Resenha literária: O Duque e Eu (série Os Bridgertons – livro 1)


(Foto: Divulgação/Netflix)

Imagine o cenário de uma Londres em meados de 1800, onde a cultura local ainda esperava que as jovens, a partir dos seus 16 anos, debutassem na alta sociedade em busca de um bom casamento que, se não lhe rendesse títulos, ao menos lhe desse uma vida confortável dentro da realidade britânica da época.

Nesse mesmo ambiente, vislumbre uma família composta por uma matriarca e seus oito filhos, sendo quatro deles homens e quatro mulheres, todos com os nomes encabeçados pelas letras em ordem alfabética a partir de seus nascimentos, então temos o primogênito Anthony, seguido de Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth. Todos filhos de Violet e Edmund Bridgerton.

A família Bridgerton cresceu em um lar amoroso e por isso o casamento, para eles, tem mais do que a necessidade de títulos e boas alianças. Daphne Bridgerton, a primeira dos irmãos a ser apresentada em busca de um marido, é a protagonista da história do livro 1 da série dos Bridgertons, intitulado de O Duque e Eu.

Como a sociedade exige bem menos dos homens do que das mulheres, apesar de ser a quarta filha, ela é a primeira a ser cobrada pelo casamento. Em sua temporada, Daphne fica conhecida por ser um verdadeiro diamante, vinda de uma boa família que possui um título de visconde. Apesar de poder escolher qualquer um dos interessados, a jovem deseja se apaixonar e casar por amor, assim como seus pais, constituindo uma família tão grande e carinhosa quanto a sua. É por isso que a escolha se torna um tanto…difícil.

Do outro lado da história, Simon Basset, o Duque de Hastings, não tem pretensão nenhuma de se casar e muito menos de ter herdeiros. A relação com o pai nunca foi das melhores, pelo contrário, na infância o pequeno Simon teve problemas de fala e desenvolveu uma gagueira que o tornou uma vergonha aos olhos de seu pai, sendo renegado por muitos anos. Na ausência de outro filho, o Duque precisou garantir à Simon boa educação e condições de assumir o ducado com responsabilidade, mas isso sempre passou muito longe de afeto e cuidado.

De volta a Londres, Simon participa das festividades sociais da temporada, mas não está à procura de uma esposa. Apesar disso, conhece Daphne, irmã de seu amigo Anthony, e passa a compartilhar uma boa amizade com a jovem. Para garantir que ela faça um bom casamento, ele se oferece à cortejá-la a fim de que, a partir disso, os outros pretendentes possam reparar nela e demonstrarem interesse.

O livro, escrito por Julia Quinn, consegue nos envolver e ambientar. A descrição de cenários, pessoas e até mesmo emoções – e toques – nos leva ao momento, aos pensamentos dos personagens e deixa a história muito mais interessante. É por isso que, mesmo reconhecendo o clichê e imaginando os caminhos que a história vai tomar, eu me peguei apreensiva e ansiosa por encontros e conversas dos protagonistas.

Enquanto nós, leitores, sabemos dos motivos que o Simon tem para não querer casar e ter filhos, a Daphne desconhece isso. Logo, à medida que eles vão se envolvendo emocionalmente, vai ficando uma tensão insuportável do “nosso” lado da história, ansiando pelo momento em que ele vai contar a ela ou, pior, ela vai descobrir sozinha.

Assim como o mostrado na série Bridgerton, produzida pela Netflix, que estreou no final de 2020, assinada por ninguém menos que Shonda Rhimes, depois de um encontro que compromete a honra de Daphne, Simon se propõe a casar com ela, mas afirma não poder ter filhos. Abrindo mão do seu sonho de casa cheia, a jovem aceita o casamento – até porque, nesse momento da história, ambos já são apaixonados um pelo outro.

Por outro lado, a paixão e o amor que cresce entre eles faz com que a decepção ao descobrir a verdade, no caso de Daphne, seja ainda maior. Ela descobre que o duque não quer ter filhos quando junta as peças do quebra-cabeça de sua vida matrimonial. Depois de muitas lágrimas, discussões e quebras ousadas de confiança, Daphne engravida à contragosto do duque e o filho muda as percepções que ele tinha sobre a paternidade.

Essa questão, principalmente, é um dos meus maiores incômodos com a história. A falta de diálogo entre os dois sobre os reais motivos acontecem no livro, com menos profundidade do que deveriam, mas não são transpassados para a tela, no caso da série. Além disso, o enredo faz parecer que um filho resolveu todos os problemas entre o casal, desconsiderando os meios que levaram Daphne a engravidar.

Apesar das problemáticas, acredito que justamente por ser um reflexo muito bom da época em que se ambienta, O Duque e Eu é um bom livro, é uma boa história. Contudo, dos nove livros que compõem a saga da família Bridgertons, esse é, de longe, o mais fraquinho.

Além do romance, uma característica marcante dos livros dos Bridgertons é a presença da Lady Whistledown. É um folhetim que roda diariamente com fofocas sobre aquela sociedade, sem que ninguém saiba de quem é a autoria. Ao longo dos livros todos se tornam suspeitos, incluindo integrantes da família Bridgerton. Ao contrário das demais fofocas da época, o jornal sempre inclui nomes e detalhes que somente quem está presente em todos os eventos e prestando muita atenção pode reparar, mas, apesar disso, não chame muita atenção para si mesmo, conseguindo circular sem suspeitas.

Dos pontos positivos da adaptação: temos integrantes negros na realeza, tanto Simon, quanto a rainha e a Lady Danburry! Temos diversidade de corpos, como o caso da Penélope, e temos boas atuações dando vida à personalidade dos personagens já conhecidos da literatura.

Dos pontos negativos: tem uma mudança sutil que, apesar de justificável, pra mim é muito significativa, que é o fato de que na série o primeiro filho de Daphne e Simon é um menino, quando no livro é uma menina. Em uma sociedade como àquela, o primogênito ser um homem era um símbolo de poder, de força, mas no livro o fato da Amélia nascer primeiro amolece muitas coisas na vida do casal, nas concepções deles e tudo mais. Incluindo esse “bater de frente” de Simon com o seu pai.

Outra coisa que não gosto da adaptação da série é que relevam no final da temporada quem é a Lady Whistledown, coisa que nos livros só acontece na quarta história.

Também tenho uma sutil reclamação à personalidade do Anthony da série, porque nos livros ele tem umas características bem marcantes que foram mudadas na produção da Netflix. Porém, esse comentário fica para a resenha da próxima semana, que envolve o livro dele – ponto central da segunda temporada da série, que estreia no dia 25 de março: O Visconde que Me Amava.

Ps: até a estreia da segunda temporada, teremos resenhas semanais dos livros da série dos Bridgertons. Vamos conhecer todos os oito irmãos e seus agregados.

Nota: 8/10
Onde comprar? O Duque e Eu aqui
Editora: Arqueiro 
Páginas: 288
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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