RESENHA: Turma da Mônica – A Série (2022)

(Imagem: Divulgação/Globoplay)

Quando foi anunciado o live-action de A Turma da Mônica, meu coração de fã ficou extremamente animado, mas bastante irritado. O motivo dessa irritação? Eles tiveram anos, décadas para fazer isso, mas decidiram fazer quando eu já era um marmanjo. Gostaria do frisson de ter crescido assistindo esse filme.

Em 2019, o primeiro filme chegou aos cinemas subintitulado de Laços. Com uma história de união, amizade e crescimento, a animação foi instântanea. Era como ver os personagens que me acompanharam a minha vida toda ali, de uma forma fiel e bela. O elenco escolhido não poderia ter sido melhor e a trama que foi tratada foi um primor do início ao fim. Anunciada uma sequência, com a introdução de novos personagens, Lições trouxe novamente uma história de esquentar o coração. A história de amadurecimento chegou em 2021, após os acontecimentos tristes que nós vivenciamos devido à pandemia.

Há mais de 60 décadas esses personagens nos encantam e fazem com que todos queiram ser parte dessa turma. Com seus personagens diversos, com uma gama enorme de histórias, em várias localidades e momentos de vida, a criação do Maurício de Sousa é um patrimônio cultural brasileiro. Minha avó leu, minha mãe e suas irmãs, eu li e leio e minha sobrinha de 10 anos é a maior fã. Não importa a idade, é uma história de maravilha e magnetismo sem igual.

Quando a Globoplay, streaming da Globo, anunciou que iria adaptar mais história, agora em formato seriado, mais uma vez a minha animação foi tremenda. Só em saber que aquele elenco perfeito iria retornar para novas aventuras com a direção do Daniel Rezende, que esteve por trás dos dois primeiros filmes, era impossível não se animar. O trabalho de Rezende é incrível e conseguiu imprimir muito bem tudo que era necessário para cativar adultos e crianças nessa obra.

Dessa vez temos oito capítulos de 20 minutos cada para conhecer melhor essa trupe. Novamente temos Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) protagonizando uma nova aventura, onde entediados por causa das férias de julho, eles precisam achar um local onde todos possam se divertir e que caiba a turma toda. Eles encontram um barraco que a Mônica dá a ideia de reformar e ali se tornar seu novo QG.

Com a ajuda de Milena (Emily Nayara), Marina (Laís Villela), Do Contra (Vinicius Hijo), Nimbus (Rodrigo Kenji) e Humberto (Lucas Infante), a Turma da Mônica se une para reformar o barraco e trazer um local de diversão para eles. Mas, o que eles não contavam era que a nova moradora do bairro do Limoeiro, Carminha Frufru (Luiza Gattai), com toda sua pompa e dinheiro iria bater de frente com nossa líder de vestido vermelho e causar um tremor na relação deles.

(Imagem: Divulgação/Globoplay)

Carminha é uma garota loira (sempre uma loira trazendo a discórdia), rica e mimada, que acha que com o seu dinheiro consegue tudo. Enquanto os meninos usam da união para construir seu lugarzinho, Frufru pega o dia escolhido para inauguração e faz uma festa em sua mansão. Enquanto a Mônica luta para manter todo mundo dentro dos planos e levantar o barraco, Frufru tenta a todo custo levar todos para o seu lado.

Vocês devem pensar "nossa, que história clichê", mas é aí que o rabo da cobra é engolido. Isso é a superfície da trama. Em mais uma homenagem à Ana Francisca, em sua festa, Frufru sofre uma pegadinha, onde um balde de lama é derrubado em sua cabeça. A culpa automaticamente recai na nossa dentucinha mais querida, que, lógico, grita pela sua inocência. Como boa fofoqueira OPS detetive, Denise (Becca Guerra) se coloca na missão de encontrar o culpado.

Nesse momento, somos apresentados às versões e os pontos de vista de cada personagem (os principais, claro). Entre esses momentos, temos conhecimento de medos e inseguranças de cada personagem. Um destaque, ponho aqui o da Magali. Ela tem um sério problema em dizer não e acaba confirmando várias coisas, sendo que não tem como coincidir tudo. No mesmo dia da festa do barraco, ela confirmou que iria para a mansão de Frufru e que participaria de um concurso na padaria do Quinzinho (Pedro Motta). Todo o desenvolvimento dela é uma amostra da maturidade das histórias do Mauricio de Sousa, fazendo qualquer pessoa, de qualquer idade, se relacionar.

