RESENHA: King Richard: Criando Campeãs (2021)


(Imagem: Divulgação/Warner Bros.)

Nos últimos anos, ficamos cada vez mais acostumados com filmes contando histórias de origens de super-heróis. Só para citar um exemplo, tivemos o Batman Begins, de 2005, mostrando exatamente o início da carreira de vigilante do Bruce Wayne antes de se consolidar como o personagem que conhecemos nas sequências. Neste ano, teremos um novo filme do Batman, voltando mais uma vez ao início de tudo. Isso ocorre com quase todo herói dos quadrinhos introduzido nas telonas. Um motivo para que dê certo é porque gostamos. Mas, e se alguém tivesse a ideia de fazer um filme sobre a história de origem de super-humanas da vida real? Alguém teve, e como resultado, fomos agraciados com King Richard: Criando Campeãs.

E não estou exagerando quando me refiro às tenistas Venus e Serena Williams como super-humanas. Elas ganharam tudo que se poderia sonhar: ambas foram número um do mundo, conquistaram os quatro Grand Slams e medalhas de ouro nas Olimpíadas diversas vezes, tanto em duplas quanto no individual. Uma delas (e a outra não fica muito atrás) é a maior jogadora de tênis de todos os tempos e a que mais ganhou dinheiro em premiação. Estão marcadas na história e são exemplos para inúmeras tenistas ao redor do mundo. Porém, grande parte disso já é conhecido para quem é fã das irmãs ou do esporte. No longa, acompanhamos as duas, junto da família, enquanto ainda estão aprendendo e buscando espaço no circuito.

O título do filme carrega o nome do pai, Richard Williams (Will Smith), sendo parte da biografia dele. Entretanto, há uma romantização um pouco exagerada sobre ele e alguns fatos ocultados da vida real. Para o bom desenrolar do roteiro, funciona, apesar de ser necessário deixar isso registrado. Will Smith faz um trabalho espetacular, retratando como é difícil começar de baixo, principalmente em um esporte de rico e predominantemente de brancos, em que tudo é caro e aumenta ainda mais a distância entre quem tem ou não as condições e o suporte exigido. Obviamente, ele não teria nenhum sucesso sem o apoio da esposa, Oracene (Aunjanue Ellis), que também dá um show em tela.

Aliás, as atuações são o que há de melhor em King Richard. Destaque para as cenas em que as doses dramáticas aumentam e o Will Smith e a Aunjanue contracenam. Cheirinho de indicações ao Oscar. Além deles, boa parte do elenco de apoio também não decepciona. Jon Bernthal dá vida a um treinador meio estranho, mas apaixonado pelo que faz e as meninas que interpretam a Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) foram uma grata surpresa. Mesmo tão novas, elas conseguiram demonstrar a amizade genuína que as irmãs irradiam nas múltiplas vezes que elas estiveram juntas em quadras, com ambas se divertindo. O filme tem um foco maior no início da carreira da irmã mais velha, e a Saniyya com certeza estudou bastante a personagem, porque ela conseguiu reproduzir perfeitamente muitas das manias características da Venus vistas durante as partidas.

A direção é do Reinaldo Marcus Green, que faz um bom trabalho com o dinamismo. São quase 2h20m de duração, mas não sentimos esse tempo passar. Assim como no recente A Guerra dos Sexos (2017), as partidas de tênis são bem filmadas e fáceis de entender até mesmo para quem não conhece muito bem as regras. Quem conheceu as irmãs por causa do filme, aposto que ao menos ficou curioso. Elas são encantadoras, divertidas, e mal posso esperar para descobrir o que farão e conquistarão no restante das carreiras e nas decisões a seguir. Afinal, quem não gosta de acompanhar uma boa história de herói? Ou melhor, de duas super-heroínas.

Nota: 10/10

Onde assistir? HBO Max
Micael Menezes
Micael Menezes

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