PRIMEIRAS IMPRESSÕES: Vou Ter que Me Virar – Fresno (2021)

(Foto: Reprodução Twitch/Fresno) 

"A minha casa é assombrada, são meus esses fantasmas, por onde quer que eu vá, comigo sempre vou levar, é só a mim que eles vão atormentar..." (Trecho de "Casa Assombrada") 

Todo mundo sabe que eu sou chorona e emotiva, então isso por si só já seria suficiente para me sentir tocada com o disco. Mas eu gosto de como as minhas bandas preferidas exprimem em suas letras aqueles sentimentos que, por mais que eu saiba quais são, por sentir, não consigo por em palavras. Essa foi minha sensação ao ouvir o Vou Ter que Me Virar, nono disco da Fresno, lançado hoje. 

Toda música da Fresno é um mesmo dejavu de estar em casa, de lar, que por mais melancólico que possa ser, também traz a sensação de pertencimento e aconchego. É aquela mão-amiga que te diz que não é loucura da sua cabeça se sentir de tal forma, que isso é válido e que não tá tudo bem, mas também não precisava mesmo estar. 

Escrevo enquanto ouço o álbum na tentativa de não perder o feeling, mas, assim como os outros discos, eu sei que a emoção vai se reinventar a cada vez que eu ouvir, e a depender de cada momento da vida também. Eu só queria registrar esse sentimento genuíno de ouvir alguma coisa pela primeira vez, depois que o INV varreou as expectativas de “mais do mesmo” da banda. Eles tentaram e conseguiram. 

Bom, sobre o disco em si? Tem melancolia, tem sofrimento, tem política, tem amor… É sobre vida, vida em pandemia, de quem se foi e de quem segue tentando se sustentar por aqui. É a vida dos fãs crescidos que precisam lidar com um governo fascista e genocida, fazer terapia, pagar boletos e ainda sofrer por amor (às vezes). Tem acordes, ritmos, batidas, mixagens e instrumentais que passeiam por toda a trajetória da banda. É o puro suco da Fresno pulsando em cada faixa. Que bom viver para ouvir isso. Que bom contemplar todas as possibilidades que a banda se propõe. 

"Essa coragem me empurrou, mas não me fez perder o medo de ver tudo que eu sou escorrendo pelos dedos. O sofrimento me fez forte, mas também tão inseguro, trocou o meu medo da morte por esse medo do futuro..." (Trecho de "Caminho Não Tem Fim")

De primeira impressão fica: preciso ouvir e ver isso ao vivo! O vocal tá incrível, os screams estão impecáveis (Fudeu e Grave Acidente!!!!!!), a proposta do INV tá presente no sentido de que eles podem tudo MESMO e, por fim, a sensação de que, fazendo o que for, em tudo sempre vai ter aquele toquezinho de Fresno que jamais vai passar batido. Aquela coisa que vem desde O Quarto dos Livros até o VTQMV e onde quer que toque, a gente reconhece. 


Ranking da autora (consideremos que todos estão no #1): 

Casa Assombrada, Caminho Não Tem Fim, Agora Deixa, Grave Acidente, Vou Ter Que Me Virar, Já Faz Tanto Tempo, Essa Coisa (acorda-trabalha-repete-mantém), Eles Odeiam Gente Como Nós, Tell Me Lover, Fudeu e 6h34 (nem liga guria). 
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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