RESENHA: Não Olhe para Cima


(Imagem: Divulgação/Netflix)

Um cometa, que está em rota de colisão com a Terra, é descoberto pela cientista Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence). Rapidamente, ela compartilha a façanha com os colegas e o professor Randall Mindy (Leonardo DiCaprio). Quando se dão conta da gravidade da situação, decidem informar ao governo, que reage com bastante ceticismo, dando início a uma luta contra o tempo para salvar a humanidade.

Muitas vezes já ouvimos a frase: “A vida imita a arte”. E vice-versa. Porém, quando a ficção se aproxima muito da nossa realidade, geralmente não é um bom sinal. Ainda mais quando é algo que envolve o destino de nossas vidas. Parece que o Adam McKay juntou vários comportamentos podres da nossa sociedade, condensou e colocou dentro do filme. Ele é feito para nos incomodarmos e refletirmos com o intuito de que, no final, possamos olhar no espelho e, quem sabe, tentarmos mudar isso. São acontecimentos tão surreais que não dá nem para acreditar, mas infelizmente acontece, e muito, no cotidiano.

Citando apenas um desses exemplos, o cometa recebe o nome da cientista que o descobriu primeiro, algo comum no mundo cientifico. Só que, por conta disso, a Kate começa a ser atacada, na mídia e nas redes sociais como se ela fosse a responsável por fazer o tal cometa aparecer e vir na direção do planeta. Não precisamos pensar muito para relacionarmos com algo que vivemos. E, isso não é algo particular do Brasil, ou dos EUA, país de origem do filme, já que basta acompanharmos os noticiários por algumas semanas para encontrarmos as similaridades por todo o globo. Crise política, indicações de juízes na Suprema Corte, teorias da conspiração, ridicularização e superexposição da mídia, etc. Temos tudo isso no longa, até mesmo o discurso bastante popular por aqui de que “querem colocar política em tudo”.

O filme é descarado e não tem medo nem vergonha de expor o que é visto em tela. O roteiro com diversas piadas e tom satírico, além da montagem buscando a fluidez nas cenas sem deixá-las enfadonhas, torna-o dinâmico. É bastante semelhante aos trabalhos anteriores do Adam McKay, A Grande Aposta (2015) e Vice (2018), até mesmo com a marca registrada do diretor de colocar textos em caixa alta no meio das cenas. Porém, o que primeiro chama a atenção é o incrível trabalho na escolha do elenco.

São atrizes e atores renomados, espalhados em diversos núcleos e com participações diluídos por todo o longa. Além da dupla de protagonistas citada anteriormente, temos o prazer de acompanhar a Meryl Streep, Cate Blanchett, Jonah Hill, Timothée Chalamet e as participações especiais do Chris Evans e da cantora Ariana Grande. E muitos outros. Não saímos decepcionados com a atuação de nenhum deles e muito provavelmente teremos algumas indicações na temporada de premiações que está por vir. Destaque para um monólogo poderoso do Leo DiCaprio, que tem cara daquela cena escolhida para apresentar no palco a candidatura ao Oscar.

Em resumo, é um filme necessário e que deve ser assistido pelo maior número de pessoas. Inclusive, isso deve ter sido um dos motivos para montar esse elenco estelar. Todo trabalho de divulgação da Netflix não será em vão. Mesmo que alguns não gostem, no mínimo, essa história os farão pensar, principalmente quando se derem conta de que não irão querer ter a pior liderança no pior momento possível.

Nota: 9/10

Onde assistir? Netflix
Micael Menezes
Micael Menezes

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