TRACK-BY-TRACK: Red Taylor's Version e a original All Too Well de 10 minutos


(Imagem: Divulgação Red Taylor's Version/Taylor Swift)

Na última sexta-feira, dia 12, foi disponibilizado em todas as plataformas a segunda regravação feita pela Taylor Swift dos seus álbuns devido a problemas judiciais envolvendo uma treta enorme que não é o caso aqui, mas que vem contra uma medida dela contra as mudanças de dono de seus masters em relação aos seus seis primeiros discos. O Red TV (ou Taylor's Version), sucede o Fearless Taylor's Version, que originalmente não foram lançados dessa forma, mas aqui faz todo o sentido.

O Red TV, junto o 1989 Taylor's Version, é um dos mais esperados pelos fãs e não foi surpresa a comoção causada por esse relançamento e lançamento, devido a ter faixas inéditas gravadas pela cantora, as ditas “From The Vault” (em tradução, do cofre). Uma das faixas mais esperadas, com toda certeza, é o lançamento da tão falada e já lendária faixa de 10 minutos da música “All Too Well”, uma das mais queridas pelos fãs e extremamente elogiada pela crítica, sendo citada em várias listas como uma das melhores músicas da cantora.

Tenho que falar que, como fã da cantora e de música no geral, fui extremamente servido com esse relançamento, por vários motivos e, um dos principais, é que esse é o meu disco favorito dela. O Red teve aquela transição perfeita dela do country, gênero que ela se consagrou, para o pop. Quando ela fez o anúncio que este seria seu próximo projeto de regravação, minha ansiedade foi extrema e vou agora fazer meus comentários sobre essa tão esperada regravação.

O disco conta trinta faixas, um total de 2hrs e 10min, o que hoje em dia é uma audácia – onde as maiorias das faixas quando passa de 3 minutos é uma surpresa e um disco ter 1 hora é um milagre. Das 30 faixas já citadas, 19 já constavam no original do disco, uma versão acústica e temos a inclusão de Ronan na discografia da Taylor. Mas, vamos fazer como Hannibal e ir por parte, dissecando melhor esse disco.

As regravações elevaram o nível do disco lançado originalmente em 2012, com uma Taylor mais madura – o que é demonstrado em sua voz. A qualidade vocal dela está bem melhor do que antes, fora que se passaram quase 10 anos desde do primeiro disco e várias coisas evoluíram. Temos a própria cantora revisitando seus sentimentos de mais de 10 anos. É toda uma história de volta.

Faixa a Faixa

A começar com State of Grace, a primeira faixa do disco, chega deu um arrepio quando dei play e um Adan de quase dez anos atrás ouvindo esse disco cheio de emoções que ele nem sabia que existia. A música fala sobre se apaixonar pela primeira vez de uma forma épica, e essa canção perpassa por essa epicidade musical.

Quando passamos para a música que dá título ao álbum, Red, e foi o sexto single quando ele foi lançado originalmente. Aqui, você sente as emoções mais fortes, mais nítidas, mais duras também. A música passa por um início, meio e fim, usando cores como analogias para esses sentimentos, que às vezes é difícil de explicar. Nessa faixa, tenho que comentar que os vocais de apoio ficaram incríveis.

Em Treacherous, Taylor fala sobre um relacionamento que ela sabe que não é bom para ela, como é cantado “essa ladeira é traiçoeira”. Os vocais aqui estão extremamente mais limpo, e é engraçado citar também, que você percebe que são outros tempos, pois a voz dela não carrega o mesmo sentimento de antes, quando ela gravou essa música pela primeira vez.

Chegamos em um dos hinos da carreira, I Knew You Were Trouble, é o terceiro single do disco e é um pop rock com pegada dubstep que fez muito sucesso na época do seu lançamento. Novamente tenho que falar na clareza da voz dela aqui e em como ela tá mais madura. IKYWT é sobre o que o título já diz, olhar pra alguém e saber que aquela pessoa é probleminha pra cabeça. O que a gente faz? Corre? Não, se joga.

All Too Well é uma das minhas músicas favoritas da carreira da Taylor, e com toda razão. A quinta faixa do disco possui uma produção incrível, com uma letra que fala sobre uma história de amor que não termina bem e aqui, Swift despeja toda sua raiva desse @ que foi um boy lixo pra ela. Quem acompanha a carreira ou as redes sociais, deve saber bem de quem possivelmente ela se refere. A canção foi extremamente elogiada pela crítica e ganhou uma performance no Grammy de 2014, mesmo não sendo single.

A próxima música ganhou status na cultura pop. Quem nunca quando chegou aos 22 anos usou como quote “I don't know about you, but i’m feeling 22”. Simplesmente é um momento de transição na vida de qualquer pessoa. 22 foi lançado como quarto single do Red originalmente e é POP. Não tem como fugir. Por mais que 1989 seja o álbum que a Taylor Swift assume e diz que canta pop, aqui, como eu disse antes, os dois mundos ainda se colidem de uma forma extremamente deliciosa. O videoclipe dessa música é bem divertido também, e conta com várias amigas da cantora.

