RESENHA: American Crime Story: Impeachment (3ª Temporada)


(Foto: Divulgação/FX) 

Infelizmente, estamos acostumados a vermos nas notícias diárias casos de assédio contra mulheres. Mesmo com todas as funcionalidades de tecnologia e a facilidade em se propagar informação, isso está presente no cotidiano. Cada esforço é válido para combatermos e inibirmos esse tipo de crime. Agora, imagine como era a realidade nos anos 90. As dificuldades para as mulheres eram ainda maiores e, quando casos assim vinham à tona, mesmo vítimas, elas continuavam como as mais prejudicadas. Não que tenha mudado muito hoje em dia.

A terceira temporada de American Crime Story detalha os atos que levaram ao Impeachment do presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton, na Câmara dos Deputados. Ele foi acusado de perjúrio e obstrução de justiça nos casos envolvendo Paula Jones e Monica Lewinsky. Porém, foi absolvido pelos senadores logo em seguida. A política falou mais alto e o presidente, apesar das polêmicas, seguiu até o fim do mandato.

A qualidade da série continua no mais alto nível. Ryan Murphy, criador e showrunner, dirige dois episódios nesta terceira temporada, entre eles o piloto. A ideia de ser uma antologia, com uma história a cada novo ano, prova-se a mais acertada. Com dez episódios, conseguimos entender todas as nuances dos casos sem parecer repetitivo e nem enfadonho. O design de produção é impecável. Nos sentimos dentro daquele ambiente, seja qual for o ano representado. Diferente das duas temporadas anteriores, aqui não temos um assassinato para impulsionar a trama logo de início. Com isso, os primeiros episódios servem como introdução ao mundo político dentro da Casa Branca, apresentando as pessoas que serão abordados e aclimatando a audiência àquele convívio.

Mais uma vez, o elenco e os personagens são a alma da série. Falando primeiro de uma recorrente em obras do Ryan Murphy, temos a volta da Sarah Paulson, interpretando Linda Tripp. O sentimento que tive na maioria das cenas da qual a Linda aparecia foi a de raiva. Ela traiu uma amiga, expondo-a para o país inteiro, simplesmente para se sentir relevante. Paulson, mais uma vez fazendo o papel de uma pessoa real, estudou os detalhes dela a fundo, transmitindo a arrogância e paranoia da Linda. Acompanhamos o início e ruptura da amizade dela com a Monica Lewinsky, feita pela atriz Beanie Feldstein, que também se destaca, carregando diferentes cargas dramáticas nos dez episódios.

Outra velha conhecida do público de American Crime Story é a Annaleigh Ashford, aqui no papel da Paula Jones, inocente e despreparada para aquele mundo. Ela foi primeira mulher que denunciou o presidente por assédio sexual e o levou até julgamento. Clive Owen faz o cínico Bill Clinton, alegando ser sempre o coitadinho e utilizando o aparato do Estado para conseguir o que quer. Sobra para a esposa, Hillary Clinton (Edie Falco), arrumar a bagunça e jogar as desavenças para baixo do tapete.

Tirando a Linda Tripp, todas as mulheres citadas anteriormente tiveram as vidas impactadas negativamente e diretamente pelas ações de um único homem, Bill Clinton. Elas não foram as únicas, como a própria série mostra. Quando o escândalo envolvendo Monica estava nos noticiários, outros casos envolvendo o ex-presidente apareceram. A terceira temporada dá destaque para esse caso tão importante, mas pouco conhecido fora do território estadunidense, e só por isso ela já se vale. Show de atuações e construção de roteiro que deixa o público envolto na história e a par dos fatos.

Nota: 9/10
Micael Menezes
Micael Menezes

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