RESENHA: Bar Doce Lar


(Imagem: Divulgação/Prime Video)

As pessoas que são mais chegadas nas animações japonesas conhecem um gênero chamado de “slice of life”. Nele, a principal característica é a de acompanhar o cotidiano daqueles personagens, vindo de um ponto de partida e indo até uma conquista de algo pessoal. Nesse sentido, o Bar Doce Lar se assemelha em alguns aspectos com esse tipo de classificação. É um filme biográfico e, por conta disso, vivemos as experiências junto com o protagonista.

A história se passa entre as décadas dos anos 60 e 80, protagonizada pelo JR (Daniel Ranieri), um garoto inteligente, mas com uma infância conturbada. Ele tem um pai ausente que não se preocupa nem em pagar a pensão e, por consequência, a mãe, Dorothy (Lily Rabe), fica sobrecarregada e tem que buscar ajuda junto aos familiares. Temos então um drama familiar centrado no crescimento do JR e nas decisões que ele tomará quando começar a vida adulta.

Ele e a mãe são pessoas que teriam a vida muito facilitada com o auxilio de uma terapia. Mas, naquela época e com a realidade pobre em que viviam, essa ajuda não era tão fácil de conseguir. Sendo assim, o JR foi crescendo com a responsabilidade de não ser igual ao pai, de ajudar a família com quem dividia a moradia e compartilhava as boas memórias e, principalmente, a de não decepcionar a mãe. Foi o tio, Charlie (Ben Affleck), um dos que mais ajudou a criança. Ele assume o papel paternal, passando ensinamentos e garantindo uma companhia saudável e importante, tudo isso potencializado pela ótima atuação do Ben Affleck, que é claramente o destaque nesse quesito.

George Clooney é o responsável pela direção. Ele parece cada vez mais à vontade do outro lado das câmeras. É um trabalho seguro, apesar de alguns estranhamentos na montagem, principalmente no meio do filme, mas que não compromete o todo. O agora cada vez mais diretor está propenso a brincar com a câmera e experimentar no que pode. Por algumas vezes ele utiliza o zoom aleatório nos personagens para evidenciar uma cena de tensão, como é característico na série The Office, mas aqui não tão puxada para a comédia. Isso é algo que não me recordo de acontecer nenhuma vez no trabalho anterior dele, O Céu da Meia-Noite, de 2020.

O longa se divide em duas épocas, mostrando o JR criança e também a versão adulta, interpretado pelo Tye Sheridan. Embora em idades distintas, ainda são a mesma pessoa, já que a insegurança de um é fruto das experiências do outro. Ele entra em uma universidade famosa, mas na realidade não sabe o que fazer a partir dali. Apesar de tudo parecer contrário, ele não desiste do amor. Ele é teimoso, mas também obstinado, pois foi por isso que ele passou enquanto amadurecia. Não deixa de ser uma história interessante de se acompanhar. É um retrato da vida do JR Moehringer, que mesmo incompleto, não a desqualifica. Afinal, como é repetido várias vezes no decorrer do filme, as biografias parecem ser uma tendência.

Nota: 8/10

Onde assistir? Amazon Prime Video
Micael Menezes
Micael Menezes

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