RESENHA: O Massacre da Serra Elétrica – o Retorno de Leatherface (2022)

(Imagem: Divulgação/Netflix)

Como eu já citei várias vezes no Aterrorizadan, O Massacre da Serra Elétrica faz parte daqueles filmes que estão enraizados na história do cinema como um dos precursores do que hoje conhecemos como slasher. Mesmo não tendo bastante aclamação como seus vindouros Halloween e/ou Sexta Feira 13, ainda assim é importante ressaltar o quanto ele contribuiu para termos o que temos hoje nesse gênero.

Leatherface trouxe para o hall de vilões do cinema, uma loucura e sadismo nunca antes vistos, em conjunto com sua família ainda mais deturpada. Nascido em 1974, essa saga é bastante irregular em suas continuações, tendo filmes realmente horríveis onde nada se salva. Quase 50 anos depois, a Netflix dá mais uma sobrevida a essa saga, desta vez ligando-se diretamente com seu primeiro filme e trazendo a nossa final girl, Sally Hardesty.

Como outros filmes da saga, a história tem início com jovens indo a uma cidade no meio do nada do Texas. Nesse filme, os acontecimentos do filme original são citados em forma de notícias e a região é assombrada por esse passado macabro. Logo de início, os jovens apresentados são extremamente arrogantes e petulantes, onde um background até tenta ser criado, mas nada é aprofundado. O objetivo dessa viagem é transformar aquela cidade desértica, em um ponto de entretenimento hipster. Não sendo visto pelos moradores da localidade, eles, como bons jovens que são, começam a fazer merda. Logo “invadem” a residência de uma velha morada e a faz passar mal, o que a leva a óbito. O que eles não sabem, é que a senhora guardava um segredo em forma de Leatherface em seu andar de cima.

Logo a matança começa, quando em seu leito de morte na ambulância policial, o nosso Cara de Pele surta e mata os policias fazendo o carro bater numa plantação e ali você percebe que o filme não tá pra brincadeira e tem uma cena extremamente sanguinolenta. Um dos pontos mais positivos da saga Massacre são as mortes, que sempre foram extremamente violentas, inclusive, fazendo seu primeiro filme ser banido de vários cinemas. Devo comentar, que ao longo do filme, que é bem curtinho, durando apenas 1 hora e 23 minutos (na verdade, 1h14min), foi difícil me afeiçoar a algum dos personagens que logo virariam amolador para motosserra do nosso garotinho. Algumas cenas remetem ao original, como a cena da casa onde o personagem Dante (Jacob Latimore), leva uma cutilada na cara.

Ao saber do “renascimento” do monstro que a atacou quase 50 anos atrás, Sally Hardesty (Olwen Fouéré, no lugar da Marilyn Burns que faleceu em 2014), sai em busca de vingança. Aqui eu enxergo onde essa obra teve seu momento mais pecaminoso. Diferente de final girls como Laurie Strode de Halloween ou Nancy Thompson de A Hora do Pesadelo, Sally não teve um impacto tão grande na saga, pelo menos ao meu ver. Sua biografia ficou determinada ali, no primeiro filme, e trazer ela de volta não causou nenhum conceito de nostalgia operante, como ocorreu em outras obras quando sua heroína tem seu comeback.
 
(Imagem: Divulgação/Netflix)

A cena do ônibus, onde o Leatherface aparece e dá cabo de vários personagens inúteis ao mesmo tempo, só serve pra isso. Com um dos diálogos mais sofridos de vários filmes, a intenção de “renovar” e atualizar, serviu apenas de vergonha alheia. Todavia, sua execução é interessante, pois a atuação do Mark Burnham como o lendário Leatherface é algo positivo do filme. Ele conseguiu encenar e trazer a mesma energia que Gunnar Hansen trouxe ao personagem, 48 anos atrás.

Ao final, o filme entrega os clichês que esperamos de um bom e velho slasher, mas sem a graça e a solidez que realmente queremos. Distante de seu remake de 2003, onde ali, encontramos uma tradução do que gostaríamos de ver. O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface é apenas mais uma obra dessa saga que será esquecida em seus próximos meses, até um novo capítulo vir à tona. Apontaram descaradamente no revival de Halloween e acertaram não sei o que, pois foi bem longe.

Um final pífio para uma história que não necessita mais ser revisitada. Encontramos aqui personagens feitos para morrer e uma história que poderia ser interessante mas foi, digo com pesar, infelizmente mal executada, pois eu gostaria muito de ter me divertido com essa obra. O filme tá disponível na Netflix e quem quiser assistir, só dá o play.


Nota: 4/10

Confira abaixo o trailer:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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