Desculpe o transtorno, mas quando eu crescer quero ser igual a Anitta



Muito se fala sobre apreciar o caminho, a jornada, que a trajetória é quem nos forma e tudo mais. Eu acredito nisso, com toda certeza, mas também é essencial saber qual é o destino onde se quer chegar. Quando a gente sabe o destino, é fácil recalcular a rota, mudar o percurso, fazer pausas, andar para trás e até mesmo fazer retornos. Não precisa nem ser um lugar concreto, só uma ideia, um vislumbre de futuro já é suficiente para dar norte às perspectivas. Por isso que planos são tão importantes, pois aliados à organização e consistência podem render os frutos que a gente tanto deseja – quando se tem oportunidades, é claro. Sem meritocracia por aqui.

Enfim, todo esse papo meio coach é porque eu tava assistindo pela milésima vez ontem Avengers Endgame e é inevitável não pensar em cada pecinha sendo cuidadosamente escolhida e colocada nas coisas ao longo de dez anos para culminar naquele filme – que parecia o fim, mas já tinha uma infinidade de pecinhas novamente sendo encaixadas para as próximas fases, e assim por diante. Toda vez que eu assisto Endgame é assim. Sempre que eu penso nas produções da Marvel e no MCU eu ainda me choco com a sagacidade e perspicácia dessa construção.

Só que ainda não é sobre isso que eu quero falar. Na verdade, a grande protagonista dessa coluna de hoje é a Anitta. Ontem ela esteve no programa do Jimmy Fallon, o The Tonight Show, e foi uma participação incrível. Bem humorada, desenvolta e inteligente como sempre. Anitta cantou, falou sobre o Brasil, sobre affairs e sobre o funk. Para alguns, a entrevista foi superficial, para outras impecável. Para ela, as duas coisas e uma bela de uma estratégia de marketing.

Anitta se pronunciou nos stories do Instagram antes da entrevista ir ao ar e explicou que muitas pessoas podiam questionar a participação, porquê ela não fez isso ou deixou de fazer aquilo, e a cantora explicou que é tudo uma questão de marketing. Se aqui ela já é uma estrela consagrada, lá ela é uma artista em ascensão e precisa começar de baixo, do básico. Atrair engajamento, se fazer notada, e notável, e aos poucos ir mostrando outras camadas.

Ela não faz nada sem pensar nos impactos da coisa – seja antes ou depois de já feita. Não é à toa que ela é um dos principais cases de sucesso do Brasil, que se tornou a primeira cantora brasileira a marcar presença no MET Gala e a se apresentar no MTV Video Music Awards, que vai ser atração do Coachella em abril, que alcança um recorde musical atrás do outro.

Você pode ter seus motivos para não gostar da Anitta, mas há coisas que são inquestionáveis e o talento dela é uma dessas coisas. E tudo que ela tá conquistando, todos os passos que está dando, sejam os milimetricamente calculados ou os que são frutos de brechas e oportunidades, todos eles foram sonhados e planejados em algum momento – mesmo quando não havia perspectiva. A gata tem uns 12 anos de carreira, pelo menos.

É por isso que, como já é piada interna entre minhas amigas e eu, a gente faz planos mesmo sem ter um real no bolso. Sonhar e planejar ainda é de graça e, enquanto for, a gente segue gastando. E à medida que a gente sonha grande, a gente separa isso em pequenos sonhos e quando vê, vira uma possibilidade, pode não ser para hoje e nem amanhã, mas uma possibilidade.

O mal do ansioso é o imediatismo, eu sei disso melhor do que ninguém. Já consciente de que é tudo sobre colher o que se planta – e que colheitas demandam tempo –, mais do que ansiosa, sou otimista. Vamos de plantio.

E você, o que quer colher daqui a 1, 5 ou 10 anos?

Ps: eu não acredito em acasos e também acho que o destino final pode e deve ser mutável, ele muda com a gente. Também não acho que ele precisa estar alinhado a qualquer tipo de "propósito" maior de vida, pode simplesmente ser um "quero ter um emprego", "quero viajar para tal lugar", "quero comprar uma televisão" ou até mesmo "quero tentar sair da cama hoje". E alcançá-lo ou não também não é a grande questão aqui, mas sim se dar ao luxo de sonhar e, se tiver como, dar pequenos passos em direção a isso – daí sim a jornada que te forma. Se chegar lá ou em outro lugar, até melhor, deu tudo certo. Se não chegar em lugar nenhum, amanhã é outro dia e "tá tudo bem também".
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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