2ª temporada de Bridgerton: Kate e Anthony mereciam mais? Que adaptação é essa?


(Foto: Divulgação/Netflix)

Expectativas são sempre um problema, não é? Principalmente quando está diretamente relacionada a algo que apreciamos muito. De certo que, se tratando de adaptações literárias, a gente busca sempre manter o patamar de idealizações um pouco abaixo, porque geralmente não são tão fiéis assim. Porém, diante de uma série em que a primeira temporada entregou um produto fiel, mesmo com suas mudanças, era de se esperar que o segundo ano da produção seguisse na mesma linha.

A série Bridgerton é uma das mais aclamadas da Netflix desde seu lançamento. Assinada pela Shonda Rhimes e a Shondaland, a produção foi uma das mais vistas da plataforma vermelhinha, perdendo o posto apenas para Round 6, quase um ano depois. A história é também um sucesso nos livros em que é inspirada, inclusive estamos há sete semanas compartilhando o romance de cada um dos irmãos por aqui. Dito isso, deixei bem claro na resenha de O Visconde que Me Amava o quanto estava empolgada e ansiosa para a segunda temporada da série e, infelizmente, depois de assistir aos oito episódios, o sentimento que predomina é o de decepção.

Calma, antes de apontar tudo o que eu não gostei nesse segundo ano, eu devo ressaltar que a produção em si está muito boa. Juro. Desconsiderando o fator “adaptação literária”, é uma segunda temporada incrível, redondinha, com seus conflitos amorosos e dramas familiares na medida certa. Além disso, ela acrescenta novas tramas e personagens na história, o que só enriquece o enredo.

Tratando-se dos protagonistas, não há o que criticar na atuação de Jonathan Bailey e Simone Ashley. Juntos ou separados, os dois souberam captar bem a essência de seus personagens e passar isso em tela. Sem contar na química que ambos exalam, fazendo o próprio telespectador sentir a tensão sexual que existe entre eles quando nem ao menos Anthony e Kate se deram conta disso ainda. Os dois são das melhores coisas da temporada e também das mais fiéis, dentro do possível, ao livro.

Fotografia, trilha sonora, segue tudo impecável bem no jeitinho Shonda de entregar as coisas. Inclusive, Dancing On My Own, Sign of The Times e Wrecking Ball tocam em momentos certeiros da série. Além de, é claro, Diamonds da Rihanna embalando o baile em que o diamante da temporada é escolhido pela rainha Lottie.

Mas, se tudo foi tão bom assim, porque me decepcionou?

Porque fugiu quase que completamente da narrativa dos livros. Eu apontei na resenha do segundo livro algumas das cenas que considerava essencial na história de Kate e Anthony, porque dizia muito sobre quem eles eram e o casal que viriam a se tornar. Também comentei sobre o fato de que é um livro que aprofunda mais sobre traumas, sobre os medos e como isso reflete na forma como eles conduzem suas famílias. Outra coisa super importante mencionada na resenha é a relação do Anthony com a morte do pai e como ele acredita piamente que não viverá mais do que Edmund.

Não. Tem. Nada. Disso.

Ai que ódio!


(Foto: Reprodução/Netflix)

Superficialmente, cenas como o Pall Mall, a biblioteca, a tempestade, o acidente da Kate e a picada da abelha estão na série. Não dá para negar. Mas, foram completamente esvaziadas, com exceção do jogo – com ressalvas, porque é nesse jogo que o Anthony se apaixona pela Kate, em teoria, e na cena isso não passa para a gente.

A Kate tem trauma relacionado a tempestades por conta da morte da sua mãe e essa é uma de suas principais características de vulnerabilidade. Em uma noite, durante a estadia em Aubrey Hall, ela está na biblioteca quando começa a chover muito forte, com raios e trovões, e ela tem uma crise de pânico. O Anthony a encontra encolhida debaixo da escrivaninha, completamente atordoada e fora de si. Ele ajuda ela a se acalmar, acolhe ela e é um dos momentos mais especiais do casal. Na série, se resume a mais uma conversa com alfinetadas.

A picada de abelha, que está diretamente ligada ao trauma do Anthony com a morte do pai, é das que chegam mais perto do apontado nos livros. Contudo, ela é o que leva o casal a se casar. Ainda que já apaixonados, os dois não pensam em ficar juntos, mas quando a abelha pica Kate, Anthony se desespera e tenta chupar o veneno e o ferrão – sendo que a picada foi no colo, quase nos seios, da Kate. E a Portia vê a cena. Para evitar um escândalo e desonra, eles se casam.

Entendo que a série não quis trazer mais uma vez o enredo do casamento forçado para evitar um escândalo, mesmo que eles já estivessem apaixonado. Mas, podiam ter explorado o momento para ele contar a ela sobre a morte do pai e o terror que ele tem de tudo isso. Já que, né?! Ele se apavora justamente pela ideia de que ela morra tal qual o Edmund.

O Anthony segue insuportável lidando com a família nessa segunda temporada, apesar de desenvolverem melhor de que isso é pelo peso da responsabilidade que recaiu sobre suas costas depois da morte do pai. Era o timing ideal para trazer também a crise da meia-idade e o pensamento de quão injusto seria viver mais do que Edmund, tendo certeza de que morrerá antes dos 39 – e essa é a principal razão para não querer se casar por amor! Na série, ele menciona apenas que não suportaria ser a causa de tamanha dor (como tudo que ele viu a mãe passar) se morresse antes de sua amada.

