo como algo hediondo. A concepção pode ter sido adaptada, mas o saldo final continua sendo o contraste de envelhecer e se tornar uma “bruxa velha”. A representação, por mais que ainda decadente, apresenta o homem como sanguinário e viril, mas as mulheres, impossíveis de sanidade, são apenas um vulto aterrorizante e desagradável.


Ainda assim, diante de tantas problemáticas, muitas pequenas obras primas saíram, mostrando o show que essas mulheres podem dar, com a mínima oportunidade. Até hoje, “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” é lembrado, e a imagem das duas atrizes segue sendo homenageada até hoje. A série Feud, lançou sua primeira temporada focada na treta entre as duas estrelas, mostrando os bastidores e o pós-lançamento do filme, estrelado por Jessica Lange como Crawford e Susan Sarandon com Davis.


Hoje em dia o subgênero não tem tanta força como outrora. Em uma entrevista a um talk show, Meryl Streep chegou a mencionar que ao chegar aos 40 anos começou a receber vários convites para interpretar bruxas, onde ela comentou que algo estava errado. A indústria não alterou nesses últimos 60 anos, encontrando ainda motivos para isolar essas atrizes. Mas aos poucos, elas controlam suas próprias narrativas, não se destinando apenas a papéis de hag ao passar da meia-idade.




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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.