EM CARTAZ: The Matrix Resurrections


(Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures)

É impossível negar que Hollywood está investindo cada vez mais em revisitar seus grandes filmes a fim de explorar um pouco mais as histórias e o apego dos fãs à obra. Independente do objetivo, a escolha é sempre um grande risco. Em alguns casos, se torna um grande equívoco, demonstração plena de que certos clássicos são intocáveis por alguma razão. Por outro lado, em raras exceções, ouso dizer, há um grande acerto e as emoções de anos atrás cativam uma mesma geração novamente. Com Matrix Resurrections, fica o agridoce do meio termo.

Dirigido por apenas uma das irmãs Wachowski, a Lana, Matrix 4 estreou ainda em dezembro nos cinemas mundiais, dividindo salas com o aclamado Spiderman: No Way Home. Antes do lançamento, toda uma experiência transmidiática foi incentivada a partir dos trailers e de sites interativos com os fãs, projetando eles de volta à realidade da matrix de 20 anos atrás. Em números, apesar dos investimentos, o quarto filme da saga de ficção científica ainda nem se pagou e, em relação à crítica – tanto a especializada, quanto o público – o filme é considerado morno.

Eu vim assistir a trilogia original de Matrix nos últimos dias e aproveitei o embalo para ver o recém-lançado The Matrix Resurrections, que entrou no catálogo do HBO Max na sexta-feira, dia 28. Com a história fresquinha na cabeça, a experiência se tornou empolgante e, ao mesmo tempo, talvez tenha sido isso o responsável por matar o meu hype.

O filme tem duas horas e 28 minutos de duração que poderiam ser resumidos em 30 minutos, como bem destacou meu chefe, André Cananéa, em uma conversa que tivemos sobre. As primeiras horas do filme se concentram nas memórias do Neo e, consequentemente, vivemos um eterno flashback do enredo dos filmes anteriores: The Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Seriam dispensáveis, ao meu ver, mas volto a dizer que estava com todos os filmes recentes na cabeça então, talvez, assistindo esse tantos anos depois, a ideia das lembranças não seja tão banal assim.

São essas mesmas primeiras horas que também brincam com um artifício querido do cinema: a metalinguagem. Nesse contexto em que Neo (Reeves), ou melhor, Thomas Anderson é um desenvolvedor de games, o seu maior sucesso é a trilogia de jogo Matrix. Dado momento, a empresa Warner Bros quer uma continuação para a saga que para Anderson já estava encerrada. É partindo desse princípio do “se vire, queremos uma história” que o filme começa a se delinear e as memórias de Neo se tornam mais palpáveis.

Apesar do início cansativo, meio mais do mesmo, a reviravolta do enredo é interessante. Dar um novo gancho a uma história já conhecida, fazendo você percebê-la com um novo ângulo é ousado e, de certa forma, esperado, vindo da Lana Wachowski. Matrix é uma saga importante na carreira da diretora e também é um marco, diante de sua trajetória. Esse novo olhar sob a produção está diretamente alinhado às suas próprias percepções de vida.

No mais, Matrix ainda é Matrix. Com todos os seus grandes efeitos, grandes metáforas e diálogos sobre escolhas e livre-arbítrio. Parte do elenco original retorna e, além de Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss nos papéis principais, temos Jada Smith, como a Niobe, e Lambert Wilson revivendo Merv. Outros que chegam para somar à história são: Jonathan Groff, dando vida ao Agente Smith; Neil Patrick Harris como o Analista, Yahya Abdul-Mateen II como Morpheus, Jessica Henwick como Bugs e Priyanka Chopra como Sati. Além disso, outros nomes que trabalharam com as irmãs Wachowski em Sense8 retomam a parceria, como Erèndira Ibarra, Brian J Smith e Max Riemelt – Dani, Will e Wolfgang na série, respectivamente.

Apesar dos filmes anteriores se sustentarem na ideia messiânica de um salvador, é esse roteiro que traz mais forte o ideal de “super-heroísmo” de Matrix. Aqui não temos mais uma história cem por cento centrada no Neo, mas sim na relação dele com a Trinity e de tudo que ambos são capazes de fazer quando estão juntos. No final das contas, o filme fala mais sobre ela e toda a sua importância no desenrolar das coisas.

É um filme que pega – e peca – pela memória e nostalgia, mas não deixa de ter seu valor. Morno, não agrega em nada na história original, mas, ao menos, não estraga o que foi construído até aqui. Deu a Neo e Trinity uma nova chance e espero que encerremos por aqui, não há necessidade de um quinto filme. Ele conseguiu o seu maior feito: resgatou sua narrativa. E não precisa de mais nada. Está na hora de deixar a Matrix descansar em paz.

Nota: 7/10
Onde assistir? HBO Max
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

Para saber mais sobre o/a autor/a, acesse a aba "Quem Somos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilha sua opinião! ♥

Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.