RESENHA LITERÁRIA: Ouro



(Foto: Adan Cavalcante)

Fevereiro começando e com ele a volta da resenha literária, e nada mais justo do que retornar com um livro muito especial intitulado Ouro. Escrito pelo autor Chris Cleave, é o terceiro livro dele e o segundo lançado em solo brasileiro. De origem britânica, o escritor teve seu debut em 2006 no livro Incendiário, que ganhou uma versão cinematográfica estrelado pelos atores Ewan McGregor e Michelle Williams em 2008.

Lançado em 2012, Ouro procede o sucesso que foi Pequena Abelha e traz uma proposta dentro do universo ciclismo, levando os sentimentos dentro e fora da competição ao limite. O livro é narrado em terceira pessoa, onde cinco vidas são afetadas dentro desse cosmo particular.

Confesso que ao início da leitura, demorei a engatar o que foi perpetuado durantes as primeiras páginas, mas quando engatei foi de um sentimento único. Toda a construção é levada ao brilhantismo, fazendo você se sentir dentro daquelas corridas e torcendo por cada um deles.

A história conta a história de duas amigas, Zoe e Kate que se conheceram aos 19 anos, de Jack, do Tom e da pequena Sophie. Cada um tem seu tempo de livro, o que faz você enxergar as várias nuances dos personagens. Zoe é extremante competitiva e vive apenas para o esporte, mas no fundo é extremante solitária e se sente quebrada. Kate é uma jovem talentosa, que largou o ciclismo por um tempo, para se dedicar a filha, a pequena Sophie. Sophie é uma garota esperta e apaixonada por Star Wars, tendo esse mundo como fosse seu escape e a forma de lidar com vida, já que foi diagnosticada com leucemia e luta para não preocupar seus pais. Kate é casada com Jack, um rapaz lindo e que como Zoe, é extremamente competitivo, e demora a crescer. Unindo todos eles, temos o Tom, treinador e ranzinza, mas com um coração extremamente enorme que tem as garotas como filhas.

Ao longo do livro somos apresentados aos poucos ao passado de cada um dos personagens. Todos os dramas e o que os tornaram assim. A Zoe é um personagem extremamente complexa, que faz de tudo pra vencer, não importa quem ela tenha que atropelar no percurso. Calculista, ela não sabe muito bem o que é o amor, ou o que é se importar com alguém. Tendo apenas o ciclismo e ser a numero um no que ela se propõe, ela vive colocando a amizade dela com a Kate em risco, pois coloca todos como competição.

Kate é o oposto da Zoe, sendo uma garota amável e feliz, o que faz a gente pensar "mulher, bota um cropped e reage", tem na família que construiu com Jack, sua fortaleza. O amor incondicional que ela tem na filha, é o que a faz seguir em frente muitas vezes. Talentosa, ela acaba ficando em segundo lugar devido as opções que ela faz da vida seguindo seu coração. Sua relação com Jack é tempestuosa quando se trata de sua parceria com a Zoe, já que no passado ambos tiveram um affair.

Jack é aquele pai brincalhão e um corredor nato, igual a Zoe. A relação dele com as garotas sempre foi recheada de altos e baixos, tendo Zoe como um catalizador primário de vários problemas. Sempre tendo se colocado em alta, é considerado um dos ciclistas mais rápido. Um ótimo pai e sempre presente na vida de Sophie, o mesmo não se pode dizer de sua parceria com Kate. Sua lealdade a ela nem sempre é admirável, tendo vários momentos onde sua indecisão da vida o coloca em maus bocados.

Tom carrega o peso de ser o treinador das duas garotas e uma figura paterna para elas. Não tendo uma relação boa com seu filho, Tom coloca sua energia e sua atenção nas suas protegidas, principalmente em Zoe, em quem ele mais se enxerga e teme que termine como ele. Em muitos momentos, ele é um rabugento de primeira, que nos proporciona momentos até engraçados. Ele sempre se coloca no papel de guia, falando, mesmo que doa, o que elas precisam ouvir.

A grande estrela do livro é a pequena Sophie, que mesmo sofrendo de leucemia, enfrenta tudo sendo a pessoa mais forte daqui. Uma jedi de primeira, Sophie tenta ao máximo aproveitar sua vida, sem pensar na iminente morte que a cerca. Vivendo com a saúde debilitada, ela ama seus pais e busca não preocupá-los, mesmo quando é necessário. Madura pra idade, ela é a força que move a vida dessas figuras em grandes aspectos do livro.

O livro nos proporciona vários momentos marcantes e com um plot twist que me deixou de boca aberta, digno da saga Star Wars. A capa do livro é algo que eu gostaria de comentar, pois por mais simples que seja, tem uma beleza única, formando a palavra titulo acima de desenhada que remete a uma taça olímpica. O maior premio é a medalha de ouro, na natureza o ouro é produzido a partir da colisão de duas grandes estrelas de nêutrons, maleável pode ser duro ou mole. O ouro é utilizado como o símbolo do sol e apenas existe um sol e em torno do número 1, da medalha de ouro e em torno da pequena Sophie, o livro tem suas passagens recheadas de emoção.

Tendo personagens muito bem construídos, você pode até odiar algumas atitudes apresentadas aqui, mas você entende como e o porque desse ser humano ser assim. Você vê o crescimento e a queda, a luta e a desistência. Ouro é um livro sobre a vida, sobre amor e sobre ser amado. Em suas 334 páginas, Cleave presenteia seus leitores com uma precisão escrita e até nos momentos mais monótonos, que lhe garanto, ao final do livro você não vai nem se lembrar que achou algo negativo nesse livro.


Nota: 9/10

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Editora: Intrínseca
Edição: 1ª, em Junho de 2013
Páginas: 336
Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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