Desculpe o transtorno, mas não só falamos sim do Bruno, como às vezes somos o Bruno


(Foto: Divulgação/Disney)

No último fim de semana rolou um super encontrão de família, basicamente, e é um dos meus momentos preferidos da vida. Cresci em um ambiente familiar muito próximo, cercada por meus primos e tios, e nossa casa ainda tem o histórico de adorar uma boa festa, então o que não faltam são reuniões. Sempre que um desses momentos acontecem, fico pensando no quanto sou privilegiada por, apesar de todos os problemas que existem entre nós, ter uma família que se ama e se dá bem – pelo menos na maior parte do tempo, risos.

E, pensando nisso, lembrei de Encanto. O filme da Disney lançado no ano passado (que concorre ao Oscar de Melhor Animação desse ano) traz a narrativa da família Madrigal pelo ponto de vista de Mirabel, a única neta que “não tem dom” de uma família repleta de pessoas geniais. Tem uma com superforça, outra com beleza e perfeição, outro fala com animais, um é transmorfo, a outra cura através da comida e por aí vai. Então, imagina viver em uma família assim, né?

Encanto, que tem trilha sonora do Lin-Manuel Miranda, vale ressaltar, é mais um daqueles filmes da casa do Mickey que nos proporcionam reflexões diversas, a depender do momento e do olhar que estamos assistindo. Mas, no geral, toda família é um pouco da família Madrigal. E talvez seja esse o acerto da Disney com a produção.

Em algum momento você pode se sentir meio Mirabel, em outros pode ser meio Luisa. Às vezes vai ser a própria Abuela com suas cobranças. Às vezes vai ser o Brun- (não falamos do Bruno!!!!!). Contudo, sempre um Madrigal. Eu mesma, em vários momentos me senti meio algum dos personagens, seja por coisas minhas ou pela visão que algumas pessoas da família podem ter de mim, por exemplo.

O grande apelo da história é dizer que, independente da figura que você é dentro da sua família, você é importante para essa construção. Claro que fica a ressalva para ambientes abusivos, né? Nenhuma relação aqui é romantizada, não vou passar pano para gente escrota com a desculpa de que devemos amar os parentes e a família, não! Então, se você por aí está em um ambiente hostil, não precisa amar, aceitar e engolir ninguém não. Tá tudo bem em se afastar desse lugar.

Porém, voltando, se você apenas tem aquelas birras comuns entre familiares, ou aquele tiozão bolsominion insuportável, é um desses que está dentro do apelo de Encanto. Seja você a Mirabel, que aparentemente não tem nenhum dom fantástico, mas é inteligente, criativa, prestativa e literalmente a cola que une a família, você é tudo para a história. Quer você seja o Bruno, que ninguém aparentemente dá valor, que parece não ser importante ou ter futuro, mas se torna essencial em algum ponto da história e ainda traz consigo toda uma reflexão sobre perdão e segundas chances, você é tudo para a história.

Ou, talvez você seja meio Luisa e Isabela. Que carregam, cada qual com seu dom, o peso de ser sempre impecável diante do que sabe fazer. Sempre sorrindo, servindo, sem questionar. Você também tem o direito de ceder, de desistir, de optar por não fazer nada e ser dona das próprias escolhas. E se você é tipo assim, você também é tudo para história.

Ou Pepa, ou Camilo, ou Antônio, enfim.

Até mesmo se você é meio Abuela, controladora, querendo que as coisas nunca saíam dos trilhos, porque é impensável de ver a família se desestruturar ou aceitar que, às vezes, as pessoas vão sair da sua aba ou de ver o que você construiu meio que “desmoronar”. Você carrega em si seus próprios medos e, mesmo quando os projeta, você irá aprender com isso em algum momento e, tudo bem, você é tudo para sua própria história.

Então, assim como minha família tem um pouco de tudo e, no fim das contas, são as imperfeições que fazem a gente ter nosso jeitinho único. Encanto me passou essa mesma energia, desde quando o assisti. Na verdade, tem outros inúmeros pontos relacionados à história que eu podia trazer, mas isso fica para um outro dia – e uma outra autora.

Por hoje, eu queria só te dizer que cada um completa o todo da sua própria maneira e querer ser diferente só para agradar alguém pode te afastar de quem você realmente é. E, no fim das contas, são as particularidades de cada um que nos fazem melhor – mesmo quando essa particularidade parece nem estar ali. Acredite, ela está.

Nós falamos SIM do Bruno. E da Mirabel. E da Isabela. E da Luisa. E do Camilo. E da Dolores. E de toda a família Madrigal.

Eu sou meio Dolores, meio Bruno, meio Isabela e até meio Abuela, não vou mentir. Mas sou mesmo é a Bea, a Bia e às vezes a Bilu. A jornalista, a blogueirinha. A prima caçula (das meninas) e a única sem irmãos. A única mulher da família (do pai). A famosa “nunca deu trabalho” – e por isso hoje se vira sozinha. Emo. Fã de boyband na adolescência. Vive assistindo séries. Não sai do celular. Etc, etc, etc.

E aí, na sua família, quem é você?

Nota: 9/10
Onde assistir? Disney+

Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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