Desculpe o transtorno, mas este é um texto em defesa do Bruce Wayne


(Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures)

Semana passada fui assistir The Batman no cinema e eu estava muito no hype para o filme por diversos motivos, sendo o principal deles o Robert Pattinson, é claro. Acompanho o ator desde Crepúsculo e sou uma grande defensora do seu trabalho, não é segredo para ninguém. Depois de ver o filme, das coisas que mais gostei para além da figura do Batman, foi a personalidade que Pattinson imprimiu ao Bruce Wayne.

O Bruce é, em geral, um personagem mais introvertido e intimista, recluso e tudo mais, né? Se envolve em conflitos, tem a fama de vigilante em Gotham, detetive, etc e tal. Contudo, ao mesmo tempo que o BW do Robert parece ser mais sombrio, ele também é mais frágil. Com uma certa inexperiência frente ao papel de Batman, aqui o Bruce Wayne ainda tem muito de suas inseguranças e vulnerabilidades o conduzindo em determinados assuntos.

Por outro lado, ele já é muito calejado pela questão da morte dos pais e tudo que já viu acontecer em Gotham, se mostrando duro e desconfiado para inúmeras situações. Ou seja, para resolver os problemas dos outros ele consegue ser frio e manter o distanciamento necessário que garante um bom discernimento diante da situação. Contudo, quando se trata de si mesmo e dos seus, o sentimento acaba sendo o principal fio condutor e o cega, ou melhor, faz com que ele seja levado a confiar nas informações que chegam até ele com envolvimento emocional.

Esse fator, de mostrar um Bruce Wayne ainda iniciante, ainda aprendendo a domar as emoções quando trata-se de si mesmo, foi o que mais me chamou atenção nessa versão do personagem. Eu já disse aqui em outros textos que a coisa da identificação é algo que me pega muito em uma produção. Poder me perceber em sentimentos, em escolhas, em pensamentos através de um filme ou série é algo que torna a experiência mais especial para mim.

Quando a gente olha para um super-herói como o Batman e percebe que, em algum lugar por trás daquela armadura, existe um ser humano com vulnerabilidades, questionamentos e inseguranças é incrível. Não que as outras versões não tivessem esse tipo de “humanidade” para transparecer, mas com o Robert Pattinson foi diferente. O espaço-tempo da sua narrativa colabora para deixar essa parte mais visível, e olha que temos poucos minutos de tela do Bruce Wayne em comparação ao Batman – que acaba sendo mais durão.

Outra cena que demonstrou muito isso foi quando o personagem conversa e desabafa com o Alfred (Andy Serkis) sobre achar que tinha um medo superado e, na verdade, se deu conta de que não superou – e nem acho que seja capaz de superar, inclusive. Se trata do medo de perder alguém que se ama. Nesse momento, durante o filme, eu chorei (para variar). Mas foi além da emoção passada pela filme e pela cena em específico.

Quando Wayne expõe que tem medo de perder alguém que ama justamente por saber como dói perder alguém que se ama, foi mais um lugar de identificação para mim. Só quem já esteve nessa posição sabe como dói, como é uma ferida que por mais que cicatrize aos poucos, sempre vai doer em algum momento, com alguma lembrança. Quem já passou por isso sabe como você nunca supera esse medo e como existe uma série de situações que te deixam no limite apenas pelo vislumbre desse medo. De ter que reviver todo esse terror.

Foi uma posição de muita vulnerabilidade ver o Bruce Wayne assumindo isso e, do outro lado, eu me reconhecer nesse lugar. Mais uma vez, é reconfortante encontrar “super-heróis” se colocando nesse lugar. Me remeteu, por exemplo, toda a WandaVision sobre o luto e ter que lidar com esse processo, sabe? São as nossas referências também, ainda que não na vida real.

No mais, falei mais sobre Batman no episódio que vai sair nesse próximo sábado lá no podcast e não vou me estender muito aqui em outros aspectos. É um filme que vale muito a pena ser visto e que o Robert Pattinson soube entregar muito bem e até mesmo além do que lhe foi proposto. Mais emo do que nunca, parecendo até que o Edward Cullen fez escola na melancolia e na introversão, mas juro que vale a pena cada minuto de suas 3 longas horas de produção.

Com a trilha sonora, o design de produção, a fotografia e a sonoplastia, além de outras atuações como Zoe Kravitz e Paul Dano, a experiência com The Batman é imersiva e te leva para outro lugar, com sensações distintas em cada parte do filme. É surreal. O filme está disponível nos cinemas, mas chega no dia 17 de abril ao HBO Max.

Nota: 10/10

Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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