Desculpe o transtorno, mas quantas produções de mulheres pretas você consome?


(Foto: Divulgação/Black is King – Beyoncé)

8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma data marcada por muita luta e bravura de mulheres há décadas. Lembro de quando entrei na universidade, cheia de sede em relação às pautas feministas, buscando disciplinas que falassem sobre gênero e todas essas questões de combate à cultura patriarcal. Estava vindo do período do cursinho, quando minha mente se abriu para essas percepções, e como toda boa jovem, universitária e que acabou de entrar em contato com uma pauta social de tamanha força, me tornei a insuportável ~problematizadora. Não havia mais paz nos almoços de família.

Mas, foi também na universidade, alguns períodos depois, que eu comecei a enxergar as falhas e brechas dessa educação feminista que eu estava desenvolvendo. Eu, mulher negra, não era pautada da mesma forma em inúmeros dos questionamentos do feminismo e passei a não visualizar mais tanto sentido assim nessa luta. Não que não importe, pois importa sim, mas não me cabia mais. Foi quando aprendi sobre o recorte de raça.

O feminismo que me cabe precisa considerar minhas especificidades enquanto mulher e pessoa preta.

E todo esse papo é para chegar em que lugar? É bem simples. Sempre que datas como essa chegam, eu questiono minhas referências pessoais, porque retomo a consciência de que elas foram moldadas a partir de um ponto de vista diferente do que tenho hoje. Penso nos filmes que já assisti, nos livros que já li, nas músicas que já ouvi – e, nesse último, acho que de todos é onde meu repertório de pessoas negras é maior, mas boa parte delas são homens.

É sempre quando tenho essas reflexões que me voltam pensamentos como: não adianta querer mudar o mundo e as pessoas ao meu redor enquanto eu mesma estiver caindo nesse ciclo vicioso de consumir mais do mesmo e, consequentemente, seguir com essa visão limitada. É preciso ampliar o repertório, expandir os horizontes e dar oportunidades para novas visões, novas experiências e novas realidades.

Por isso hoje, nesse dia da mulher, eu te convido a consumir mais trabalhos, conteúdos e produções de mulheres pretas. E vamos juntas, bem vibes “vamos galera mulheres, girl power p*rra!”, tá tudo bem.

Cineastas

Ava DuVernay – Olhos que Condenam (Netflix), Selma e Middle of Nowhere.
Kasi Lemmons – Harriet e A Vida e a História de Madame C.J. Walker (Netflix).
Nia DaCosta – A Lenda de Candyman e Little Woods.
Melina Matsoukas – Queen&Slim, Insecure (HBO Max) e algumas produções musicais como Lemonade e B’day Anthology da Beyoncé e We Found Love da Rihanna.
Shonda Rhimes – Grey’s Anatomy (Prime Video e Star+), Scandal (Star+), How to Get Away with Murder (Netflix), Bridgerton (Netflix), Inventing Anna (Netflix) e outras.
Renata Martins – Sem Asas.
Viviane Ferreira – O Dia de Jerusa.

Musicistas

Josyara – álbum Mansa Fúria (2018)
Larissa Lisboa – Eu choro, não nego
Nathalia Bellar – Entranhada 
Tasha e Tracie – Amarrou 
Nina Simone – Are You Ready, Black People?
Mavis Staples – Down in Mississippi 
Ella Fitzgerald – But Not for Me 
Elza Soares – Mulher do Fim do Mundo 
Majur – Africanei 

Além de, é claro, Alcione, Iza, Beyoncé, Rihanna…

Estilistas

Stella Jean
Tracy Reese
Rihanna
Ângela Brito
Kel Ferey
Goya Lopes
Monif Clarke
Amaka Osakwe
Carol Barreto

Atrizes

Amandla Stenberg
Yara Shahidi
Zendaya
Cynthia Erivo
Storm Reid
Aja Naomi King
Danai Gurira
Lupita Nyong’o
Zoë Kravitz
Aunjaune Ellis
Viola Davis
Ariana DeBose
Amber Riley
Gabrielle Union
Octavia Spencer
Tati Gabrielle
Taís Araújo
Jéssica Cores
Érika Januza
Jennifer Nascimento
Heslaine Vieira
Cacau Protásio
Aline Dias
Juliana Alves
Cris Vianna

Jornalistas

Maju Coutinho
Flávia Oliveira
Glória Maria
Larissa Carvalho (site negrê)
Fabiana Moraes
Zileide Silva
Joyce Ribeiro
Aline Midlej
Dulcinéia Novaes
Basília Rodrigues

Escritoras

Angela Davis
Kiusam de Oliveira 
Mel Duarte 
Chimamanda Ngozi
Tomi Adeyemi 
Octavia Butler
Sueli Carneiro
Alice Walker
Djamila Ribeiro
bell hooks
Gwendolyn Brooks
Maya Angelou 
Toni Morrison
Tayari Jones 
Amanda Gorman


E, enfim, esses são só alguns nomes, mas existe muita mulher preta produzindo por aí, vamo valorizar! Feliz dia das mulheres!
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

Para saber mais sobre o/a autor/a, acesse a aba "Quem Somos".

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