A cada episódio, uma pessoa é descartada, dando à luz em outra que nesse quebra-cabeça vai se desenrolando até descobrir o autor ou autora do ato. Esse rolo de lã se enrola ainda mais quando Madame Frufru (Mariana Ximenes) chega a sua casa e encontra esse monte de pré-adolescentes lá. Sua presença dá uma nova perspectiva em toda a história de Carminha. É o desenvolvimento de milhões aqui.

Um parágrafo especial para ícone que é a Denise. Ela simplesmente deu o nome nessa série e manteve uma das melhores coisas. Nossa fofoqueira favorita é extremamente baba ovo da Frufru, sem nunca perder o deboche. Ela é certeira, sem ser maléfica. Ela é sarcástica e fala as coisas na lata, sem diminuir ninguém. O carisma da Becca Guerra, se mesclando com a ótima personagem, é uma das melhores coisas da série.
 
(Imagem: Divulgação/Globoplay)

Com um saldo total positivo, Turma da Mônica – A Série, chega num momento propício para as crianças que estão de férias e também para quem quiser relembrar seus tempos de infância. Todas as delícias e dúvidas do início da adolescência, a quebra de expectativa, o nascimento do primeiro amor, a busca da sua própria verdade: tá tudo ali. E por essa razão, a série se consolida como uma das melhores coisas do ano e um excelente trabalho do streaming brasileiro.

Novas produções em live-action já foram anunciadas, englobando vários personagens do Mauricio de Sousa. Infelizmente, esse elenco não vai ser reaproveitado no futuro. Na minha opinião, um pecado, pois a perfeição define todos envolvidos nessa obra. Espero que mudem de ideia e os mantenham. O brasileiro precisa desta felicidade.


Nota: 10/10
Onde Assistir? Globoplay

Confira o trailer abaixo:

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MILKSTAPE: O dia que a Beyoncé “RENAISSANCE” o disco


(Foto: Reprodução/Beyoncé) 

Na noite do dia 12 de julho de 1979, a música disco morreu. Pelo menos é assim que o radialista e disc jockey Steve Dahl se refere no seu livro “Disco Demolition: The Night Disco Died” ao evento que ele mesmo ajudou a dar vida. Naquela semana, Donna Summer ocupava a primeira e a terceira posição da Billboard Hot 100, com Bad Girls e Hot Stuff, respectivamente. E apenas cinco meses antes, os Bee Gees eram o grupo com o maior número de vitórias da edição do Grammy, levando quatro prêmios, incluindo o de álbum do ano.

Levando este cenário em consideração, a música disco vivia um ano glorioso – e não é para menos: os anos 70 realmente foram sua era de ouro. Mas, em 1979, ela já não tinha a mesma força que a tornou o principal gênero musical das pistas no começo da década. Como acontece na ordem natural da vida, o sucesso de um geralmente indica o declínio de outro. Aqui, o outro em questão era o rock ‘n’ roll, que havia deixado o papel principal e se tornado coadjuvante nas paradas musicais e estações de rádio do mundo pós-sessentista. 

Mesmo tendo surgido dentro do caldeirão criativo da cultura negra estadunidense (assim como a música disco), o rock foi apropriado e dominado por homens brancos que também atraíam outros homens brancos como fãs. Esses fãs não estavam nem um pouco felizes com a ascensão de outro gênero musical que, (não tão) coincidentemente assim, era levado adiante por mulheres pretas e adorado pela comunidade LGBTQIA+. E os executivos do time de baseball Chicago White Sox sabiam disso.

Assim, organizaram uma campanha com o Steve Dahl, famoso pelo seu ódio pela música disco, para que os seus torcedores que levassem um álbum do gênero ao jogo daquela noite recebessem um desconto nos ingressos. A promessa era de que Dahl explodiria os vinis no intervalo.


Steve Dahl ao lado de uma caçamba com os vinis coletados. (Foto: Paul Natkin/Getty Images)

O resultado? O estádio recebeu mais do que o dobro de pessoas naquela noite e após a explosão do radialista, milhares de pessoas (em sua maioria homens e brancos) invadiram o campo e fizeram a sua própria manifestação de ódio contra a música disco. Historiadores como o professor Tim Lawrence, definiram o evento como um ato também de racismo e homofobia.

