Resenha literária: Para Sir Phillip, Com Amor (série Os Bridgertons – livro 5)


(Foto: Divulgação/Netflix)

A saga dos Bridgertons é muito marcada pela família. Seja a união familiar deles, seja o reflexo de como esse ideal amoroso em casa não é visto em todas as residências e muitas pessoas possuem problemas diversos dentro do que às vezes nem pode se chamar de lar. O fio condutor da história do livro cinco da série dos irmãos, intitulado de “Para Sir Phillip, Com Amor”, são as relações familiares. A história acompanha a jornada de Eloise Bridgerton em busca do amor, mas o que poderia ser apenas romance, se torna um compilado de lições referentes a experiências familiares boas ou ruins, sobre recomeços, sobre medos e sobre outros sentimentos como dever, desilusão, coragem, etc.

Aqui, diferente das demais histórias, Phillip já foi casado e tem dois filhos, Oliver e Amanda. Eloise o conhece “por acaso”, ao receber a notícia de que uma prima distante, Marina, teria falecido. Com base na educação que recebeu, a número cinco dos Bridgertons decide que é de bom tom mandar uma carta para o viúvo com suas condolências e de toda a família, de maneira geral. A jovem só não esperava que o rapaz fosse responder e assim eles entrassem nessa jornada de troca de correspondências.

Uma das coisas que eu mais gosto nesse livro é que ele se desenvolve simultaneamente com a história do livro quatro, Os Segredos de Colin Bridgerton. Em vários momentos da história de Colin e Penélope encontramos a dupla ou até mesmo outros personagens da família questionarem as manchas de tinta na mão da Eloise, mas ela sempre desconversa. Apenas quando é protagonista de sua própria história temos acesso ao que demandava tantas tintas e causava tanta sujeira: ela estava se correspondendo por cartas com alguém.

Eloise está com 28 anos quando a história chega em seu livro e, até então, ainda não casou. Já é considerada uma solteirona, assim como a Penélope era reconhecida na história anterior – ambas com a mesma idade. Contudo, o casamento de sua melhor amiga mexeu com ela, visto que o plano era de que as duas seriam solteironas convictas para sempre, digamos assim. Apesar desse discurso, Eloise nunca se casou por idealizar o amor. Assim como Benedict e Daphne, que desejavam se casar apenas por amor, ela tem esse desejo pelo reflexo do casamento de seus pais, Violet e Edmund, e isso só cresce com o exemplo dos irmãos: Anthony e Kate, Benedict e Sophie, Colin e Penélope e Daphne com Simon.

Difícil não acreditar no amor quando se está cercada dele.


(Foto: Reprodução/Netflix)

Por outro lado, Phillip Crane é mais prático, isso porque não teve “espaço” para sonhar, já que sempre esteve às sombras do seu irmão mais velho George, que morreu durante a guerra. Na história dos livros, o rapaz casa-se com Marina Thompson que logo engravida dos gêmeos, Amanda e Oliver. A questão é que Marina adoece, desenvolve uma profunda depressão e acaba morrendo depois de uma tentativa de suicídio. Essa questão acaba sendo um gatilho enorme para Phillip, causando uma sensação de insuficiência que alcança a sua relação com os filhos.

Logo, por conta desse histórico, ele tem o desejo de se casar apenas para garantir que as crianças tenham uma boa mãe. E, depois de um ano se correspondendo por cartas com a Eloise, ele acredita que ela pode ser uma boa escolha. A jovem decide então se aventurar e ir conhecê-lo pessoalmente antes de tomar qualquer decisão, apesar de acreditar que já o conhece o suficiente para saber que seria respeitada, cuidada e querida.

Só que Phillip não revelou tudo nas cartas, né? Como, por exemplo, como seus filhos são duas pestinhas e que a relação entre eles não funciona muito bem! Isso, a Eloise só vai descobrir pessoalmente e sendo vítima das pegadinhas da dupla.

Na série, esse enredo mudou um pouco. Na primeira temporada de Bridgerton, produção da Shondaland com a Netflix, Phillip e Marina já apareceram. Marina é uma parente distante da família Featherington (da Penélope) e está grávida desde o começo, mas ninguém sabia ainda. Ela se envolve com o Colin, inclusive. Daí, depois todo mundo descobre através da Lady Whistledown (rsrsrs) sobre a gravidez da jovem. O pai não é o Phillip, mas sim seu irmão, George Crane, e o grande amor da Marina, mas assim como nos livros, ele morre na guerra. Por conta disso, o Phillip sente que tem o dever moral para com a Marina e seus filhos, e então resolve se casar com ela – que aceita, é claro.


(Foto: Reprodução/Netflix)

Antes de chegarmos à Eloise e Phillip se conhecendo pessoalmente, preciso dizer que é ELA quem está faltando no momento do baile em que a Penélope e Colin revelam para todo mundo que a nova Bridgerton é a Lady Whistledown. A Eloise aproveita justamente a movimentação do baile para fugir de casa, saindo de fininho sem que ninguém desconfie. Como aviso, ela deixa apenas um bilhete em seu quarto que vão encontrar muitas horas depois de seu sumiço.

