RESENHA LITERÁRIA: Os Cem Anos de Lenni e Margot

(Foto: Adan Cavalcante)

Livros com temáticas fúnebres sempre atraem grandes públicos e tiram várias lágrimas, só avaliar o estrondoso sucesso que A Culpa é das Estrelas, do autor John Green e Como Eu Era Antes de Você, da escritora Jojo Moyes, ambos já adaptados ao cinema, tiveram.

O público tem uma atração por histórias de amor já fadadas ao fim trágico, desde o clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Mas o amor pode ser visto de várias maneiras, trazendo sempre diversas nuances de uma história onde o fim nem sempre é o feliz, mas a caminhada é o que nos proporciona felicidade.

Escrito pela inglesa Marianne Cronin, “Os Cem Anos de Lenni e Margot” é o seu primeiro romance publicado e já foi traduzido para mais de 20 línguas durante todo esse processo. Assinante da TAG Inéditos, recebi esse livro e fui logo atraído pela capa. Tratei de colocar ele na minha lista de leituras e qual foi minha surpresa ao ler o livro? Me apaixonar.

Sinopse

Lenni é uma garota de 17 anos que veio da Suécia e tem um câncer terminal – o que não a impede de se manter ativa dentro do hospital onde está internada. Como boa adolescente que é, ela tem uma língua como um chicote e está sempre disposta a questionar todos e todas, agindo de forma madura em várias questões. Margot é uma senhorinha de 83 anos, que é muito cheia de vida e esperta, fugindo do estereótipo de idoso à espera da morte. Em um dia, a vida de ambas é ligada e, a partir desse momento, um grande carinho começa a brotar entre as duas.

O cenário principal do livro é o hospital onde ambas estão internadas. Lá, elas participam de aulas de artes para passar o tempo e Lenni pede para ser transferida da sua turma de adolescentes para a de mais de 80 anos, e assim fica mais próxima de Margot. A garota percebe que juntas elas têm cem anos e dá a ideia de que ambas pintem os cem anos de vida delas em quadros, o que é acatado pela professora que ministra a aula.

A partir desse momento, somos transportados para memórias de ambas as protagonistas, onde cada uma relembra momentos marcantes de sua trajetória. Não é de surpresa que Margot nos proporciona os melhores momentos em lembranças, desde sua infância na Segunda Guerra Mundial, a perda de seu primeiro filho e fim de seu casamento, a descoberta do amor e suas aventuras, o que a fez uma mulher livre e com um coração de ouro.

Os personagens do livro são extremamente cativantes e os protagonistas conseguem trazer todo o tipo de sentimento para o leitor. Desde alegrias e emoções até a raiva, e faz você se apaixonar por cada uma delas. Lenni, com sua pouca estrada, teve uma vida repleta de altos e baixos, onde sua família lutava com problemas dentro de casa. Já Margot nos mostra que, a partir do momento que ela se permitiu viver, ela teve as maiores aventuras.

Outros personagens também conseguem atrair o público, como o padre Arthur, reverendo da igreja do hospital, que Lenni conhece em um passeio e faz amizade com ele. Essa amizade gera bastante questionamento sobre a vida e a fé para ambos os personagens. Outra personagem que é bem recorrente e traz bastante leveza para a trama é a enfermeira Nova, grande parceira da Lenni e que sempre tenta fazer o que a mocinha quer. Diferente da enfermeira Jacky, carrancuda, a enfermeira Nova é toda descolada, o que a une logo a Lenni.

Várias histórias são bem legais, como o primeiro beijo da Lenni, o primeiro encontro da Margot. Mas nada é mais crucial do que o encontro da Margot com a figura que viria a ser um dos fios condutores das memórias dela, que atende pelo nome de Meena. Uma estrela livre que a guiou em seu processo de libertação e a mostrou vários tópicos da vida. É impossível falar desse livro sem citar a importância de Meena, para o bem ou para o mal, na vida de Margot.

A todo momento somos apresentados à novas histórias que preenchem lacunas da vida dessas duas e também temos o medo do que pode acontecer com elas. Sabemos que o relógio delas está passando mais rápido, que estão dentro de um hospital e, como a Lenni diz, a qualquer momento algo pode acontecer e os cem quadros podem não ter o seu final. E esse sentimento, que às vezes é esquecido, em certos momentos é lembrado de forma que marca você. Uma delas pode morrer, ou ambas.

"Os cem anos de Lenni e Margot" é uma grata e bela surpresa para quem curte um romance de amizade e que nos mostra sobre o que é importante na nossa existência. A vida é curta e em nenhum momento devemos deixar para depois o que podemos aproveitar agora.

O livro já tem uma adaptação cinematográfica em vista, mas nenhuma informação foi dada até agora. Esse é o primeiro livro da Marianne e ela já mostra tremenda competência em sua escrita, o que nos faz ficar ansiosos pelo futuro e sedentos pela próxima obra dela.

Nota: 9/10
Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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