A verdade é que aquela não foi a noite que o disco morreu. Suas influências e seu formato podem ser vistos em todos os quarteirões da música pop. Entretanto, após 1979, os investimentos que culminaram em produções caríssimas e robustas diminuíram, e seu nome não era mais o que estampava os principais gêneros musicais de pistas de dança. O termo guarda-chuva dance music e a ramificação house tinham mais espaço do que aquele que tanto os influenciou.

Mas era uma questão de tempo até um ciclo nostálgico reviver a música disco. Desde 2020, faixas que flertam ou vão de cabeça nas linhas de baixo profundas e no four-on-the-floor mostram que o disco nunca morreu.

Entretanto, nenhuma delas fez o que Beyoncé fez com o seu RENAISSANCE.


Capa de RENAISSANCE. (Foto: Reprodução/Beyoncé)

Com uma extensa lista de créditos, samples de faixas de house music dos anos 90, referências diretas a Donna Summer, participação de Grace Jones e remix com Madonna, o sétimo álbum de estúdio solo de Beyoncé não é relapso em apenas referenciar elementos musicais e estéticos das fontes onde bebeu. Ele pega emprestado, e ao mesmo tempo empurra para os holofotes, as pessoas que tornaram não só esse projeto, mas a existência da sua dona, possíveis.

Beyoncé não seria uma “diva pop”, e não teria até uma música sobre ser uma, se antes Diana Ross não tivesse abraçado o termo com orgulho e definido com as próprias mãos o que é ser uma diva. A questão é que ninguém precisa lembrar a “Queen B” sobre isso. Ela já sabe.

Em 16 faixas, RENAISSANCE soa como uma longa noite em uma discoteca ou em uma festa do Studio 54. As transições sutis entre as faixas, que em momentos não tem suas continuidades interrompidas, remetem a um período em que DJs sofriam para não deixar a música parar enquanto faziam suas mixagens e trocas de vinil, ainda em aparelhos analógicos. A duração de cada uma das músicas também se mantém fiel ao “material original”: VIRGO’S GROOVE tem seis minutos de duração como uma verdadeira disco track deveria ter.



Na abertura de ALIEN SUPERSTAR, o trecho de Moonraker do grupo Foremost Poets instrui aos ouvintes: “do not attempt to leave the dance floor” (em português: não tente deixar a pista). E os minutos que seguem esta “mensagem” provam que mesmo que ela não existisse, seria impossível não dançar ao som da quarta faixa de RENAISSANCE. ALIEN SUPERSTAR é o ponto alto do álbum com uma produção que é ao mesmo tempo urgente, sofisticada, mas também tão irreverente quanto a música que lhe deu o seu refrão, “I’m too sexy”, de Right Said Fred.



Outra coisa que Beyoncé também sabe é da importância de manter viva na memória de outras pessoas não somente quem eram as divas da era do disco, mas também quem abraçava essas mulheres e as colocava nesses pedestais. Já na dedicatória do álbum ao seu tio Johnny Knowles, descrito por ela como “o homem gay mais fabuloso que eu já conheci” e vítima de complicações decorrentes do HIV, Beyoncé lembra quem eram aqueles que mantiveram a música disco viva.

O sample de Miss Honey da lendária drag queen Moi Renee em PURE/HONEY e os chants de ballroom em HEATED e SUMMER RENAISSANCE fazem questão de nos lembrar que não eram nas cenas de “Os Embalos de um Sábado à Noite” que a disco e dance music existiam no seu ápice.

Em momentos mais divertidos como CHURCH GIRL, THIQUE e no afrobeat ENERGY, Beyoncé nos lembra do que acontece quando um artista está tão confortável em ser o que ele é, que a irreverência se torna sinônimo de excelência.


(Foto: Reprodução/Beyoncé)

RENAISSANCE soa como uma homenagem que combina o melhor do passado com o que pode ser feito no futuro. E se a música disco morreu em 1979, não foi Dua Lipa com o seu Future Nostalgia, Jessie Ware em What’s Your Pleasure? ou Doja Cat com Say So que a reviveram, porque a verdade é que ela nunca precisou ser ressuscitada. Ela precisava de uma celebração, de um monumento, de uma renascença. E isso, até o momento, apenas Beyoncé nos deu.

