RESENHA LITERÁRIA: Daisy Jones & The Six

(Foto: Adan Cavalcante)

Existem aqueles livros que você folheia apenas algumas páginas e simplesmente se apaixona. É o caso do livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, que já foi comentado aqui no clubinho pela nossa companheira Bea. A partir daí, você quer conhecer as obras que a autora desenvolveu e faz uma lista nova e nela, uma delas dá início a todo processo de fanatismo. A obra seguinte ao ler Evelyn Hugo, pra mim, foi Daisy Jones e The Six, um livro com a mesma desenvoltura de Evelyn, trazendo uma biografia fictícia, dessa vez de uma banda de rock sessentista.

Contudo, as semelhanças param por aí, onde toda a construção dos personagens é tratada como uma entrevista e a história é contada do ponto de vista de todos os integrantes. Diferente de Hugo, que existe além das memórias contadas pela protagonista do livro, um background bem maior, aqui em Daisy Jones somos apresentados aos integrantes da banda The Six, além da protagonista que dá o nome ao livro, as pessoas da equipe e personagens interligados a banda.

O universo musical, o abuso de drogas e álcool, os perrengues que as bandas passam, os problemas familiares e todo o brilho e a escuridão do mundo do entretenimento, tudo isso é tratado aqui em Daisy Jones. A nossa protagonista mesmo passa por todos esses dilemas tratados acima. Vindo de uma família rica, Daisy sempre teve de tudo, menos atenção e afeto. Com uma personalidade natural para música, ela decide, ao ter seu talento sugado várias vezes por homens pequeninos, ter sua própria carreira e a partir dessa decisão, ela percebe que talento não é o bastante nesse meio e é preciso andar conforme a música.

Os The Six aqui tem início com a formação dos dois irmão, Billy e Graham Dunne, que desde cedo são apaixonados por música e juntos formam a banda em parceria dos também irmãos Eddie, que ficou a cargo da guitarra base, e Pete Loving, baixo; a tecladista Karen e o baterista Warren Rhodes. Billy naturalmente, com todo seu sex appeal, liderava a banda e Graham assumiu o posto de guitarrista. Billy não liderava a banda apenas nos palcos, como também nos bastidores, sendo visto por muitos com maus olhos e gerando vários momentos de tensão entre os integrantes.

No decorrer da trama, a banda que está no caminho do estrelato e umas das maiores it-girls do momento se encontram, e juntos, como uma grande tempestade, proporcionam um dos momentos mais chamativos da indústria com apenas uma música. Fazendo que, com o tempo, Daisy se junte a banda e gravem um disco juntos. E, o foco da autora é exatamente sobre esse período: após a gravação desse único disco, a banda se separou no meio da turnê e tanto e queremos saber o motivo disso haha.

O livro se empenha bem em nos contar essa história, assim como Evelyn Hugo, e em muitos momentos você sente que aquela banda realmente existiu. Isso vale à forma de pesquisa da autora Taylor Jenkins, que traz em seus textos inspirações reais, de bandas reais, e cria um cenário com um contexto histórico extremamente verossímil.

Devo dizer que a protagonista deste aqui, diferente de Hugo, não me seduziu de forma positiva, tendo me apaixonado por duas coadjuvantes da história: a tecladista da banda Karen, que é chamada de Karen Karen e da esposa do vocalista da banda, Camila. Ambas personagens, além de ter uma amizade muito bonita, tem histórias de complexidades bem interessantes, que valem uma discussão bem profunda.

Inclusive, Daisy Jones e The Six aborda várias discussões bem pertinentes, seja na década de 70 como atualmente, na forma de seus personagens. Você consegue abraçar cada um ali e se apaixonar por eles. O alcoolismo do protagonista Billy, a relação dele com a Camila também possui uma dinâmica interessante, as várias formas de amor, a independência feminina, a visão de família. Cada personagem colabora para a formação de uma identidade decisiva na criação de um universo psicológico no livro.

O livro possui algumas revelações bem legais, principalmente mais próximo ao final. É uma história de amor e música, como o título brasileiro trouxe. Para quem, como eu, é apaixonado pelo filme Quase Famosos, e possui uma paixão por música, vai se apaixonar rapidamente por esse livro. Taylor Jenkins Reid ganhou em mais uma canetada.

Em meio tempo, o streaming Prime Vídeo está para lançar a minissérie baseada no livro. A produção é da atriz e produtora Reese Witherspoon e traz no elenco nomes como Sam Claflin como o Billy, Riley Keough como a nossa Daisy Jones, Suki Waterhouse como a Karen e muito mais. Não tem previsão de estreia ainda, mas sabemos que é 2022 e as gravações já estão a todo vapor. 

Nota: 8.5/10

Editora: ‎Paralela
Edição: 1ª, em 10 junho 2019
Páginas: 360 


Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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