Resenha literária: O Conde Enfeitiçado (série Os Bridgertons – livro 6)


(Foto: Beatriz de Alcântara)

Como vimos até aqui, a história de amor dos irmãos Bridgertons é, apesar de ser sempre épica, algo construído de forma gradativa, seja entre quem se apaixonou à primeira vista, seja entre quem levou um tempo para reconhecer o estado de paixão. O fato é que, em todos os casos, o romance vira algo grandioso e acrescenta mais um peso no parâmetro de casamento para os irmãos que ainda irão vivenciar isso.

Francesca Bridgerton aparece pouco ao longo dos livros dos outros irmãos, assim como quase não é vista na série, mas ela é queridíssima entre os fãs e a resposta está dentro do seu livro. O Conde Enfeitiçado, da autora Julia Quinn, é a obra que narra o romance vivido por Frannie, como é carinhosamente conhecida. Aos 22 anos ela vivia uma vida confortável, casada com John Kilmartin, um conde escocês, e os dois eram completamente apaixonados. O casal tinha uma relação, acima de tudo, de muita amizade e respeito. Na vida deles, quem também marcava presença era Michael Stirling, primo de John e basicamente o melhor amigo de Francesca.

Enquanto tudo parecia bem, John, um homem saudável com seus quase 30 anos, sente uma forte dor de cabeça, vai dormir e nunca mais acorda. Francesca se vê viúva e, logo depois, se descobre grávida. Como se não bastasse o sofrimento da perda do marido, pouco tempo depois Frannie sofre um aborto espontâneo e o último pedaço de seu amado que restava se vai. Ainda por cima, sofrendo tanto quanto ela, Michael se afasta – principalmente por se sentir culpado, visto que é o próximo na linha de sucessão ao condado.

Mas, esse não é o único motivo da culpa de Stirling. Ele, na verdade, sempre foi perdidamente apaixonado por Francesca, desde quando a viu pela primeira vez. Sufocando o amor por tantos anos, Michael se contentava em ser amigo de Frannie e, além disso, ele respeitava e amava muito seu primo, tendo convicção de que jamais tentaria algo contra ele ou contra seu casamento.

No entanto, parece que a vida tinha mais planos para Michael do que ele poderia prever. Se num dia ele estava às margens da aristocracia, querendo uma mulher que não podia ter e, apesar disso, feliz pela companhia de seu primo. No outro, ele era conde, tinha à disposição Francesca agora viúva e, por fim, perdeu seu grande amigo. Ou seja, a que custo ele poderia viver a vida que sempre quis?

Uma das melhores coisas desse livro, sem dúvidas, é o Michael. A personalidade dele, o carisma, sua desenvoltura e tudo mais. O histórico de libertino é muito similar ao passado de Anthony, mas ele tem seu charme, é claro. Além disso, as descrições dele em relação à como se sente junto de Francesca deixam você mais empolgado ainda torcendo pelo casal. Afinal, o leitor sente que, no fim das contas, John ficaria feliz com isso.

Esse livro é também o que mais contém cenas de sexo, eu acho. Ou, pelo menos, é o que tem mais detalhes e descrições. Olha, ao longo da série dos Bridgertons nos livros, vemos que todos os casais têm um fogo imenso, mas esses dois quase se superam. Juro!


(Foto: Reprodução/Netflix)

Assim como o livro de Eloise, o livro 6 fala sobre segundas chances também. E, a parte dramática, fica por conta de entender e assimilar o luto, tanto do marido, quanto principalmente do filho. Além do que, no decorrer dos livros e do epílogo, a gente encontra uma Francesca que, mesmo depois de casada com o Michael, ainda não consegue engravidar.

No miolo da história, antes do casal ficar junto, temos a Francesca decidindo que quer ter um filho e que, para isso, precisará se casar novamente, então ela decide retornar à Londres. Do outro lado, temos Michael viajando por todo o mundo para tentar tirar a condessa Kilmartin da cabeça, mas também chega um momento que precisa voltar para o Reino Unido e tomar as rédeas do condado.

O livro nos traz também uma abordagem sobre a malária, doença infecciosa que causa febre aguda e é transmitida pela picada da fêmea de um mosquito chamado Anopheles. Na história, Michael é infectado enquanto viajava pela Índia.

Michael Stirling é um dos meus agregados preferidos, não dá para negar. Eu gosto de tudo nele, como a Julia Quinn escolheu desenvolvê-lo, seus pensamentos e suas características mais íntimas, em relação à personalidade. Os princípios dele são sempre muito claros e estão em evidência a todo mundo, visto que afetam diretamente a forma como ele lida com o primo, com a Francesca e tudo mais.

Como dito, O Conde Enfeitiçado é um livro sobre segundas chances, sobre luto, sobre amizade e sobre seguir em frente apesar da dor. Assim como os outros, tem seu romance e suas cenas quentes, mas se preocupa em apresentar camadas densas de personagens que já nos são comuns dos livros anteriores, antecipar características de personagens que ainda ganharam seus livros e, é claro, introduzir e contextualizar os novos protagonistas (que em cada livro é o chamado agregado).

Nota: 9/10

Onde comprar? O Conde Enfeitiçado aqui
Editora: Arqueiro
Ano: 2015 (1ª Ed)
Páginas: 304
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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