Qual seu filme de terror favorito? O meu é Pânico


(Imagem: Divulgação/Pânico)

O ano era 1996 e eu nem pensava em assistir filmes de terror e me transformar em um apaixonado por cinema como eu sou hoje. A transformação foi progressivamente, levando em conta toda a idade que ainda levaria a ter para entrar na classificação indicativa. Mas vamos parar e analisar que os tempos eram outros, a década de 90 não era tão cheia de regras e dependendo de qual família você cresceu, assistir Presença de Anita ou até um filme no Corujão, não podia ser algo tão fora do padrão esperado.

Eu lembro de ter meu primeiro contato com esse mundo de filmes de terror, com o boneco assassino mais famoso. Lembro de assistir Brinquedo Assassino 3 e a cena em que ele degola o barbeiro me assustar pra caramba, mas ao mesmo tempo me fazer rir muito pois cara, ERA UM BONECO ASSASSINO. Diante de toda a morbidez causada por esse primeiro contato cinematográfico com um mundo totalmente bizarro onde bonecos matavam, tendo sido criado com lendas urbanas de bonecos do Fofão carregar uma adaga dentro de seu corpo de pelúcia ou as unhas da boneca da Xuxa arranhar seu dono ao anoitecer, um simples boneco assassino não iria me matar. O que ocorreu aqui foi acender a curiosidade de um garoto um pouco estranho, um pouco fanático por cinema.

Uma certa noite, esse filho único, se juntou a tia mais nova e foram assistir a um filme na TV. O filme era Pânico, um slasher que eu nunca tinha ouvido falar mas que eu simplesmente fiquei extremamente curioso por esse antagonista utilizando uma fantasia da "Morte". A história do filme não tem grandes inovações quando se colocada numa sinopse: um grupo de amigos são perseguidos por um assassino que ao longo de filme vai dar cabo de um a um, até que ao final, é relevado a identidade do assassino e a luta com a final girl dará um fim nele.

Nada tão extraordinário atualmente, mas visto nos meus centrados 08/09 anos era o suprassumo do que era cinema naquela época. Me juntei a minha tia, na casa da minha avó, e juntos assistimos esse filme acompanhados de pipoca quentinha e coca cola gelada, o combo perfeito. Em meio a gritos, sustos e momentos inesquecíveis, naquele momento em toda a sua gloria eu sabia que estava a apaixonado por um gênero novo de cinema. O que era um boneco, perto daquele cara de fantasma e toda a sua gloria. O que era aquela protagonista e toda sua gang lutando pra se salvar. Sidney Prescott não era como as outras final girls, ela lutava, descia o cacete no Ghostface e nunca desistia da luta.


(Imagem: Divulgação/Pânico)

A partir desse momento, comecei a assistir outras obras mais marcantes do gênero, como é o caso de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, também dirigido pelo Wes Craven. O tempo passou e eu fui ficando mais e mais fã da saga, quando tive mais vivencia e conhecimento, aluguei os filmes nas finadas locadoras. A trilogia inicial foi um alicerce no conhecimento dessa mágica cinematográfica de slasher. Toda a metalinguagem inserida no roteiro de forma inteligente, viria a me encantar e me fazer buscar em outras obras, algumas vezes inutilmente e achando verdadeiras bombas.

No ano de 2011 tive a oportunidade de ir pela primeira ao cinema acompanhar de "perto" um filme da saga, que chega em sua quarta parte e sendo a última dirigida pelo mestre Craven e sendo novamente roteirizado pelo Kevin Williamson, que não havia roteirizado o terceiro e o mais fraco da saga. Trazendo o trio original e nomes que eu já amava no elenco novo como a Emma Roberts, Hayden Panettiere e CLARO O NOSSO QUERIDO SETH COHEN, Adam Brody, Pânico 4 revitalizou a saga e mesmo não tendo o reconhecimento merecido, pra mim é um dos melhores.

O legado de Pânico é enorme, onde revitalizou um gênero (o slasher, no caso), que estava desgastado já no final da década de 80 e caminhava a passos mortos com as várias continuações de sagas já citadas como Sexta-Feira 13, que insistia em trazer de volta Jason das mais variadas formas e A Hora do Pesadelo, que insistia em não matar o Freddy Kruger. O tempo passava e além dos filmes se tornando cada vez menos atrativo para o público, que se desviava desse material, nada original vinha dali mais. A fonte secou e esqueceram de avisar aos produtores.

Tudo mudou quando em 1996, quando Pânico foi lançado, trazendo uma linguagem totalmente nova para o novo público e atraindo milhões para os cinemas e se tornando um dos filmes mais cultuados dos últimos tempos. Como não enaltecer a cena inicial, onde a personagem da Drew Barrymore, que já era ali uma atriz de renome, sendo assassinada de forma brutal e pegando todo mundo de surpresa pois seu nome era um dos chamariz do filme? Isso é ousado e chamou a atenção de geral. Essa galera não tinha medo de matar seja lá quem fosse. Nesse momento, Pânico se firmou e o resto é história.

Todo esse amor pela saga, envolve mais do que o simples roteiro e filme, se estende aos atores e personagens. Sidney Prescott que é defendida aqui de forma brutal nas telas pela Neve Campbell, é única e não imagino ninguém a não ser ela nesse papel. Gale e Courtney Cox se misturam, e ali ela foge da Monica Geller de Friends e é a nossa jornalista sedenta por um furo sem um pingo de pudor e que amamos. David Arquette e o seu Dewey, o cara de bom coração é que mais se fod* nessa merda mas parece que tem mil vidas e a gente torce que nunca acabe. É uma mistura de que a gente torce por uma novidade, mas não queremos que esse trio se perca no meio da história e vire apenas uma contagem.


(Imagem: Divulgação/Pânico)

Durante esses últimos quinze anos de filme, posso afirmar que dez deles estive dentro desse culto ao Ghostface e me encontro todo ano revendo a saga e me apaixonando mais e mais. Os anos noventa serviram em música e filme, e dentro desse contexto sou brindado infinitamente por essa saga. Ano que vem, teremos a quinta parte e infelizmente, sem o gênio que era o Wes Craven por trás da câmeras e torcemos que seu legado seja respeitado e que esse filme mantenha o nível do quarto ou que ele cresça mais e mais, e eu sei que ao ouvir "Hello Sidney" mais uma vez irei me arrepiar todo como se fosse a primeira vez.

E eu quero saber, qual seu filme de terror favorito? 

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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