EM CARTAZ: The Batman (2022)

(Imagem: Divulgação/Warner Bros Pictures)

Desde sua criação, o personagem Batman foi adaptado inúmeras vezes para o audiovisual. São várias suas versões icônicas e que alguns lutam com unhas e dentes para firmá-la como a definitiva dentro do universo da cultura pop. Até então, digo por mim, a versão do Christopher Nolan era a versão mais próxima do herói que junto ao Homem-Aranha, trouxe divertimento para a minha infância.

Em meados de 2008, me dividia entre filmes de super-heróis e sagas. Me debruçava às cegas dentro de obras com bruxos, vampiros, distopias e afins. Nesse mesmo ano, saiu a segunda parte da trilogia de Nolan, tida por mim e por muitos, uma das melhores adaptações do homem morcego para as telonas. Além de uma história muito bem construída, trazia um vilão dos mais doentios e sarcásticos de sua franquia, o Coringa (interpretado magistralmente pelo finado Heath Ledger). Em 2008 também chegava aos cinemas o primeiro capitulo da obra que traria a vampiromania de volta ao mundo, e cercado de haters, mas também abraçado por vários, Robert Pattinson se tornava o ídolo de milhões ao interpretar o Edward Cullen da saga Crepúsculo durante cinco filmes.

Quatorze anos se passaram e muita coisa rolou durante nessa mais de uma década de história mundial e cá estamos com o mesmo Pattinson estrelando essa obra intitulada apenas de Batman. Dirigida e roteirizada pelo Matt Reeves, de filmes incríveis como Cloverfield - Monstro e de Planeta dos Macacos - O Confronto e sua continuação, ele já mostrou sua competência para Hollywood, mas aqui ele alcançou um novo patamar em sua carreira.

Um dos maiores desejos dos fãs do Batman era ver as origens do personagem como detetive e durante as quase três horas do filmes, vemos essa faceta do morcego sendo apresentada de forma prazerosa. O Bruce Wayne aqui já começa o filme tendo estrada como seu alter-ego (ou é o contrário), já estando em seu segundo ano de atuação. Robert Pattinson mostra que está inteiro no personagem, o que demonstra bastante competência seja nas cenas de luta ou nas cenas mais dramáticas de seu personagem.

Bruce Wayne é um personagem depressivo, cheio de seus demônios pessoais que aos poucos vão tomando conta de seu corpo e o faz se misturar com o que ele criou para combater. Sua parceria com o Jim Gordon (Jeffrey Wright) é de uma sincronia maravilhosa. São dois personagens que estão dentro de jaulas e que necessitam um do outro para buscar a saída de seus problemas. Gordon cumpre a lei, mas está rodeado de corruptos, e o Batman enxerga nele sua persona na lei para derrubar os pilares que se erguem na destruição de uma Gotham cheia de vítimas do crime.


(Imagem: Divulgação/Warner Bros Pictures)

Selina Kyle (Zoë Kravitz) aparece para sacolejar a vida já não tão fácil do nosso protagonista, que de uma forma pouco ortodoxa, busca vingança com as próprias mãos. Aos poucos o desenvolvimento de ambos é criado, uma ligação de forças é lançada e a química ali explode de uma forma que você deseja mais desses personagens. Tenho que dizer que Kravitz nasceu para o papel, não devendo nada às suas antecessoras e trazendo seu próprio toque para a personagem tão icônica quanto a Mulher-Gato precisa.

Um dos maiores trunfos desse filme cabe a vilania presente. Temos aqui arquétipos que vão além da “conquista mundial” ou “vilão da semana que vai destruir a vida do herói”. Os vilões aqui são humanos, pecam pelos pecados humanos e estão entregues a eles. O maior de todos é o Charada (Paul Danno), que é o principal personagem antagonista desta história, trazendo macetes tal qual o famoso Jigsaw da famosa obra Jogos Mortais, com sua charadas e suas engenhosas armadilhas. O caos criado por ele vai até os últimos minutos, de uma forma crescente que tira o ar do telespectador, pois ele não perde por esperar.

Colin Farrell entrega tudo ao engajar o seu Pinguim de uma forma limpa e com maneirismos próprios, longe do já traçado e firmado pelo Danny DeVito em 1992, no Batman - O Retorno. A persona mafiosa e chefe de crime, algo já visto na série Gotham, é bem colocada nesse filme. Por mais que seu aprofundamento não seja muito grande, é certeza de que ele seja mais utilizado em uma sequência vindoura. Em meio tempo, a cena de perseguição que envolve ele é uma das melhores cenas do filme.

Durante as quase três horas de filmes, somos banhados de ótimas cenas de ação, que fazem você prender a respiração e apertar a mão da cadeira (ou da sua companhia) e ao chegar ao clímax do filme, você ser preso com mais uma cartada do nosso vilão. Riddle ou Charada, é um dos melhores personagens do Hall de Vilões de Gotham e ver ele com essa postura mais limpa e, ao mesmo tempo mais sádica e louca, é brilhante. Paul Danno brilhou muito aqui e ele sabe disso.

A trilha sonora do filme é um personagem à parte, com Michael Giacchino dando aquela alma que todo filme precisa e fixando sua marca nessa obra. O Matt Reeves o convidou pessoalmente para se juntar à trupe nesse projeto e foi uma cartada acertada.
 
(Imagem: Divulgação/Warner Bros Pictures)

Outro grande ponto que precisa ser enaltecido aqui é a fotografia e o som do filme. É belíssimo. Tudo se conecta e se encaixa de forma magistral. Você está assistindo uma obra cinematográfica trajando as mais perfeitas façanhas que a sétima arte tem a oferecer. Desde de cenas magistrais de perseguições gigantescas, a um corte simples num cemitério. Tudo ali faz sentido e faz os olhos brilharem ao público. É um filme fiel às HQS e mantém o legado que foi construído nesses últimos oitenta e três anos.

Ao final, Batman entregou muito mais do que qualquer fã de cinema, HQ ou apenas quem almeja um bom divertimento, busca. Foram horas que fizeram esse fã curtir imensamente a ida ao cinema. Um fã do trabalho do Pattinson, que já o viu interpretar diversos papéis, enxergar nele esse grande "herói" e apresentar para uma nova geração um dos personagens mais marcantes da cultura pop é encantador.

Batman está em cartaz nos cinemas e eu SUPER RECOMENDO que quem puder ir ao cinema, aproveite e corra. Vocês vão querer acompanhar esse novo capítulo na grande tela.

PS: ao assistir o filme, conectei várias coisas a uma outra obra intitulada “Batman - O Longo Dia Das Bruxas Parte 1 e 2”, que está disponível na HBO Max e tem uma história bem parecida com essa e é bem legal.

Nota: 9.5
Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

Para saber mais sobre o/a autor/a, acesse a aba "Quem Somos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilha sua opinião! ♥

Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.