RESENHA: O Culpado


(Foto: Reprodução/Netflix) 

O policial Joe Baylor (Jake Gyllenhaal) se envolve em uma batalha contra o tempo quando recebe uma chamada de socorro de uma mulher. Do outro lado da linha, Joe tentar controlar os excessos de raiva que são costumeiros na vida dele e que o levaram àquele lugar, para que assim consiga resolver a situação.

Grande parte de O Culpado se passa dentro de uma central de atendimento de emergência da polícia, com pouquíssimas cenas fora desse ambiente, evidenciando o baixo orçamento. Cabe ao diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) encontrar maneiras de contar a história sem perder o ritmo. Ele consegue fazer isso ao utilizar diversas câmeras no cenário e em locais inovadores, disfarçando a monotonia do local de trabalho dos policiais.

Entretanto, apesar do filme ter apenas 1h30 de duração, pouco antes da metade ele já começa a se mostrar enfadonho, com muitas repetições narrativas que resultam em uma diminuição da tensão criada no espectador. Outro fator que pode afastar quem estiver assistindo é a inclusão de personagens que não têm muita importância no decorrer da trama, dando a impressão de que estão ali apenas para preencher espaço e tempo. A utilização dos celulares, muito presentes em tela, também não é inovadora. Resume-se apenas ao ato de atender as chamadas, algo que filmes recentes como o “Buscando...”, já nos demonstraram diversas formas de se utilizar a tecnologia em favor da história.

O ponto alto do longa é a atuação do Jake Gyllenhaal. Mesmo com quase nenhuma variedade de locação e muitas vezes sozinho em tela, o ator consegue demonstrar a aflição, raiva, sensação de impotência e desespero do policial. Para ajudá-lo, o diretor opta por câmeras mais próximas do rosto e a utilização marcante da cor vermelha na fotografia.

O filme traz discussões sobre o modo de agir da polícia, a falta de acompanhamento profissional para trabalhadores e as consequências que enfrentamos quando não encaramos nossos erros cometidos, porém sem aprofundar muito. A culpa não é um sentimento que vai embora facilmente. O Joe sente na pele a sobrecarga de emoções e isso transborda nas relações dele com os outros. Uma pena que o drama familiar apresentado no roteiro do Nic Pizzolatto (True Detective) é superficial e quando finalmente descobrimos mais sobre o personagem, já se passou muito tempo para nos importarmos.

Nota: 6/10

Onde assistir? Netflix

Micael Menezes
Micael Menezes

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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.