Faixas de destaque: ALIEN SUPERSTAR, SUMMER RENAISSANCE e PURE/HONEY.


Nota:
10/10.

Artista: Beyoncé
Álbum: RENAISSANCE
Ano: 2022
Selo: Parkwood/Columbia
Gênero: Pop, Dance, R&B

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RESENHA LITERÁRIA: Em Outra Vida, Talvez? (2015)

(Foto: Adan Cavalcante)

Quando o famoso bookstan se identifica com o autor, é normal ele querer consumir tudo o que foi produzido por ele. No caso do Clubinho, a paixão atual tem nome e sobrenome: Taylor Jenkins Reid. Autora de livros como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones and the Six, a escritora é um fenômeno literário e cultural, tendo várias de suas obras em processo de adaptação.

Leia mais sobre Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Leia mais sobre Daisy Jones and the Six

Após entrar em um dos universos dela, eu viciei e sai procurando outros livros em que eu pudesse me apaixonar mais e mais. Foi assim que conheci Malibu Renasce e Evidências uma Traição, ambas tendo um estilo bem parecido entre si. Malibu ainda mais, pois se passa no jenkinsverse, tendo como ligação o roqueiro Mick Riva, que esteve presente em Evelyn Hugo e Daisy Jones. Em Evidências de Uma Traição, temos a menção de Daisy Jones, comprovando que se passam no mesmo universo. Um prazer maravilhoso isso tudo.

Mas, o que acontece fora desse cosmo que se interliga de maneira deliciosa? Bem, decidi sair um pouco dessa zona, buscando uma obra de 2015. Em Outra Vida, Talvez? é o terceiro projeto de Reid e o primeiro a ser publicado aqui no Brasil. Quando achei o livro, decidi não ler sua sinopse e apenas adentrar ali e descobrir aos poucos sobre o que se tratava. Bem, seu título é bem autoexplicativo, mas quando entrei não sabia onde estava me metendo, confesso.

O enredo acompanha a história de Hannah, uma garota com quase 30 anos, que se sente perdida no mundo. Após tentar se encontrar no mundo, pulando de lugar em lugar, vendo se acha algum em que ela se adapta verdadeiramente, ela retorna para o lugar onde basicamente cresceu. Após uma decepção amorosa, ela se vê de volta em Los Angeles para morar na casa da sua melhor amiga, Gabby.

Gabby é casada e, diferente de Hannah, leva uma vida estruturada. Hannah, ao retornar para Los Angeles, busca se reestruturar e, quem sabe, fixar seus pés em um só lugar. Um dos motivos desse retorno ser tão aguardado é o reencontro com Ethan, seu grande amor de adolescência a quem ela nunca esqueceu.

Para comemorar o retorno, eles decidem ir a uma boate e lá, logicamente, encontram Ethan. As coisas vão fluindo de acordo com o previsto e automaticamente as fagulhas brotam entre os dois. Claramente existe sentimento ali entre ambos, o que pode ou não virar algo no futuro. Acontece que Gabby e seu marido decidem ir embora, fazendo com que Hannah tenha que decidir entre ficar ou ir também.

Suas decisões são o mote principal da obra e é aqui onde fui pego de surpresa. Eu não imaginava que isso aconteceria e achei extremamente interessante. A partir desse momento, o que a Hannah optar vai ter consequências. É o multiverso operando aqui também. Suas decisões irão resultar em algo, que a gente espera ou não. Algumas coisas deveriam acontecer e VÃO ACONTECER EM AMBOS os universos e outra nem chega a sequer existir.

Ao decidir ir embora, Hannah descobre que Ethan foi embora com outra mulher para casa, deixando-a extremamente triste. Sua amiga a leva para conhecer um ponto turístico e para comer algo, ela é tragicamente atropelada. Ao acordar, ela descobre que além de ter se machucado gravemente, perdeu um filho que nem sabia que existia.

Quando a escolha é ficar com Ethan, eles começam a construir uma nova vida juntos. Se apaixonar e se descobrir como casal novamente. Aqui, sua vida começa a dar uma start up e ela consegue a fazer metas e conseguir dar check nelas. Mas uma gravidez inesperada paira em sua cabeça, fazendo com que isso afete não só sua relação, mas também tudo que ela vem construindo.