A sétima música do álbum, também é uma das minhas favoritas. I Almost Do tem aquela dramaticidade musical que apenas a Taylor consegue passar em suas canções. A faixa fala sobre querer ligar para aquela pessoa que você não está mais, mas você não faz.

O primeiro #1 a gente não esquece não é mesmo? Com We Are Never Ever Getting Back Together (ufa), a loirinha alcançou o topo da Billboard Hot 100 e com essa dance-pop, ela deu início a era Red. O primeiro single foi um tremendo sucesso e claro, indiretas para ex não faltou aqui. Inclusive, ela performou essa música no programa da Xuxa, durante aquela visita icônica.

Stay Stay Stay é aquele country pop que tanto a gente já conhece. Aqui ela fala sobre sonhar com aquele verdadeiro amor. Não tenho muito o que falar sobre ela. Next.

A última música da era da o tom de final de relacionamento, de quando a pessoa já cansou de tudo, é o ponto final. The Last Time é uma colaboração com o vocalista da banda Snow Patrol (quem é fã de Grey 's Anatomy vai reconhecer por Chasing Cars e Open Your Eyes), Gary Lightbody, e é tem uma pegada de rock alternativo bem característico do vocalista. Podia facilmente estar presente em um dos álbuns do cantor. Quem ouviu o evermore, com toda certeza vai lembrar dessa música. Aqui, você ouve ambos cantando com toda sinceridade como um fim de relacionamento é, com toda dureza. Essa podia com toda certeza ser a última do disco também.

Holy Ground, Sad Beautiful Tragic e The Lucky One dão continuidade ao disco. São aquelas músicas que pra mim, são boas, mas eu não tenho muito o que falar. Principalmente Holy Ground. The Lucky One, entre elas, é a que eu mais curto. Inclusive, é a faixa 13. HER MIND NÃO PARA.

O sexto single da era Red é um dueto com seu amigo de longa data, Ed Sheeran. Everything Has Changed fala sobre sua vida virar de cabeça para baixo após se apaixonar por alguém novo. O que eu mais gosto desse disco, e das composições dela, são aquelas situações que você já passou ou vai passar. Aqui, eu dou destaque a voz mais madura do Ed Sheeran, é a maior mudança que eu senti ao ouvir. Devo dizer, que essa versão já se tornou minha favorita.

A décima quinta música do disco se chama Starlight, um dance pop que de acordo com a Taylor Swift, é uma fanfic que ela criou após ver uma foto da Ethel e Robert Kennedy em 1945, de acordo com entrevista que ela deu a The Wall Street Journal.

A última faixa da versão normal do disco no lançamento original e a décima sexta do álbum, também foi o segundo single oficial do disco. Begin Again fecha esse ciclo de maneira triunfal. Após todo o turbilhão de emoções que foi o relacionamento, o fim e a superação, ela conhece alguém novo, que diferente da última pessoa, fecha todas as lacunas. Begin Again tem uma liricidade perfeita e você enxerga o quanto Taylor tem habilidades em contar histórias com suas letras. Essa última música é totalmente um country, e eu enxergo como o rito de passagem para uma nova era que ela iria tomar. Também é um adeus a essa parte da sua vida.

The Moment I Knew faz parte da versão deluxe do disco, e é a décima sétima faixa do disco. Nessa faixa ela fala como se sentiu quando seu ex-namorado não apareceu no seu aniversário de 21 anos. Momento que foi revisitado durante o seu último vídeo lançado, que falarei mais sobre isso abaixo.

Você já tentou ter um relacionamento com aquela pessoa que está sempre longe? Bom, em Come Back… Be Here, Taylor fala sobre isto nesta canção, que em alguns momentos me fez lembrar de Delicate, música presente no Reputation.

Aqui chegamos na era 1989 antes de chegar de fato. Girl At Home tem aquela pegada meio New Romantics, que difere da sua versão original. Essa versão ficou realmente tudo. Os vocais dela estão incríveis aqui, e nossa, potencializou uma música com um ode aos anos 80, estilo que iria ser bem utilizado no seu disco seguinte. A vigésima música é uma versão acústica da primeira, State of Grace.

Ronan, é a primeira música inédita do disco, pois ela nunca esteve presente em nenhum disco da cantora. A canção foi feita para caridade, e todos os rendimentos foram direcionados para instituições que tratam de pacientes com câncer. Ela foi lançada em 2012, e fala sobre Ronan Thompson, uma criança de quatro anos que havia morrido em decorrência da doença. É uma música muito linda, com uma delicadeza única e cantada ao mesmo tempo com doçura, você enxerga dor.

