2ª temporada de Euphoria: ganchos para a narrativa ou furos de roteiro?


(Foto: Divulgação/HBO Max)

Chegou ao fim a segunda temporada do maior sucesso recente da HBO, a série adolescente Euphoria. Com uma carga pesada de drogas, glitter e drama, a produção dirigida por Sam Levinson foi aclamada do início ao fim. No elenco, se consolidam nomes como Zendaya, Hunter Schafer, Alexa Demie, Sydney Sweeney, Jacob Elordi, Angus Cloud, Maude Apatow, Barbie Ferreira, Austin Abrams, Storm Reid, entre outros atores. Dentre os nomes que assinam a produção da série, temos Drake.

A principal temática da série é a vida jovem estudantil em um contexto que insere questões como drogas, sexualidade, identidade e pertencimento, dramas familiares, redes sociais, relações afetivas de amor e amizade, traumas e violências. Euphoria é inspirada em uma produção israelense de mesmo nome, lançada em 2012.

A primeira temporada consistiu em consolidar bem os personagens principais, com episódios voltados para suas histórias particulares e dramas individuais. Apesar disso, é possível notar certo destaque para Maddy Perez (Demie), Nate Jacobs (Elordi), Jules Vaughn (Schafer), Kat Hernandez e a Rue Bennett (Zendaya), que pode ser considerada o pilar central do enredo.

Na segunda temporada, o enredo segue acompanhando a história da Rue e se desdobra para outros personagens, como as irmãs Howard, Cassie (Sweeney) e Lexi (Apatow), Ashtray (Javon Walton) e Fezco (Cloud), além de inserir novos personagens como a Faye (Chloe Cherry) e o Elliot (Dominic Fike).

Além das duas temporadas de oito episódios cada, a série ainda tem um episódio especial voltado para a Rue e outro para a Jules, lançados no final de 2020 e início de 2021, respectivamente. Esses episódios parecem “soltos” na história, mas são fundamentais para entender o que muda na vida das personagens entre uma temporada e outra – algumas questões bem pertinentes da Jules, principalmente, que é uma mulher trans (na trama e na vida real).


(Foto: Divulgação/The Cut Magazine)

Dito isso, vamos ao que interessa – e, dessa vez, será zona livre de spoilers. Euphoria é uma série que se destaca muito, acima de tudo, por sua qualidade técnica em relação à fotografia, trilha sonora e direção, de modo geral. Além disso, as atuações se sobressaem com atores não tão conhecidos assim, mas que já sabem dar o nome de maneira exemplar.

A produção se consagrou como o conteúdo mais assistido da plataforma HBO Max na América Latina desde junho de 2021, sendo vista por mais de dois milhões de assinantes em seu último episódio. Ao todo, a segunda temporada de Euphoria reuniu mais de 16 milhões de espectadores e se tornou a segunda produção mais assistida da casa desde 2004, estando atrás apenas de Game of Thrones.

Tratando-se do enredo, ouso dizer que a primeira temporada é mais redondinha do que a segunda, mas isso não diz respeito à qualidade de roteiro. A segunda temporada chegou ao fim no último dia 27 e deixou nos fãs uma série de perguntas a serem respondidas que, possivelmente, serão resgatadas na terceira temporada, já confirmada para 2024 (SIM, TUDO ISSO!!!). Só que fica aquela sensação de…precisava deixar tanta coisa mal resolvida?

Deixando esse ponto de lado, a série amadureceu muito em vários aspectos, incluindo nas tramas. A gente tem questões mais profundas e delicadas aqui, a produção deixa de lado boa parte do apelo sexual presente na primeira temporada e ultrapassa novas camadas de drama, trazendo o público para enxergar os personagens mais de dentro de seus traumas. Não é um enredo fácil de digerir, mas se torna mais interessante por isso.

