RESENHA: Doze é Demais (2022)

(Imagem: Divulgação/Disney)

Refazer algo que já é bom por natureza é o que Hollywood mais gosta de fazer. São vários os casos de remakes e reboots que eles fizeram que não tá no gibi. Ano passado foi anunciado um novo Doze é Demais, um dos filmes mais marcantes da minha vida, um dos conforts movies e que eu carrego com muito carinho no meu coração. Devo dizer que não fiquei muito animado com essa escolha, mas, dito isso, sou disposto a novidades e fui de coração aberto nessa nova empreitada.

Estrelada por Gabrielle Union (Zoey Baker) e Zach Braff (Paul Baker), o novo casal já traz a novidade na escalação por serem um casal bi racial. Mas, as mudanças e atualizações não param por essa única escalação. Enquanto no primeiro filme, de 2003, tínhamos um elenco majoritariamente (100%?) branco, neste tivemos a diversidade como foco. Além disso, novos núcleos familiares foram incluídos, pois o casal principal é divorciado e já vem com filhos do primeiro casamento, tem filhos adotivos fazendo parte aqui e também uma personagem PcD.

Após se conhecerem de uma forma inusitada, ambos divorciados, Paul e Zoey se juntam e formam uma família. Zoey chega com dois filhos e Paul com 3, sendo um deles já adotado, logo em seguida, Zoey engravida de um casal de gêmeos e mais um par de meninos, formando os 9 (os doze aqui é formado por uma ex-esposa good vibes, um sobrinho que vem passar um tempo com eles e o ex-marido de Zoey que se une a eles depois). Donos de um restaurante que serve café da manhã 24 horas por dia, o casal tem que se unir para manter a família sob controle e reunida, principalmente após uma mudança radical onde o patriarca começa a ficar mais ausente devido à expansão que os negócios têm.

Quando eles se mudam para um condomínio privado, com a maioria dos vizinhos sendo gente branca, as discussões pertinentes começam a aparecer, de forma singela, mas bem direta. A forma que eles são tratados ao chegar já mostra o problema que eles poderão enfrentar. Em certo momento, a Zoey leva as crianças para tomar banho de piscina e uma das moradoras chega e pergunta se ela é a babá, o que por si só causa um mal-estar. Mas não para por aí, ela continua e insinua se ela adotou as crianças, por conta da cor de pele mais clara, o que ela não hesitou em falar que foi normal e saiu de dentro dela.

Outro momento bem sutil é quando as crianças negras estão brincando com armas e ela pede pra eles brincarem só em casa, pois no lado de fora eles podem ser mal interpretados, onde a cena corta e mostra crianças brancas se divertindo normalmente. Essa discussão é algo bem interessante em se trazer para um filme familiar, pois nós vemos diariamente casos de jovens negros sendo confundidos com bandidos ou perdendo suas vidas por “mal entendidos” policiais.

A nova versão de Doze é Demais não é mais divertida que a original, mas ela é bem eficiente em falar sobre família. Eu assisti e pensei o quanto outros núcleos familiares deveriam assisti-lo. Seus discursos são necessários e trazer eles de forma sutil e leve, como foi trazido aqui, é essencial hoje e sempre. Acredito que um dos motivos de ter essa conversa com o público tão natural, se deve a Union ter sido produtora executiva, inclusive, suas cenas são as melhores do filme. Essa atualização foi necessária para uma obra que já era boa por si só, mas estava presa em conceitos ultrapassados. 

Inclusive, uma dica Disney+, vocês têm um potencial gigantesco para fazer uma série muito divertida. Muitas das crianças são extremamente talentosas, se sobressaindo várias vezes. O filme estreou no streaming no dia 18 de março e segue minha indicação. Vai dar play neles!

Nota: 8/10
Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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