É muito fácil você se identificar com ambas as versões de Hannah. Principalmente, quando você está nas casas dos 20/30 e percebe que seus planos não se concretizaram ou simplesmente você também está perdido. Reid constrói muito bem os dois universos, fazendo com que as escolhas surjam naturalmente e você acaba torcendo mais por uma realidade do que outra também. Não esquecendo dos coadjuvantes, que ali também são interferidos com as possibilidades da Hannah.

Principalmente quando a história é da Gabby, que vivia um relacionamento apenas “ok”, por achar que só existia aquilo que o mundo podia lhe oferecer. Ela vê sua vida virar de cabeça para baixo sem ela menos esperar, e aqui, o como acontece é mais importante do que o porque. Outro personagem que roubou minha atenção foi o Henry. O principal interesse amoroso de Hannah em uma das realidades simplesmente é encantador. Eu, como bom fã de séries médicas, me vi num episódio de Grey’s Anatomy.

Toda caminhada estruturada até o seu final é um deleite ao leitor. As montanhas-russas de emoções que a nossa protagonista é jogada faz com que mais e mais a gente se apegue a ela. Você torce, tenta ajudá-la nas suas escolhas, e, ao fim, as entende. Tudo é muito complexo e nada é simplesmente por ser. Tudo tem um motivo para acontecer. Faz a gente se questionar sobre nossas escolhas e onde estaríamos se tivéssemos escolhido diferente.


Nota: 9/10


Onde Comprar? Amazon
Editora: Record
Ano: 2022 (6ª Edição)
Páginas: 322 

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EM CARTAZ: X – A Marca da Morte (2022)

(Imagem: Divulgação/A24)

O interior estadunidense sempre acolhe histórias interessantes no terror. Não é atoa que um dos slashers mais famosos, e um dos precursores do gênero, O Massacre da Serra Elétrica, se passa nessa região. A localidade afastada, pessoas pouco ou quase nada acolhedoras e a estranheza aparente faz o telespectador a todo momento duvidar de tudo e todos.

O subgênero slasher, que teve seu auge no final de 70 e primeira parte de 80, é aquela mistura de sangue e sexo. Suas obras, se trilhassem por um caminho diferente, poderiam ser um pornô de péssima qualidade, mas ao escolher trazer um homicida mascarado para elevar na hora do ápice um corte sanguinolento em uma garganta, no lugar de uma ejaculação facial, faz toda a diferença.

Ao conduzir X: A Marca da Morte, Ti West une de forma magistral esses dois tópicos. Em sua trama simplista, um grupo de atores vão para o meio do nada para trabalhar em um filme adulto. O que eles não esperavam é que isso seria a última coisa que eles iriam fazer na vida. Com um elenco de novatos e veteranos, a obra tem como protagonista Mia Goth, que aqui tem um papel duplo. A jovem Jenna Ortega, uma das queridinhas do momento que esteve recentemente em Pânico, entrega aqui uma performance incrível também. Kid Cudi e Brittany Snow estão bem legais em seus papéis e ao lado do Martin Henderson funcionam na contagem de corpos necessária.

Um dos elementos trazidos aqui, além dos já citados, é o terror geriátrico. As figuras “imaculadas” e “inofensivas”, por mais que estranhas, dos donos da casa que eles vão gravar o filme são apresentadas aqui e logo virão a se tornar os antagonistas. Logicamente, como um bom slasher, por mais que a película caminhe de forma gradual, sem mostrar muito de início, uma hora ou outra sangue vai ter que espirrar na tela e cada situação é posta de maneira extremamente gore e inteligente.

A ambientação setentista é muito bem trabalhada, levando o telespectador a uma obra do Wes Craven. O diretor, inclusive, mestre do subgênero, ficaria bastante orgulhoso aqui, pois o próprio cinema serviu de influência na trama de X, como o já citado Massacre da Serra Elétrica, que é o mais evidente inclusive, além de Psicose, Alligator - O Jacaré Gigante, Boogie Nights, entre outros.