Better Man foi uma faixa escrita por Taylor e cedida a banda Little Big Town em 2016, e foi como a sua volta ao country depois de ter entrado de vez no pop. É uma faixa que fala sobre um relacionamento tóxico, e aceitando a tristeza que se segue após seu fim. Na canção, ela deseja que ele fosse um homem bom, que talvez assim, ainda estivessem juntos. É uma música inédita na voz da Taylor e que mostra sua força dos 30 anos, sua maturidade.

Nothing New é outra que sai do seu cofre, e aqui temos a participação da cantora e compositora indie Phoebe Bridgers. A música foi inspirada em "A Case of You'' da cantora Joni Mitchell, e de acordo com a própria Swift para os jornais “ela fala sobre o medo de envelhecer e das coisas mudando”. A voz de ambas tiveram um casamento incrível, e mais uma vez você enxerga um futuro disco folk aqui.

Eu simplesmente adoro Babe. Uma das escritas cedidas da Taylor, essa foi para a Sugarland e meu deus, ela é ótima. Eu canto ela aos gritos. O clipe é com o Brandon Routh, o Superman de O Retorno. A música foi composta em conjunto com o Pat Monahan da banda Train e você vê um pouco dele aqui. Na faixa original, a Taylor foi backing vocal e aqui ela toma o comando da faixa, dando sua cara a ela. Alguns fãs ligaram essa música a All Too Well, Girl at Home e The Last Time, pelo seu tema. Faixa 24, cante alto no banheiro, É CERTEZA DE SER SHOW.

Message In A Bottle é a quinta faixa do the Vault, e é uma música pop e novamente prever como vai ser o 1989. Eu adorei desde que eu ouvi pela primeira vez e lembra um pouco os últimos trabalhos da Carly Rae Jepsen, que apostou nesse pop oitentista.

I Bet You Think About Me foi escrita em conjunto com a Lori McKenna, e é uma música country que não nega as origens da Taylor. A canção é mais uma colaboração e aqui o cantor Chris Stapleton canta ela, e lembra aquelas músicas de filmes. Já apostando ela numa trilha sonora, ein? (E vai vir clipe dirigido pela Blake Lively).

A faixa 27 se chama Forever Winter e é uma balada escrita em conjunto com o Mark Foster da banda indie Foster the People e produzida por um dos parceiros da Taylor, Jack Antonoff. A faixa fala sobre as complicações de um relacionamento, o estresse e como você pode chegar ao limite. É uma das minhas favoritas das inéditas.

Mais uma participação do ruivinho Ed Sheeran, agora aqui na faixa Run. É muito bom ver os dois juntos em uma faixa, pois ambos são tão amigos e tem essa sincronia maravilhosa, uma vibe muito delicada de amigos juntos.

A penúltima faixa se chama The Very First Night e remete muito a Starlight. A bateria e a voz de Swift nessa canção traz uma coisa meio amor de verão. Essa canção antecipa o que está por vir de uma forma maravilhosa.

A faixa que finaliza o disco, é a lendária versão de 10 minutos de All Too Well. A trigésima faixa do disco, e a tão esperada por muitos, não deixou a desejar em nenhum ponto. Somos narrados sobre aquele relacionamento que conhecemos de forma resumida na faixa 5, mas aqui vemos tudo o que ocorreu. Vemos o início, os motivos e o fim. Vemos tudo virar cinzas enquanto é consumido pelas chamas. A voz da Taylor atinge seu ápice nessa canção, numa versão extremamente mais emotiva. É uma narrativa sendo contada de forma full size.

All Too Well (10 Minute Version), como ficou conhecida, tem uma sonoridade diferente da versão original, tendo como apoio uma batida de tambor ao seu fundo, diferente da guitarra da primeira. Em sua letra, vemos vários momentos repassados de músicas, momentos esses que conversam entre si a todo momento. Como falado acima, o Red a todo momento está contando essa história, desse relacionamento que afetou e deixou essa marca. E assim ela finaliza o disco, com essa história sendo contada.

All Too Well – O Curta

Como presente para os fãs, Taylor Swift gravou um curta narrando visualmente todos os acontecimentos cantados em All Too Well. Chamou os atores Dylan O’Brien e Sadie Sink, e no dia 12 de novembro, junto com o relançamento, foi lançando o tão esperado vídeo.

No vídeo, vemos desde quando ela deixou o famoso cachecol na casa da irmã do ****, o relacionamento pegando fogo e vendo sua chama sendo apagada. Vemos o aniversário de 21 anos e o momento que ela percebe que ele não é pra ela. O curta ainda tem a participação da própria cantora no final, enquanto o seu ex está a observando de longe. Além da celebração de All Too Well, o clipe é uma celebração do próprio Red, contando toda essa história que tanto amamos.

Assista o curta a seguir:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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