Relacionamento abusivo, abandono parental, luto, abstinência e como isso impacta a vida de todo mundo que está envolvido com o viciado, traições, tráfico de drogas, homossexualidade, pornografia e repressão sexual, e amor próprio (ou a falta dele) são alguns dos problemas e desafios abordados pela série na segunda temporada. Eu acredito que é somente sendo tão cru sobre assuntos considerados difíceis que é possível cativar o público e passar a mensagem com responsabilidade. Ao contrário do que dizem, não há romantização em Euphoria.

Como dito, a série amadureceu muito nessa segunda sequência de oito episódios, principalmente na parte técnica. A direção fotográfica e de arte dessa temporada é um absurdo de boa, sério! Além disso, investiram nas referências artísticas e, com isso, o público ganha sequências impecáveis de muito conteúdo e beleza. Surreal.


(Foto: Reprodução/HBO Max)

Assim como a maioria do público, terminei a temporada com um enorme gosto de quero mais. Muitas dúvidas, questões não respondidas e pontas soltas que torço para que tenham um propósito. Outra sensação que fica é de satisfação por estar vendo esse elenco dar um show de atuação em uma trama tão série, com menção honrosa para a Zendaya, Alexa Demie e Sydney Sweeney que entregaram cenas dramáticas pesadíssimas com muito louvor.

Infelizmente, conforme fofoquinhas da internet, suspeita-se de que essa temporada tenha desencadeado muitas brigas no set e isso tenha privado o desenvolvimento de personagens queridos do público, como a Kat da Barbie Ferreira. Ela tem uma grande cena nesse segundo ano de Euphoria, que inclusive mencionei na Desculpe o Transtorno, sobre amor próprio, mas depois ela fica apenas de figuração junto à Maddy.

Jacob Elordi também é uma menção à parte, entregando o odioso Nate. É nítida a entrega do ator ao personagem. Ele também foi responsável por cenas pesadas e marcantes dessa temporada, fazendo tudo com muito primor. A parceria dele com o Eric Dane, que na série faz o pai do Nate, o Cal Jacobs, é incrível. Os dois têm feito uma dupla de relação bem problemática e desafiadora, com mais camadas expostas nesse segundo ano e com conteúdo para se desenvolver no que vem por aí daqui a dois anos.

Das coisas que mais quero ver na próxima temporada, tem a sobriedade da Rue e ela se reconectando consigo mesma nesse estado, descobrindo quem é quando não está drogada. Quero mais da Maddy e da Cassie, se possível, a primeira ajudando a segunda a entender os padrões do relacionamento abusivo que ela tá se enfiando e que ambas se curem desse trauma chamado Nate Jacobs. Quero mais Kat, mais Lexie. Quero mais Fezco e, se possível, mais Ash. Quero mais Jules. E Elliot, o que tenho a ver – brinks, porém depende.


(Foto: Reprodução/HBO Max)

Outra coisa que quero muito para a próxima temporada é ver mais da Gia (Storm Reid). Ela tá sempre à sombra dos problemas da Rue, da família complicada, e deve ter o emocional tão f*dido quanto, sendo quase negligenciada pela mãe por conta dos vícios da irmã mais velha. A própria mãe, a Leslie, interpretada pela Nika King, se anulou muito por conta da primogênita e, agora com a sobriedade da Rue, quero ver mais de suas próprias histórias.

(Se bem que a Rue deixou uns problemas BEM pesados pendentes, né?! Acho que a paz vai durar bem pouquinho, só os dois anos de hiatus mesmo rs.)

Tomara que Euphoria se mantenha nessa qualidade e que os problemas entre direção e elenco se resolvam, pois quem perde é o público com essas confusões. Se possível, Sam Levinson, entregue o meu casal em paz e com o único relacionamento saudável desta série na próxima temporada, faz favor – pode entrar, Fexi. Por ora, são meus únicos desejos.

Nota: 9/10

Onde assistir? HBO Max
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

Para saber mais sobre o/a autor/a, acesse a aba "Quem Somos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilha sua opinião! ♥

Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.