EM CARTAZ: A Felicidade das Pequenas Coisas


(Imagem: Divulgação/Pandora Filmes)

É comum termos nossas próprias convicções e modelos de vida que desejamos seguir. É importante sonhar com aquilo que almejamos. Ter um objetivo para o futuro. Para chegarmos até lá, é natural entrarmos em uma zona de conforto, montando tudo em nossa cabeça e pensarmos: “quando eu tiver isso e mais isso, estarei pronto”. Esperando o tal dia chegar. E acaba dando certo para muita gente. Afinal, ter disciplina e planejamento é importante. Porém, quando somos surpreendidos com aquilo que nem mesmo imaginávamos que queríamos, encontramos a verdadeira felicidade.

No filme, conhecemos Ugyen Dorji (Sherab Dorji). Ele é um professor vivendo no Butão, uma nação asiática que faz fronteira com a China e a Índia. Lá, os cidadãos que trabalham para o governo devem cumprir um período mínimo de serviço, no caso do Ugyen, são cinco anos. Ele está desanimado com o emprego, demonstrando insatisfação e contando o tempo para se ver livre dessa obrigação, já que planejar ir morar na Austrália e virar cantor. De repente, Dorji é escolhido para lecionar em Lunana, um vilarejo remoto do país. A partir disso, ele sai da capital onde mora, Timbu, tendo que se despedir da família e amigos, partindo para uma experiência única.

O protagonista é um homem recluso. Por ser órfão, vive com a avó, mas é desleixado com os compromissos profissionais e depende dela para continuar cumprindo os horários. Ele está muito apegado aos comodismos da capital, tendo uma namorada e bons amigos, mas ao mesmo tempo, quer sair dali e morar no exterior, mesmo que signifique deixá-los para trás.

Ugyen encara tudo isso como uma punição. Não tem a mínima vontade de ir para o interior. Lá não tem energia elétrica e nem qualquer outro tipo de regalias, tão triviais para a realidade de quem mora em uma cidade. São vários dias para simplesmente chegar ao vilarejo. Ele é mal-educado com os companheiros de viagem e pensa apenas em si mesmo. Mas, justamente ao desconectar-se das tecnologias, Dorji começa a vivenciar melhor o ambiente. Percebe as belas paisagens dos arredores e também aprecia as pessoas com quem se depara no decorrer do caminho e ao chegar em Lunana, afeiçoando-se ao local e compartilhando uma admiração mútua com os alunos e moradores.

A Felicidade das Pequenas Coisas foi uma ótima adaptação para o nome do longa. Ao juntarmos com o título em inglês, que faz alusão ao animal iaque dentro de uma sala de aula, temos a combinação perfeita, trazendo o simbolismo entendível apenas ao final da história. O Ugyen precisava dessa experiência para repensar várias certezas que tinha dentro dele. Mesmo sonhando em ser cantor, foi o cargo de professor que o marcou para sempre. Tanto a ele, quanto aos alunos e moradores de Lunana. “Os professores tocam o futuro”. E no fim deste lindo filme, junto com o Ugyen Dorji, compreendemos por completo o espiritualismo inerente ao modo de vida daquelas pessoas e o porquê das ações realizadas. Ele estava destinado a ir para lá.

Nota: 10/10
Micael Menezes
Micael Menezes

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