O Ti West conduz sua trama de forma fascinante, além de dirigir, ele roteirizou e produziu o filme. O modo de fazer cinema independente também foi bastante utilizado nas referências, sendo um filme slasher (ou até o filme adulto dentro do filme), as cifras não foram de blockbusters e sim, modestos 12 milhões. Outro ponto de destaque da obra é, com toda certeza, sua trilha sonora, tanto as músicas da época, quanto as compostas para o filme. É um personagem a parte e faz toda a produção elevar ainda mais o nível.

No caminho ao estrelato, Mia Goth brilha aqui de uma forma ÚNICA! Ela é a dona do filme e ninguém pode falar ao contrário. Sua atuação vai crescendo aos poucos, sendo tímida, caminhando em passos pequenos e estourando em seu ápice de entrega. Seja como Maxine, a mocinha do filme que foge dos clichês de moça virgem e puritana, passando pela grande antagonista da obra: Pearl. O que a maquiagem e a atuação da Goth fez aqui é lindo de se ver. Isso é outro nível.

Pearl inclusive, vai ganhar seu próprio filme, um prequel que tem previsão de estreia para setembro. Goth se manterá no papel, agora mostrando sua juventude. Podemos esperar aqui mais uma vez, a atriz mostrando todo o seu potencial como vilã. Por sinal, tanto ela quanto a Ortega, caminham lado a lado para se tornarem as novas scream queens da nova geração. Talento, pulmão e dedicação aos seus respectivos papéis, elas já mostram que possuem de sobra.

(Imagem: Reprodução/X - A Marca da Morte)

X - A Marca da Morte estreia hoje nos cinemas brasileiros, com um atraso de cinco meses de sua estreia lá fora. Pearl, como falei acima, estreia em setembro e aqui não tenho a menor ideia. Ah! Uma curiosidade: Sam Levinson, criador e diretor de Euphoria, tem um papel de produtor executivo no filme.

Nota: 9.5/10

Confira o trailer abaixo:

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Primeiras Impressões: Pretty Little Liars - Original Sin

(Imagem: Divulgação/HBO Max)

Quando Pretty Little Liars estreou em 2010 na ABC Family, atual Freeform, ela rapidamente se tornou um fenômeno. Trazendo a história de quatro amigas que são atormentadas por um stalker anônimo apenas intitulado de “-A”, PLL era o momento. Após sete temporadas e várias escolhas de roteiro equivocadas, fazendo muitos largarem a série em algum momento e outros muitos sendo fortes até o final, a série terminou em 2017.

Desde o início, lá em 2010, tivemos dois spin-offs da série, que não obtiveram sucesso entre o público. A primeira foi Ravenswood, que tinha uma pegada mais sobrenatural, se passando durante a quarta temporada da série-mãe. A segunda foi Pretty Little Liars: The Perfectionists, lançada após o fim da série em 2019, dando continuidade a história original, trazendo a Alison e a Mona de volta. 

Três anos após o fim da última tentativa de perpetuar as mentirosinhas, a HBO Max estreou Pretty Little Liars: Original Sin. A série que tinha tudo pra dar errado, inclusive após duas fracassadas tentativas de caminhar junto ao sucesso da versão original, trazia um elenco totalmente novo, sem ligações com a trama já conhecida.

A quarta série da franquia PLL é um revival trazendo um drama slasher adolescente que, pelo menos nos três primeiros episódios divulgados no streaming da HBO Max, me agradaram muito. Apostar nessa pegada foi um acerto que rendeu bons resultados na crítica. O frescor dado à história, além de sair da rodinha já apresentada antes, trazendo apenas a figura da/do/de “-A”, manteve bem todo o clima criado.

A trama começa na virada do milênio, em uma rave com uma figura pedindo ajuda, e essa figura quer ser notada a qualquer custo – ela aparentemente foi atacada. Ao chegar em um grupo de garotas, ela é “humilhada” e deixada de lado. Sentindo-se rejeitada, a pessoa se joga para a morte. 22 anos se passam desde o acontecimento inicial e somos apresentados a Imogen (Bailee Madison), uma garota que está grávida e logo sofre um baque na sua vida. Sua mãe aparentemente comete suicídio e a garota fica aos cuidados de Sidney (Sharon Leal), amiga de sua falecida progenitora.

