Resenha literária: Um Perfeito Cavalheiro (série Os Bridgertons – livro 3)


(Foto: Beatriz de Alcântara)

Quando eu me encantei por Benedict Bridgerton, eu só tinha assistido à série da Netflix sobre essa família. Aos poucos fui lendo os livros, conhecendo mais sobre ele e conhecendo outros personagens e ele, por muito tempo, foi meu irmão Bridgerton favorito – dos homens, continua sendo. Seu romance épico é contado no terceiro livro da saga, intitulado de “Um Perfeito Cavalheiro”, mas na tradução literal de seu título seria algo como “A Oferta de Um Cavalheiro”, também da Julia Quinn. Na série, ele é interpretado por Luke Thompson.

A história do terceiro livro é uma das favoritas do público cativo dos Bridgertons, mas, apesar de ser basicamente o meu personagem preferido, o clichê aqui me soa incômodo, mais do mesmo. Calma, que depois eu explico, seguimos.

Em “Um Perfeito Cavalheiro”, a premissa do romance se inicia como uma releitura da Cinderela, com nossa protagonista Sophie Beckett, a filha bastarda de um conde. Apesar de nunca ter lhe faltado nada financeiramente e ter sido criada com certa proteção, ela jamais foi assumida e viveu às sombras das mentiras da família. Assim como no conto de fadas no qual se inspira, Sophie aqui tem uma madrasta com duas filhas – uma cruel e outra que é tão vítima de sua mãe e irmã quanto a nossa mocinha.

Quando o pai de Sophie morre, sua madrasta a transforma em uma serviçal da casa, que se submete a uma série de humilhações para continuar tendo onde morar e como se alimentar. Certa noite, haverá um baile de máscaras à fantasia na casa do Duque e da Duquesa de Hastings, a Daphne Bridgerton, e toda a nata da sociedade foi convidada, incluindo Sophie, que é impedida de ir pela sua madrasta.

E, se Sophie é nossa Cinderela, caberá ao Benedict ser nosso príncipe. Benedict Bridgerton é o melhor partido da temporada, depois que o primogênito Anthony se casou, sendo o segundo filho de uma família conceituada como a sua. Apesar de todas as mães casamenteiras, incluindo a sua, desejarem juntar ele com alguma das moças de Londres, Benedict quer, assim como seus irmãos, se casar por amor – e amor verdadeiro.

Sophie e Benedict se conhecem sem se conhecerem, de fato. Apesar do drama da mocinha, ela consegue ir até o baile e lá eles se encontram.

“– Venha – disse ele. – Dance comigo.

Ela deu um passo para a frente e ele soube que sua vida havia sido mudada para sempre.”


Os dois têm um encontro delicado, sensível e cheio de romance, permeado pelo ar de mistério da máscara de Sophie. O clima entre eles é leve e agradável, e o leitor se envolve nessa atmosfera.

Bem do jeitinho Cinderela, Sophie só tem aquela noite de princesa para curtir tudo que o baile e a companhia de Benedict podem lhe proporcionar. Contrariando as regras da sociedade na época, os dois se beijam e dançam sozinhos, no terraço privativo da casa Hastings, sem medo dos julgamentos.

“– Então teremos que fazer uma vida inteira caber nessa noite.”

À meia-noite, Sophie sai às pressas e deixa para trás uma de suas luvas, com as siglas SLG, e é a única pista que Benedict tem da moça – além de saber de seus cabelos no tom loiro escuro e seus olhos azuis.

O destino demora para dar ao casal a chance de se reencontrar. A vida de Sophie vira uma bagunça e ela é expulsa de casa nesse meio-tempo, indo para o interior da Inglaterra. Trabalhando na casa de campo de uma grande família londrina, a nossa Cinderela não imagina que ali, em um terreno que vai se mostrar tão hostil, ela iria reencontrar seu príncipe. Benedict ajuda Sophie, agora sem máscara, a se livrar de um patrão abusador e oferece emprego para ela em sua própria casa, ainda no interior. Entretanto, a jovem parece promissora demais para continuar ali e ele oferece então a vaga de tutora de suas irmãs mais novas, Eloise e Hyacinth, na casa de Londres.

