Aterrorizadan: Final Girls e o cinema de terror



(Foto: Clube do Café da Manhã)

De Sally Hardesty a Laurie Strode, passando por Nancy Thompson e Sidney Prescott, chegando a Sam e Tara, sem elas o cinema slasher não seria a mesma coisa. Mas quem são essas personagens que mereceram essa introdução? Elas são as final girls dos maiores filmes slashers dos últimos quase cinquenta anos. De Leatherface a Michael Myers, o Ghostface e o Freddy Krueger, esses monstros marcantes não seriam os mesmos sem as musas que eles caçam como presas.

O cinema sempre precisou da mocinha que precisava ser salva no final. Tá no manual do cinema que a mocinha precisa sofrer o pão que o diabo amassou para no final aparecer o príncipe encantado que, com sua força, destruiria o mal e sairia com ela nos braços e dariam o beijo final, selando todo o felizes para sempre. Crescemos com os contos dos irmãos Grimm perpetuados nos cinemas pelos filmes de Walt Disney, ganharam força com o cinema de ação e os romances mamão com açúcar.

Mas o que difere o slasher de tantos os outros modelos cinematográficos? Aqui somos apresentados a mulheres que, em sua maioria, são donas de suas próprias histórias. Que por mais que seja inegável o machismo existente na sétima arte, e em como o sexismo e a venda do corpo feminino sempre é mais alto, aqui é ela quem vence o monstro. No final, o vilão tem seu final pelas mãos daquela que ele julgava ser a mais fraca.

Não é de hoje que a discussão que os filmes de terror, principalmente do subgênero slasher, são os que mais causam danos a imagem feminina dentro do cinema no geral. Suas mortes são sempre tachadas pela nudez e como punição por elas serem livres e não seguirem as regras sociais. Pegando caminho dentro de diretrizes cristãs, os monstros do cinema são como os algozes desses personagens onde qualquer curva desse caminho, é levada como punição a morte. Não fumar, não beber, não transar. Os alvos? Sempre adolescentes na flor da idade, com os hormônios à flor da pele. Então fica meio complicado resistir as tentações em uma noite de Halloween, em um acampamento ou simplesmente, com seu grupo de amigos na cidade em que você cresceu.

Essas garotas são como qualquer outra, nada fora do comum, vivendo suas vidas, mas em sua maioria são personagens puros ou eram até a regra começar a se quebrar na década de noventa, e o fator "clean teen" não seguiu muito a frente. O tempo passa e as regras mudam, mas a figura da final girl é as vezes mais lembrada e enaltecida quanto a do seu maior inimigo.

Tão qual o Michael Myers, a Laurie Strode também pode ser considerada uma personagem imortal. Assim como o Ghostface e a Sidney Prescott. São personagens que se completam, que se firmam no imaginário popular sempre na busca de que um finalize o outro, mas que se torna impossível, pois a existência vital do outro é interligada com os batimentos cardíacos que os fazem se mover. Um jogo meio Coringa e Batman, vitais em suas proporções.

O cinema slasher ainda peca em sua diversidade racial dentro do gênero. Não é de hoje que essa discussão permeia o meio. Não é estranho notar que negros sempre são os primeiros a serem assassinados, ou quando se tem destaque e chega ao final, é um alivio cômico, amigo ou amiga da protagonista. Claro, existem exceções, mas essa é uma discussão que pode ser trabalhada melhor em uma outra postagem...



Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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