RESENHA LITERÁRIA: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

(Foto: Adan Cavalcante)

Nunca sou muito boa começando resenhas literárias, mas eu queria começar essa dizendo que você não vai conhecer ninguém como Evelyn Hugo. Ela é uma personagem cheia de camadas, de nuances, de erros e acertos e, ao mesmo tempo que é tão gente como a gente, ela também consegue ser odiosa, às vezes até cruel, e oportunista. Contudo, até nas situações mais extremas, ela parece olhar no seu olho e perguntar: você seria capaz de me julgar?

E não, não somos capazes de julgar Evelyn Hugo e eu vou te contar porquê.

O livro “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid, foi lançado em 2017, mas se tornou um sucesso nos últimos dois anos. A autora possui outros livros de sucesso como a minha leitura atual, inclusive, Daisy Jones and The Six. Mas, voltando, meu interesse por esse livro surgiu graças ao Twitter – e depois Adan só reforçou meu desejo de leitura. Antes de ler, confesso que eu esperava algo completamente diferente, e isso não é ruim – não, definitivamente não.

Sobre o que se trata? O livro conta a história de uma atriz hollywoodiana de sucesso, considerada um ícone, que teve seu início de carreira ainda na década de 1940. Nascida Evelyn Herrera, adotou o sobrenome Hugo para esconder as origens cubanas e crescer como o novo rosto da América nos cinemas estadunidenses. Os cabelos loiros e os seios fartos são os atributos-destaques de Evelyn, mas ela se torna bem mais do que isso (MUITO MAIS!!!).

Depois de quase 80 anos, uma vida inteira vivida, perdas e alguns escândalos, EH, que nunca havia revelado tudo sobre seu passado, decide contar sua história especificamente para a jornalista Grant – e tem um motivo por trás disso. A narração do livro se divide entre Monique Grant, a jornalista que divide o protagonismo da história com Evelyn, e é responsável por ouvir e escrever sobre a atriz. E a própria Evelyn Hugo que, durante a entrevista, descreve toda a sua vida e narra todas as suas experiências, dores e amores.

Tudo começa com um leilão de seus vestidos mais icônicos. Monique trabalha para a revista Vivant e a assessoria de Evelyn entra em contato com o veículo para uma exclusiva com Grant. Apenas com ela. O mistério se inicia daí e se estende até o capítulo final – e eu não vou estragar essa experiência para vocês, obviamente.

A vida de Evelyn é dividida em 14 capítulos, tendo ao menos um para cada casamento, sendo eles: Ernie Diaz, Don Adler, Rex North, Mick Riva, Harry Cameron, Max Girard e Robert Jamison. Cada marido possui um apelido que eu não vou revelar em respeito aos sentimentos que você irá desenvolver por cada um deles, mas tem do babaca ao mais amável e, apesar da quantidade, nenhum deles foi o grande amor da vida dela – um deles foi sua alma gêmea, só que é diferente.

Os demais capítulos são apresentados através das manchetes das revistas e tabloides ao longo da carreira de Evelyn e eles sempre trazem algo que veremos ou acabamos de ver o desenrolar verdadeiro sob a ótica da atriz.

Evelyn fez de tudo nesta vida para sobreviver, para crescer profissionalmente, para alcançar os seus objetivos e se livrar de uma vida miserável que estava fadada a ter. Mesmo que em algum momento a gente pense que faria diferente se estivesse no lugar dela, ainda assim não conseguimos julgá-la. Não dá para apontar o dedo para Evelyn, apesar (ou por causa) de tudo.

É uma narrativa complexa, mas fluída e de fácil compreensão. Não ficam sobras e nem pontas soltas. Ao fim do livro, como ela mesmo diz em vários momentos, não faltam respostas, todas as perguntas estão respondidas e você que lute para digerir. A gente acompanha a vida pessoal e profissional de uma atriz consagrada, suas escolhas e suas motivações. Descobrimos uma Evelyn Hugo que é uma mulher latina, ainda jovem buscou transformar sua vida se objetificando para isso, cresce, ganha independência, poder, fama e dinheiro, mas ainda possui suas fragilidades. Bissexual, passa a vida inteira entre a liberdade, inclusive sexual, que lutou para ter e a necessidade de se esconder para não perdê-la.

No fim, eu me compadeci. Quis abraçar Evelyn Hugo, Monique Grant, Harry Cameron, Celia St. James e tantos outros personagens. Quis dizer que os entendia, que não era tão simples e que por mais doloroso que fosse, eles conseguiram. Cada qual o que desejava, talvez não da forma que queriam, mas conseguiram.

“Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” fala sobre amor, em diversos formatos, e sobre sobrevivência. Sobre possibilidades e sobre arrependimentos. Sobre humanidade, crua e cruel. E eu não sou capaz de dizer mais do que isso.

Leiam!

Nota: 10/10
Editora: Paralela (2019)
Páginas: 360
Disponível em e-book e físico.
Onde comprar? aqui.


Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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