RESENHA: Spencer (2021)


(Foto: Divulgação/Neon)

Um dos filmes mais esperados por mim ultimamente, com toda certeza, foi Spencer, filme dirigido pelo Pablo Larraín, que esteve por trás das câmeras de Jackie, obra que trazia um novo ponto de vista na história de outra figura icônica mundial, Jackie Kennedy.

Protagonizado pela estrela Kristen Stewart, Spencer traz a atriz como a Princesa Diana em meio às turbulências que antecederam o seu divórcio com o Príncipe Charles (Jack Farthing) e sua saída da realeza britânica. O filme é um what if... do que teria sido o último natal em família, com os boatos rolando a solta nos tabloides sobre a separação e rumores de traições.

O Natal em Sandringham Estate é tradição que vem de anos, Diana já conhece toda a burocracia em torno disso tudo, mas dessa vez o limite está chegando o fim. Aos poucos, somos apresentados a uma personagem extremamente melancólica, se perguntando seu espaço naquele lugar, naquele mundo, diante de tudo o que está ocorrendo. Infeliz no casamento, ela deve a si mesmo uma felicidade que não vai encontrar enclausurada naquela zona especifica.

Em meio a tudo, Diana é vista de longe por todos na casa, sendo vigiada de perto pelo Major Alistair Gregory (Timothy Spall, o Rabicho de Harry Potter), que seguindo ordens da Rainha Elizabeth II (Stella Gonet), tenta controlar a princesa. Controle este que é colocado sempre a mostra por todos, que buscam a todo o tempo manter a personalidade viva dela, enclausurada dentro de uma jaula. Tendo como sua principal aliada e confidente na casa, a Costureira Real Maggie (Sally Hawkins), que tenta dar forças e fazer a Diana seguir as regras para não ter represálias no futuro.


(Imagem: Divulgação/Neon)

O filme adentra de modo sufocante em assuntos considerados tabus da realeza, quando se trata da personagem Diana. Sua bulimia, seu autoflagelo, a sua depressão eminente, é tudo tratado de uma maneira que, em certos momentos, esse drama biográfico se assemelha a um terror psicológico. Kristen Stewart tem uma entrega única em suas cenas e vê-la, ali, interpretando uma mãe, uma das maiores figuras do século XXI e da história mundial, mostra seu crescimento como atriz, que em seus 12 anos chamou a atenção no filme O Quarto do Pânico.

Não espere uma The Crown em forma de filme ao ir assistir Spencer. As polêmicas centradas no relacionamento Charles e ela não são a pauta desse roteiro, muito longe disso. O filme é encaminhado para estudar e tentar desvendar, de forma conceptiva e imaginativa, onde estava a mente da Lady Di em todo aquele processo que sua vida levava, tendo como ponte sua aprisionada existência naquela realeza em prontidão de ser uma mulher livre.

Certos acontecimentos eram impossíveis de terem sua exclusão da narrativa, e esse é o caso de Camila Parker Bowles (Emma Darwall-Smith), amante oficial de longa data, e atual esposa do Príncipe Charles. Mesmo não tendo sua persona em forma visível o filme todo, apenas tendo poucos relances em forma de vídeo, sua presença é sentida de forma brutal, e como ela afeta a Princesa de Gales. Inclusive, a cena do jantar, em que é tratado sobre as pérolas que o dito cujo deu para ambas, é uma das cenas mais angustiantes do cinema.


(Imagem: Divulgação/Neon)

Outra personagem que tem um grande valor na obra e importância na história britânica é a Ana Bolena (Amy Manson). Vista e revista em várias obras, Ana Bolena é uma figura simbólica, onde ao achar um livro biográfico sobre a segunda esposa do Rei Henrique VIII, Diana começa a fazer um paralelo sobre ambas as vidas. Todo esse turbilhão culmina na antiga casa de férias dela, quando ela ainda era Spencer, e lá é mostrado uma casa em ruínas, esquecida, deixada ao mofo – e é assim que ela se sente durante todo o processo de execução do filme: um personagem caindo em desgraça, vendo tudo desabando.

O laço inquebrável dela e dos dois filhos é o ponto onde vemos a força dela surgir e onde podemos acompanhar um processo de luta para não se afogar. Ao final, vemos que é onde tudo o que ela tem está. Após ser vestida de várias roupas de luxos (inclusive, outro personagem do filme), ela finaliza com um jeans levando seus filhos para comer fast food. Agora, sem carregar o peso da realeza, e trazendo seu modo de criação àquelas crianças que tanto lhe fortificam a alma.

Spencer é um novo divisor de águas para a estrela que é Stewart. Ela, que vem galgando pequenos grandes personagens desde da finalização da saga Crepúsculo, encontra aqui uma nova montanha a ser escalada e a faz com maestria. Não é de se estranhar o grande reconhecimento que a atriz vem tendo nos últimos anos pela crítica e esse filme a elevou a um novo patamar. Tendo chances de receber sua primeira indicação ao grande prêmio do cinema, o Oscar, Spencer já entra na leva de filmes biográficos que trazem uma novidade em sua forma de execução.

Com lançamento previsto para os cinemas brasileiros em 27 de janeiro de 2022, Spencer é uma das grandes apostas desse período de premiação e já arrematou vários para Kristen. Veremos o que o futuro reserva.

Nota: 9/10

Confira abaixo o trailer:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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