Ao meu ver, temos também uma narrativa péssima com a Edwina. Não pela personagem ou pela atriz, a Charithra Chandran, mas desenvolvem por tempo demais o enlace dela com o Anthony e faz parecer que a Kate foi talarica com a irmã, fazendo ela de besta. Ela teve mais tempo de tela do que Kathony. E não vou nem entrar no mérito da história da herança dos Sheffield, porque pelo amor de Deus!

Apesar disso, como mencionei antes, temos adições boas. Apesar da Eloise não ter interesses amorosos até o Phillip, nos livros, gostei da inclusão do Theo Sharpe aqui. Não pelo romance, mas por ser alguém que fortaleça a rebeldia e o não-conformismo da personagem. O novo lorde Featherington também foi legal para a história, trazendo uma vibe meio Julie Cooper, de The OC, para a Portia.

Colin (Luke Newton) quase sendo otário mais uma vez, mas um ponto positivo é que ele resolveu visitar a Marina (ex-Thompson) Crane e tivemos o gostinho de rever o Phillip e conhecer o Oliver, um dos gêmeos da história do livro cinco. Mencionam também a Amanda, mas ela não aparece. Já pudemos ver traços da infelicidade da Marina no casamento e fiquei ansiosa para ver como vão desenvolver sua depressão e tentativa de suicídio, é bem delicado, né?!

E o maior plot da temporada é a melhor coisa da história e não tem nos livros! Na verdade, eu sempre imaginei que deveria ter acontecido de forma similar nas histórias da Julia Quinn e, por isso, obrigada Shonda. A Eloise descobre a identidade da Lady Whistledown. Ela, depois de uma série de polêmicas que acontecem, começa a juntar o quebra-cabeça e a Claudia Jessie com a Nicola Coughlan entregaram uma cena incrível.

Nos livros, a Penelope revela para todo mundo em um baile depois que o Colin descobre sua identidade. A Eloise não está presente no momento e vai descobrir dias depois, através da Hyacinth (Florence Hunt). Isso sempre me incomodou na história, porque pela forma como desenvolvem a Eloise, com toda sua sagacidade e inteligência, além do foco dela em descobrir quem era a Lady Whistledown, era impensável que ela não percebesse logo que era sua melhor amiga.

Como podemos ver que estão puxando cenas de livros seguintes, tivemos também um avanço na história de Pe e Colin. A cena de partir o coração do “eu não me casaria como Penelope Featherington” aconteceu nessa temporada, diferente dos livros, mas tão triste quanto a original. Também temos o bebê Basset aqui e a Daphne tá maravilhosa, assim como a Violet. Duas personagens que sustentaram a personalidade da primeira temporada e até melhoraram, também se mantendo fiel aos livros.

Nessa segunda temporada também optaram por diminuir as cenas de sexo e achei uma sacada boa, menos apelativa, mas, mais uma vez, por conta dessa decisão deixam de lado muitos momentos importantes do casal que estavam ligados à interação e à tensão sexual entre eles (e olha que a tensão tem e MUITA!). A gente tem uma primeira temporada super focada no casal protagonista, intercalando com as relações familiares e demais núcleos, e aqui parece que essa atenção ao romance se dissipa e, por vezes, se perde. 

Mas, para finalizar, Benedict Bridgerton (Luke Thompson) é uma das melhores coisas dessa temporada. Mais cenas, mais diálogos e mais desenvolvimento de seus hobbies e personalidade. Já abrindo o caminho para a próxima temporada que, na teoria, é sua. Depois do desenrolar desta segunda, coloco os pezinhos no chão para a próxima adaptação, ainda com expectativas, mas agora mais receosa sobre como, ou melhor, o que farão com a história do meu irmão Bridgerton favorito (só perde pra Hyacinth, já avisei).

Eu poderia ficar falando outras mil coisas que foram sem sentido ou desnecessárias, enquanto outras foram legais – apesar de não estarem dentro da história original. Adaptação é isso também, né?! Mas, enfim, a sensação que fica é de que esvaziaram os pontos que, pelos livros, são cruciais na construção do romance do casal protagonista e da personalidade deles, que é o fio condutor das decisões que tomam. Faltou mais carinho com o desenvolvimento de Kate e Anthony, eles mereciam mais.

Ah, e se alguém encontrar a Francesca Bridgerton por aí, avisem que ela deveria estar na série. A personagem tem duas falas e, sei lá, cinco minutos de tela em 8 episódios. Tadinha da Ruby.

Ps: EU AMEI que eles trouxeram o segundo epílogo do livro, que é o segundo jogo de Pall Mall, não exatamente da mesma forma, mas fizeram referência. Foi tudo.

Ps2: Tem uma cena do Anthony com o Gregory (Till Wilston) que faz quase tudo valer a pena nessa temporada, juro. Muito meu bebê esse caçula. Vem resenha do livro dele na próxima sexta-feira!

Nota: 7/10

Onde assistir? Netflix

Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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