RESENHA: tick, tick... BOOM!


(Foto: Divulgação/Netflix) 

Eu vejo os filmes como uma forma de conhecer novas histórias, mesmo que sejam fictícias. Esse é um dos motivos pelo qual eu nunca me canso de continuar assistindo. Há sempre algo para aprender, emocionar-se, envolver-se. Isso é renovador e o que, para mim, torna o cinema digno de ser chamado de sétima arte. Às vezes, sou fisgado por um filme logo no início. Uma sensação meio aleatória, mas eu só penso: “Vou gostar desse”. Isso aconteceu comigo ao escutar a primeira canção de “tick, tick... BOOM!”. Fico feliz em dizer que essa impressão se confirmou, e ainda bem.

Tudo foi novidade para mim. Apenas sabia que era um musical protagonizado pelo Andrew Garfield e dirigido pelo Lin-Manuel Miranda. Não sou estadunidense e nem costumo assistir muitas peças da Broadway, portanto, nunca tinha ouvido falar sobre o personagem principal desta história, Jonathan Larson. Tive uma agradável surpresa. No longa, temos uma cinebiografia, mas não completa. Só acompanhamos uma parte da vida desse incrível compositor, quando ele ainda aspirava em ser um artista renomado, lutando para dar vida ao primeiro trabalho da carreira. E, claro, tudo no formato de musical.

Acompanhamos o cotidiano do Jon nas ruas de Nova York. Conhecemos o trabalho dele em uma lanchonete, a namorada, Susan (Alexandra Shipp), e o melhor amigo, Michael (Robin de Jesús). Não há nada muito especial. É uma vida comum em que todos buscam seus objetivos enquanto lidam com as dificuldades diárias. É divertida nas horas de lazer, mas melancólica em certos momentos. Porém, Larson percebe e coloca em si mesmo um aspecto de urgência na própria vida. Ele está perto dos 30, frustrado pela falta de sucesso na vida artística. Contas atrasadas. Vários amigos próximos estão morrendo da ainda desconhecida AIDS que assolou o fim do século passado. Nem mesmo o namoro está indo bem. O “tick” incessante de uma bomba o assola e ele tem de fazer algo antes que exploda.

O filme nos faz experienciar todas essas emoções junto do personagem. Apesar da atuação do Andrew Garfield ser perfeita, o Jon não é. São várias decisões erradas. Apesar de romantizado, não estamos acompanhando uma obra inteiramente fictícia. Jonathan Larson é humano, e ele se divertiu, riu, chorou, falhou, mas sem deixar de viver. Os altos e baixos vão sendo implementados nas letras das músicas compostas na tentativa de criar uma peça digna da Broadway. E no momento que ele coloca em prática um conselho de quem menos esperava, tudo parece mudar.

Ainda não consegui escolher a minha música preferida. Vou precisar escutar o álbum do filme mais algumas vezes para decidir. Além da qualidade das letras, criadas pelo próprio Jonathan Larson, e da qualidade dos atores que as cantam, a montagem nos coloca dentro do ambiente delas. Quase como se estivéssemos dentro da imaginação do compositor no momento em que elas estavam sendo escritas. Em outros momentos, somos a plateia assistindo uma peça da Broadway. Somos também os cantores que choram ao participar da apresentação. Somos a Susan e o Michael. Somos parte daquela história, porque no momento que entramos na quele mundo, não conseguimos nos desconectar dele.

Consegui o que buscava ao clicar no play. Fui apresentado a uma nova história. Magnífica e encantadora. Além disso, inspiradora. Não vejo a hora de conhecer mais sobre esse incrível artista. Obrigado, Lin-Manuel Miranda e obrigado, Jonathan Larson. O seu trabalho ainda vive e, com certeza, ainda influenciará a vida de diversas pessoas.

Nota: 10/10

Onde assistir? Netflix
Micael Menezes
Micael Menezes

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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.