RESENHA: No Ritmo do Coração

(Imagem: Divulgação/Apple TV+)

Apaixonado por Glee, passei minha adolescência para a vida adulta acompanhando a jornada daqueles participantes do Glee Club de forma religiosa em todas as suas seis temporadas. No Ritmo do Coração não é um filme musical, mas ele tem música em seu tema, o que por si só traz uma característica interessante de se acompanhar por mim, que sou apaixonado por música no geral.

No Ritmo do Coração à primeira vista não traz nada de novo em seu enredo, nada que transmita um ponto inovador no cenário cinematográfico em forma de roteiro, mas é isso o que atrai, como a história é contada aqui e pelos personagens que o compõe. Ao contar a história de uma adolescente ouvinte numa família de deficientes auditivos, CODA (nome original do filme, que significa Children Of Deaf Adults ou traduzindo, filhos de adultos surdos) transmite sensibilidade e verdade de forma única.

A história de Ruby Rossi (Emilia Jones), uma adolescente de 17 anos e a única ouvinte de sua família formada por pai, mãe e irmão, todos deficientes auditivos, traz um panorama interessante da dinâmica familiar presente aqui. Além de estar no último ano do ensino médio, Ruby é apaixonada por música e logo cedo, ao acordar, trabalha no barco de pesca da família, sendo a intérprete necessária deles.

Em meio à crise monetária, primeiras paixões e colegas insuportáveis, Ruby se vê se inscrevendo no coral da escola por causa de um crush, Miles (Ferdia Walsh-Peelo), e logo ela chama a atenção do Professor V, ou Bernardo Villalobos (Eugenio Derbez), que logo acredita no potencial da garota e coloca ela como front de seu show. Ele a enxerga com um grande futuro e logo sugere que ela invista em uma faculdade, coisa que ela nunca tinha pensando antes devido a tudo que ocorre em sua vida.

Por viver em um meio onde o som não é importante, Ruby não tem o apoio de sua mãe, Jackie Rossi (a vencedora do Oscar, Marlee Matlin), que com cuidado enxerga apenas sua filha e cogita a possibilidade dela não ter talento e se magoar em meio a isso tudo. Ah, além de citar a mãe da Ruby, é interessante citar também o pai dela, Frank Rossi (Troy Kotsur), que junto com a Marlee executam as melhores cenas de comédia do filme. Eles são um casal que se amam e, em meio a tudo que ocorre no exterior, o desejo entre eles, sempre lascivos, acaba colocando a Ruby em grandes situações. A relação do Frank com a filha é algo lindo e não faltou momentos em que eu me emocionei junto a minha mãe, que assistiu comigo o filme.

(Imagem: Divulgação/Apple TV+)

Outro personagem que merece destaque é o Leo Rossi (Daniel Durant), que é o irmão mais velho, mas vive querendo maior independência e em nenhum momento enxerga limitações em sua vida, sempre achando um jeito de mostrar que é igual a todos. Em certo momento ele deixa claro que ELES (os ouvintes) que devem aprender como se relacionar com sua família, que devem aprender a língua de sinais, não o contrário, onde precisam parar suas vidas devido a regras que não os encaixam. Seu relacionamento com a melhor amiga da sua irmã, a espevitada Rosie (Amy Forsyth), é outro positivo, onde sempre que aparece, faz o coração dar aquela aquecida.

Durante o filme, várias adversidades vão aparecendo na vida dos Rossi, deixando a Ruby em muitos dilemas do que fazer da sua vida. Em meio a sua pouca idade, ela tem muita responsabilidade colocada em seus ombros e a qualquer momento ela pode explodir. Ela ama sua família, mas precisa buscar seus sonhos e seu maior sonho é cantar.

Quando chega o concerto do coral, é um dos momentos mais lindos do filme e ao mesmo tempo você enxerga pelo ângulo da família Rossi a exclusão em que eles são colocados, sem nenhum intérprete para fazer eles entenderem o que tá acontecendo ali. Mas, eles tem seu método, ao olhar ao redor, conseguem ver toda a plateia emocionada com sua filha e, naquele momento, o sonho da Ruby se torna os deles. Nesse momento, segurem as minhas mãos, eu caí aos prantos.
 
(Imagem: Divulgação/Apple TV+)

No Ritmo do Coração é um filme que entrega afeto e inclusão, e em seu ato final fecha um círculo que é uma obra prima moderna. Sua história consegue te prender do início ao fim, com os personagens mais amáveis e interessantes, fazendo com que, pra mim, seja um dos favoritos do Oscar 2022. Cinema é emoção, é gatilhar (de forma positiva) seus sentimentos e te fazer refletir, ao mesmo tempo que guarda aquela obra em algum lugar dentro de você.

Indicado a 3 prêmios da academia, incluindo Melhor Ator Coadjuvante para Troy Kotsur, que é o primeiro ator surdo a ser nomeado ao prêmio. A atriz Marlee Matlin é a única atriz surda a levar a estatueta para casa, em 1987 pelo filme Os Filhos do Silêncio. O filme foi premiado em alguns festivais e tem grandes chances de sair com alguma estatueta no grande prêmio do cinema esse ano.

No Ritmo do Coração foi marcado por uma disputa entre a Apple TV+ e a Amazon pelos direitos de exibição do filme em solo estadunidense, tendo a maça saído como ganhadora, desembolsando US$ 25 milhões de dólares (algo em torno de R$ 134 milhões de reais), superando o filme Palm Springs, comédia adquirida pelo Hulu que custou a bagatela de US$ 22,5 milhões, em 2020.

No Brasil, o filme tá presente pelo Prime Video, então corre lá e assiste esse comfort movie.

Nota: 10/10  

Confira abaixo o trailer de CODA:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

Para saber mais sobre o/a autor/a, acesse a aba "Quem Somos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilha sua opinião! ♥

Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.