Com relação a essa ausência da Eloise na descoberta da Lady Whistledown, criei muita expectativa para o momento em que a Penélope ia contar para ela. Afinal, ela se mandou para o interior e tava tendo zero noção de tudo que estava acontecendo na cidade. Além disso, Eloise sempre foi uma das mais determinadas a descobrir a identidade da escritora e também gostava muito da maioria das opiniões. Se considerarmos ainda que Penélope e ela eram melhores amigas, as expectativas aumentaram ainda mais. Contudo, sinto que esse momento acabou sendo flopado, pois a Julia Quinn, autora dos livros, optou por tirar da Penélope essa revelação. Conto mais para frente sobre isso, vamos voltar ao casal.

Eloise chega até a casa dos Crane, conhece Phillip e já se depara com um rapaz belo, mas com um jeito meio bruto. Inteligente, mas extremamente reservado. E, depois de um ano de longas conversas escritas, mal conseguem trocar duas palavras na presença um do outro. Ela fica por cerca de uma semana lá, sofrendo com as pegadinhas dos gêmeos enquanto, aos poucos, conquista os dois pestinhas; além de tentar conhecer mais sobre Phillip, suas dores, e ir tentando encontrar um lugar para si mesma dentro daquela família.

Eloise e Phillip se casam, obviamente. Principalmente porque, quando os Bridgertons descobrem onde ela está, eles jamais deixariam que a honra da irmã fosse perdida, considerando que ela estava há uma semana na casa de um viúvo e sem acompanhante. Mas, eles decidiram se casar antes disso, e diferente dos demais irmãos, não foi uma paixão arrebatadora.

Ok, com Colin e Penélope existe uma construção de anos de amizade que se desenvolve em amor, mas a Pê sempre foi apaixonada pelo Colin e ele que foi mudando a percepção em relação à ela até ser tomado pelo sentimento. Com Eloise e Phillip, eles não se apaixonaram nas cartas e também não acontece isso de imediato no tempo em que passaram juntos.

Eloise desenvolve um carinho pelos gêmeos e passa a se esforçar para que Phillip tenha uma boa relação com eles. E aí, na medida em que ela faz dele um pai melhor e conquista as crianças com afeto, o rapaz percebe que ela seria uma boa mãe para eles. Seu principal objetivo estava cumprido. Enquanto isso, essas mesmas razões fazem com que ele olhe para ela com mais carinho, traçando o caminho do romance do casal. Além disso, o jeito teimoso e determinado de Eloise sempre irritou e chamou a atenção de Phillip.

Para ela, que sonhava com o amor, as crianças foram as responsáveis por conquistá-la primeiro. Depois de descobrir que elas eram vítimas de abusos e maus-tratos por parte da babá, não se imaginava deixando-os mais. Por outro lado, Phillip ia a conquistando aos poucos, quando decidia se abrir, quando a incluía, quando deixava ela fazer parte dos seus dias, da sua família e tudo mais.

Então, quando finalmente eles se envolvem, a paixão encontra o caminho que deveria tomar e eles passam a desenvolver esse romance. Mas, como eu disse, a decisão de casar já havia se construído por outras razões.

Para Sir Phillip, Com Amor é um livro que fala sobre segundas chances e sobre reconstrução. A relação de Eloise com sua família, como quando os irmãos vão buscá-la e defendê-la, faz com que Crane perceba que sua ideia distorcida de família não deve influenciar na criação dos seus filhos. Que ele pode fazer diferente de seu pai, por exemplo. Além disso, ele também ganha uma segunda chance em relação ao amor, encontrando alguém que está disposto a seguir com ele. Aos poucos, mesmo que indiretamente, Eloise o ajuda a superar a sensação de insuficiência que a morte de Marina lhe causou.

É um livro diferente dos demais, mas que tem uma construção muito bonita e que apresenta outras relações. É um cenário familiar diferente do que estávamos acostumados, ao mesmo tempo que se demonstra parecido com os demais agregados da família principal. É como se a Julia Quinn buscasse sempre mostrar que apesar de ser a construção familiar ideal, repleta de amor e carinho, os Bridgertons estão mais para exceção do que para regra. Simon tem problemas com o pai, a Sophie é bastarda e órfã, a própria Penélope é renegada em sua família e agora o Phillip, que sofreu abusos de seu pai e não conseguia criar os filhos da melhor maneira, mesmo que tentasse.

Para encerrar a questão da revelação, é durante o casamento de Eloise que a Penélope decide que vai lhe contar sobre Lady Whistledown, mas quando chama a amiga, descobre que ela já estava sabendo. Alguém contou antes. E alguém da família. Mas quem foi, eu só te conto quando chegar no livro dessa pessoa.


(Foto: Divulgação/Netflix)

Até a próxima semana!

Nota: 8.5/10

Editora: Arqueiro
Ano: 2015 (1ª Ed)
Páginas: 288
Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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