Saldão da primeira temporada de Chucky: hit ou flop?



(Imagem: Divulgação: Chucky)

Na quarta-feira, 15 de dezembro, o streaming Star+ trouxe o oitavo episódio da série Chucky, finalizando sua primeira temporada. Adaptação televisiva do personagem icônico do cinema, o famoso brinquedo assassino chegou às telinhas e, mesmo com vários pés atrás, logo de início conquistou público e crítica.

Pelas mãos do Don Mancini, mente por trás do personagem e dos filmes, a série Chucky trouxe uma revitalizada ao personagem, que nas décadas de 90 e 2000 tinha caído em uma espiral de comédia e, nos anos seguintes, buscou trazer suas raízes de volta com dois filmes direto para home video, que não é mais home vídeo e sim internet. Como já foi falado sobre a série aqui no site, entre lá na postagem de primeiras impressões e vamos aqui direto para série e seus episódios gerais. 

Chucky é uma série que além do terror slasher que é sua marca registrada, trouxe várias discussões sociais, e sua primeira vem na forma de seu protagonista, Jake Wheeler (Zackary Arthur), um garoto de 14 anos que está na descoberta de sua sexualidade em plena adolescência e sofre com a homofobia dentro e fora de casa. Don Mancini é um dos poucos diretores da área do horror que é assumidamente gay na indústria e trazer esse debate para tela é de extrema importância. 

A chegada do boneco as mãos do protagonista se dá pois ele, o garoto Jake, tem um trabalho artístico com bonecos e ao ver o nosso "bonzinho" em uma feira de garagem, acaba o levando pra casa. Claro que logo coisas estranhas começa a acontecer e de quem será a culpa não é mesmo? Logo de inicio Jake é alertado por um telefonema anônimo de que esse boneco não é coisa boa, e manda ele "olhar se as baterias estão inseridas". Quem não sabe ou se recorda, um dos momentos mais icônicos do primeiro filme do nosso brinquedo assassino, é quando a mãe do Andy, primeiro protagonista da saga, vai olhar as baterias do boneco e percebe que ele não utiliza mas executa várias funções.


(Imagem: Divulgação/Chucky)

O fator nostalgia é bastante utilizado na saga e, logo de primeira, caso você tenha conhecimento da saga, já espera que a ligação traga para nossa telinha o Andy e aqui fica bem exposto o cuidado de tornar essa série canônica dentro de toda a saga. Todos os sete filmes estão dentro do mesmo universo da série e isso fica mais evidente nos episódios seguintes, mas vamos com calma. Chucky aqui representa aquele anti-herói e, em muitas vezes, torcemos pra ele dar fim a alguns personagens que não passam de um pé no saco. Logo de primeira, Chucky mata o pai homofobico do Jake, e ali se tornam amigos, sendo ele um grande parceiro do boneco nos episódios iniciais.

É incrível o poder que o personagem tem dentro da série e o carisma dele tá 100% em seu ápice aqui. Don Mancini conseguiu mesclar toda a psicopatia do personagem com o seu estilo sarcástico e chacoteiro. Durante a série, várias cenas da série tomaram as redes, mostrando a força do personagem entre os jovens, mesmo 30 anos depois. 

Outro fator interessante da série é que os personagens são muito bem desenvolvidos e, alguém que tu não suporta no início, acaba dando uma volta e você acaba se apaixonando por ele. É o caso da personagem Lexy (Alyvia Alyn Lind, que é irmã da Emily Alyn Lind do reboot de Gossip Girl e são filhas da Barbara Alyn Woods, que aqui interpreta a mãe da Lexy e conhecemos ela como a mãe do Nathan Scott, na série One Tree Hill), nossa essa garota é o capeta e simplesmente é mais perigosa que o boneco assassino, e em vários momento pedi aos céus que ela fosse logo a próxima vítima. Ela namora com o primo do Jake, Junior (Teo Briones), que no começo é irritante e ao passar do tempo se torna peça central de todo o caso e esse sim, odeio esse garoto.

Lexy consegue sua redenção durante a série e, junto a Jake e o interesse amoroso do nosso protagonista, Devon (Björgvin Arnrson), se unem ala Gangue do Scoob para destruir o Chucky. Muitas perdas ocorre durante a temporada, vários pais são assassinados e tem episódios bem tristes diante disso. A amizade dos três fica cada vez mais forte, e remete muito a It - A Coisa, onde juntos aquele grupo enfrenta um mal maior. Inclusive, temos um pouco da origem do mal, por contar um pouco da história do Chucky ainda como humano e como foi sua infância e sua vida adulta, mostrando que a morte sempre perseguiu esse personagem. 

Durante todo o caos, rostos conhecidos aparecem, como a Fiona Douriff, atriz que interpreta a Nica e aqui na série da vida a ninguém menos, que o Charles Lee Ray, que é interpretado originalmente pelo seu pai na saga original. O trabalho da garota é show. Junto dela, temos a participação da ícone, da maioral, da dona da porra toda, Jennifer Tilly em seu retorno triunfal como Tiffany Valentine, a noiva do Chucky. É incrível ver esses personagens icônicos na telinha, convivendo no mesmo universo. Além deles, o Alex Vicent e a Christine Elise, que deram vida ao Andy e a Kyle retornam como caçadores de Chucky e tem uma interação muito massa.

A partir do momento que todos esses personagens da saga começam a aparecer e interagir é onde todo o caos se inicia de forma desproporcional. É um cataclisma, onde os acontecimentos do sétimo filme da franquia, O Culto de Chucky, tem continuação aqui e dá várias explicações para vários acontecimentos. 

Junior cumpre o propósito que Chucky tanto buscava e a partir desse momento, o menino perde sua inocência e se junta ao assassino, Tiffany e uma Nica enclausurada. O culto dos vários Chuckys, querem levar a cidade um pandemônio de mortes e é uma cena bem engraçada todo o exército de bonzinhos sendo recrutados para levar mortes por todo lado. 


(Imagem: Chucky/SyFy)

Devo citar mais uma vez que Jennifer Tilly tá PERFEITA como Tiffany e esse papel é dela e só dela. As interações dela tanto com o boneco Chucky quanto com a Nica, em suas duas variações, mostra a versatilidade de uma atriz rejeitada por Hollywood

A primeira temporada serviu muitos fan service e que funcionam muito bem, sem se tornar clichê. Aqui encontramos uma série que entrega slasher e não trai suas raízes, diferentes de outras adaptações de obras famosas do cinema para a TV, como é o caso de "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado", que esqueceu o roteiro no churrasco e trouxe apenas paisagens bonitas e atuações fracas.

Chucky finalizou trazendo um fechamento para sua história central, deixando caminho para a próxima temporada, que já foi confirmada. Além de ter uma cena que anima a vida de qualquer fã da saga, e abre teorias para uma certa personagem que vê ao longe nossos três protagonistas. Boatos que ela tem ligação com a saga de filmes e que vai dar muito pano pra manga. Um hit (sim, essa é sua resposta) instantâneo que não se debruçou em um personagem icônico mas foi além, trazendo aprofundamento a mitologia e expandido seu universo. 

A segunda temporada ainda não tem previsão de estreia, mas acredito que 2022, se nada der errado no mundo. A primeira temporada já tá completa no Star+ e os filmes do nosso boneco favorito estão espalhados nos streamings e na locadora virtual, só dar uma procurada que acha rapidinho. 

Nota: 8,5/10
Onde assistir? Star Plus

Confira o trailer:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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