Resenha literária: Os Segredos de Colin Bridgerton (série Os Bridgertons – livro 4)


(Foto: Beatriz de Alcântara)

Os Segredos de Colin Bridgerton é o quarto livro da série dos Bridgertons e, como no título já menciona, acompanhamos a história de amor do terceiro irmão, Colin. Escrito pela Julia Quinn, esse é um dos livros preferidos dos fãs da série, mas mesmo achando muito bom, não tá no meus favoritos. Apesar da tradução do título, os segredos descobertos nesse livro não são exatamente do Colin – já o título original, Romancing Mister Bridgerton, pode ser alusivo ao casal ou a hobby do jovem.

Colin vive numa espécie de limbo enquanto terceiro irmão, pois Anthony é o primogênito e recebe o título de Visconde e todas as responsabilidades junto; Benedict tem alma de artista e passa a desenvolver o trabalho como pintor depois que Sophie o encoraja. E Colin, bom, este ainda não sabe desenvolver bem suas habilidades e nem encontrar uma forma de se expressar com a qual se agrade.

Nisso, ele passa mais tempo viajando entre os países da Europa, Ásia e África do que em casa, junto à família. Usa as viagens para fazer novas descobertas e compensar a frustração de não ter algo com o qual se identifique. Na verdade, ele até tem, mas não consegue acreditar no potencial daquilo.

Do outro lado da história temos Penelope Featherington, uma jovem fora do padrão, de beleza considerada mediana e que circula pelos mesmos espaços que seu amado, incluindo sua casa, mas é vista sempre sob olhares de pena e compaixão ou de amizade, mas nunca de amor e desejo.

No livro 3 a gente tem uma cena em que o Colin tá conversando com o Benedict e acaba soltando que jamais se casaria com a Penelope, e diz isso no exato momento que ela entra no salão e escuta. Ele não sabia que ela ia entrar, obviamente, mas carrega essa culpa por ter feito sentir-se tão mal e ela, magoada, responde que nunca pediu que ele se casasse com ela.

Naquele tempo, acredito que boa parte da família Bridgerton já reconhecia o carinho mais especial que a Penelope nutria pelo Colin, mas que, até então, não era recíproco. Apesar disso, eles sempre foram muito próximos. Dançaram juntos em bailes, conversaram por horas a fio enquanto Penelope visitava Eloise na mansão Bridgerton e todas essas coisas, mas nunca cruzavam a linha.

Penelope tem duas personalidades distintas. Uma que ela mostra para as pessoas, com ar de ingenuidade e inocência, coberta pelo manto da timidez e da discrição; e a segunda, que é a que ela escreve. Featherington é a Lady Whistledown, que na série da Netflix a gente descobre no fim da primeira temporada, e solta todas as suas impressões e desabafos em relação à sociedade londrina pelo folhetim diário.

Por seu jeitinho de não chamar atenção, ela consegue passear e ingressar em vários espaços diferentes, estando por dentro de tudo que acontece na sociedade. Nesse livro, a gente consegue perceber a dedicação dela com o folhetim e que, no fim das contas, ele se torna mais do que um livreto de fofocas. É parte dela e é algo grandioso que ela construiu, sozinha, enquanto ninguém nem suspeitava de quem estava por trás.

O desenvolvimento de Colin e Penelope é lento, o jovem custa a aceitar que enxerga a moça com olhos mais quentes do que de um mero amigo. Enquanto ela é apaixonada por ele desde os seus 16 anos, quando o viu pela primeira vez, na história isso é por volta de 1812, e o Colin só vai retribuir esse amor mais de 10 anos depois. Inclusive, em dado momento da história, ele decide recomeçar com ela e se “reconhecerem”, a fim de mudar algumas das percepções que tinha, erroneamente, sobre Penelope.

Uma das minhas partes favoritas do livro é exatamente esse novo desenvolvimento que o casal ganha. Colin vai confiando e se abrindo cada vez mais para Penelope que, já entregue, mas ainda receosa, se deixa levar aos poucos no romance. Por outro lado, a amizade deles é uma coisa que só melhora dentro do romance. Eles são parceiros, confidentes e isso faz toda a diferença na relação.

Como falei antes, Colin tem uma forma de se expressar que não acredita ter potencial para desenvolver melhor, mas a Penelope o ajuda. Durante suas viagens, o jovem faz registros e anotações em seu diário, buscando sempre a riqueza de detalhes com descrições fiéis e também manter suas impressões através de passagens opinativas e reflexivas.

Os textos do diário de Colin são um presente à parte dentro do livro, pois nos envolve em um ambiente completamente diferente daquele da história. A mesma coisa vai acontecer no livro 6, com as cartas de viagens de Michael Stirling. Quando Colin compartilha com Penelope, ela, que já tem experiência com escrita e ele ainda não sabe, devolve elogios muito profissionais e inteligentes.

“– Bem, eu acho que um dos motivos pelos quais gostei tanto foi que pude sentir, de alguma forma, o seu prazer em escrevê-lo.

Colin passou um longo momento em silêncio. Jamais lhe ocorrera que escrever fosse algo prazeroso para ele. Era algo que simplesmente fazia. Fazia-o porque não conseguia se imaginar sem aquilo. Como viajar para terras estrangeiras e não manter um registro do que via, do que vivenciava e, talvez o mais importante, do que sentia?”


E essa é minha coisa favorita sobre Colin Bridgerton. Ele escreve. Algo que eu amo e que sempre fiz, desde que me entendo por gente. De todos os irmãos Bridgerton, talvez ele seja o que eu mais me identifico.

Na série, Colin é interpretado por Luke Newton e a Penelope é da Nicola Coughlan. Em relação à fisionomia que imagino para os personagens, os dois se encaixam perfeitamente. Contudo, tomara que desenvolvam mais a personalidade do Colin dos livros, porque ele é mais solto, engraçado e implicante com os irmãos; e a seriedade e quase timidez fica por conta de sua própria vida, quando ele consegue se expressar melhor com as palavras escritas ao invés das faladas.

Ainda em relação à produção da Shondaland para a Netflix, eu acredito que a história de Penelope e Colin deva começar a se desenvolver antes de chegar em uma possível quarta temporada, assim como o romance de outros irmãos Bridgertons. Acredito que nessa segunda, que estreia em 25 de março, já podemos ver alguma interação do casal.

Ah, o momento em que o Colin descobre que a Penelope é a Lady Whistledown é perfeito e, de imediato, a reação dele é meio babaca, mas depois o que ele faz com essa mulher é surreal de fofo. A revelação para todo mundo da família e da sociedade acontece em um baile na casa de Daphne e Simon Hastings – pelo visto, tudo acontece nessa residência rs. Depois de ser chantageada ao descobrirem sua identidade, Colin decide revelar o segredo de Penelope tomando as rédeas da situação, ao invés de ceder para a chantageadora.

A cena é sensacional, mas nem todo mundo está presente no baile. E é uma ausência bem importante, considerando que toda a história dela está interligada à de Penelope e que, enquanto o romance do livro 4 se desenvolvia, o dela também estava acontecendo e ninguém sabia de nada. Ainda.

Até a semana que vem – literalmente.

Nota: 8.9/10

Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Páginas: 336

Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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