(Imagem: Divulgação/HBO Max)

Além de enfrentar a gravidez e o luto, Imogen tem que enfrentar Karen (Mallory Bechtel), sua ex melhor amiga, que virou arqui inimiga após descobrir que a garota beijou seu namorado. Imogen alega que a culpa disso tudo é do Greg (Elias Kacavas), o típico jogador sem personalidade. Karen é a própria mean girl na escola, fazendo inimizades com Faran (Zaria) que consegue o papel de Cisne Negro tão almejado por ela; Minnie (Malia Pyles) que ela chama de Rato (devido ao apelido dela Mouse), fazendo bullying com a garota desde que se conheceram; Tabby (Chandler Kinnney) que é amiga de Imogen, logo amiga da minha inimiga; e Noa (Maia Reficco) garota que está passando por problemas com a justiça e que Karen implica pois no passado quis o namorado dela.

Karen é uma garota que sofre bastante pressão em sua casa, devido a ter um pai xerife (Eric Johnson) extremamente autoritário. Ela encontra conforto ao lado de sua irmã gêmea Kelly, que é o lado mais tranquilo desta relação. Pressionada a ser sempre a melhor, Karen (que tem esse nome perfeito na série haha) busca sempre atazanar a vida de todos que possa impedir ela de conseguir o que quer.

De uma forma inesperada, Karen começa a sofrer tentativas de boicote de vários cantos, levando as acusações caírem em Faran, Minnie, Tabby, Noa e claro, Imogen. Juntas na detenção, elas percebem que têm algo em comum: o ódio contra Karen. Se unindo para se vingar contra sua nêmesis, elas bolam um plano para desprestigiar o nome da inimiga.

Após os acontecimentos que levam as garotas a se vingarem, durante o baile escolar Karen quer revidar quem causou sua vergonha na frente a todos e nada mais icônico do que uma vingança no baile. Juntas, Karen e Kelly organizam uma revanche à lá Carrie, fazendo Imogen a própria Ana Francisca. Mas algo dá errado e Karen cai e morre. Na verdade, como Imogen assiste, ela é assassinada.

Um acontecimento que eu não comentei aqui: enquanto tudo acontece, as meninas recebem mensagens ameaçadoras. Um tal de -A envia mensagens aterrorizantes para elas, fazendo com que fiquem perturbadas. E enquanto Karen é assassinada, uma figura aterrorizante mascarada é que se torna o algoz da garota. Após o assassinato, as garotas recebem mensagens dizendo que se elas falarem algo, podem ser vitimadas também.

Pretty Little Liars: Original Sin é bem mais violento e rápido do que suas antecessoras, com personagens bem trabalhados e um clima de slasher noventista maravilhoso. Os três episódios servem de apresentação e de mostrar o que a gente pode esperar nos que estão por vir. Bailee Madison carrega bem a série, claramente nasceu para ser essa protagonista. Além do drama, ela é bem esperta e já começa a investigação do passado e presente. Noa é extremamente cativante e sua história chama bastante atenção. É uma das personagens mais cativantes para mim.

O núcleo das mães também é bem interessante. Ela acende um interesse de mistério do que ocorreu há 22 anos atrás. Com uma pegada meio Yellowjackets, série de sucesso do ano passado da Showtime, onde o passado vem aterrorizar a vida de sobreviventes de um acidente aéreo. Pelo subtítulo de “Pecado Original”, quem está aterrorizando a vida das meninas, com toda certeza está ligado ao passado das mães.

Comandada por Roberto Aguirre-Sacasa, que criou Riverdale, e Lindsay Calhoon Bring e Lisa Soper, dupla responsável pela série da Netflix, O Mundo Sombrio de Sabrina, temos tudo para caminhar bem, se eles mantiverem a qualidade de suas temporadas iniciais. Pois, por mais que hoje Riverdale seja o que é e Sabrina tenha perdido seu pique no final, elas tiveram ótimas primeiras temporadas. Não sabemos se alguém da série original vai aparecer, o que espero que não, pois Original Sin sem nenhuma ligação mantém uma certa identidade própria.

Os episódios de Pretty Little Liars: Original Sin chegam semanalmente pela HBO Max, toda quinta-feira. Tanto a série original, quanto The Perfectionists estão disponíveis no streaming.

Nota: 10/10

Confira abaixo o trailer!


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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.