A relação dos dois se desenvolve com muita amizade e, nesse meio tempo, muitos beijos e envolvimento. No fim das contas, ao mesmo tempo que o desenvolvimento deles é muito natural, também é extremamente incômodo que seja tudo escondido, pelo fato de Sophie ser uma “criada” e ele ser Benedict Bridgerton. Inclusive, em dado momento da história, ele faz uma proposta para Sophie ser sua amante, tem noção?! São costumes da época, tenho consciência, mas é muito asqueroso ler esse tipo de coisa. E, felizmente, Julia dá a redenção ao mocinho com um leve sermão de sua mãe – e seu irmão, Colin Bridgerton.

Benedict se apaixona por Sophie duas vezes. No baile de máscaras, enquanto ela era a mulher misteriosa do vestido prateado, e depois pela Sophie Beckett que ele conhece e convive. Todos ao redor deles parece perceber a paixão entre eles e somente o status se mostra como um empecilho, até ele receber a bênção de sua mãe, Violet Bridgerton, que reitera que jamais viraria as costas para um filho, muito menos porque ele se apaixonou por uma mulher pobre, basicamente.

O plot twist da história é a revelação de que Sophie, na verdade, é filha bastarda do conde Penwood e que ela tem suas posses, apesar de ser considerada uma vergonha na sociedade, pela posição de “bastarda”. Essa última questão se torna segredo, para os demais, visto que os Bridgertons tratam de segurar a língua da viúva Penwood. Mas, em contrapartida, Benedict e Sophie se casam e decidem viver na casa do jovem no interior, para evitar escândalos e demais fofocas em relação à paternidade de Beckett.

O Colin, assim como no livro 2, aqui se torna “essencial” para que o mocinho vá atrás da mocinha para se entenderem. O terceiro irmão Bridgerton tem um dom de jogar a verdade na cara dos outros e abrir os olhos deles – enquanto isso, o dele mesmo tá mais vedado que sei lá o quê, como veremos na próxima resenha.

Em relação à história ser uma releitura de Cinderela, me incomoda porque é o único livro que se apresenta como uma releitura e fica algo desconexo das demais histórias. Sei que cada uma tem seu próprio clichê, começando pelo “fingir que estamos apaixonados”, passando pelo “enemies to lovers” e chegamos ao “Cinderela”, mas podiam ter explorado outra coisa, de outra forma.

Apesar disso, o enredo me envolveu muito. Devorei o livro em 24 horas e não me arrependo, acredito que fez jus ao personagem e estou ansiosa demais para ver a adaptação dessa história nas telinhas. Inclusive, por conta do lance da Cinderela, boa parte dos fãs visualizam a Sophie Beckett como a Lily James – que deu vida à Cinderella no live-action da Disney.

Minhas expectativas são as maiores, já que é o romance do meu fav. A série já tem a terceira e quarta temporada confirmada, só nos resta aguardar.

“– Você não é exatamente o homem que mostra ser para o mundo. Gostaria de ser visto como atraente, irônico e bem-humorado, e de fato é todas essas coisas, mas, no fundo, é muito mais que isso. Você se importa. Se importa com a família, e se importa até mesmo comigo, embora Deus saiba que nem sempre eu o mereça.

(...)

– Muito do que você é vem da sua família. Não se pode crescer em meio a tanto amor e lealdade e não se tornar uma boa pessoa. Mas, no fundo, no seu coração, na sua alma, está o homem que você nasceu para ser. Você, não o filho de alguém, não o irmão de alguém. Apenas você.

(...)

– No fundo, você tem a alma de um artista.

(...)

Nesse momento, ele sentiu o coração dar um pulo, porque de repente tudo parecia certo. Ele a amava. Não sabia como acontecera, só que era verdade.”

Essa cena é, pra mim, a melhor do livro. A que melhor define a essência do Benedict que a gente encontra na série, a energia que o Luke Thompson passa para o personagem e que eu torço para qe seja mantina na segunda e nas próximas temporadas. E a Sophie falando tudo isso para ele, af. 

Lindos, né? Ai, ai! Até semana que vem!

Nota: 8.8/10
Ano: 2014 (1ªed)
Editora: Arqueiro
Páginas: 304

Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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