RESENHA: O Projeto Adam


(Imagem: Divulgação/Netflix)

A beleza da ficção cientifica é que cada autor pode criar um universo do seu próprio modo, estabelecer as próprias regras e desenvolver a história a partir disso. Obviamente, existem regras ditas como “universais”, da qual a maioria segue, mas isso de modo algum restringe as opções de quem é criativo de verdade. Ao mesmo tempo, ter apenas uma boa ideia não é o suficiente para conseguir um bom resultado. A coesão é necessária nesse tipo de gênero, além de respeitar os limites e ter cuidado com os exageros. O Projeto Adam acerta ao reconhecer essas variáveis.

No novo filme da Netflix, o protagonista Adam Reed (Ryan Reynolds) vive em um futuro não muito distante, mas que já conta com uma tecnologia capaz de promover viagens no tempo. Em meio a uma missão perigosa, ele acaba voltando ao passado e encontra a versão mais jovem dele mesmo, feita pelo ator mirim Walker Scobell. Juntos, os dois devem decifrar o que está acontecendo e providenciar uma solução para os problemas atuais e futuros e que podem afetar toda a humanidade.

A direção é do Shawn Levy. Ele é um nome bem recorrente em Hollywood nas últimas décadas, tendo dirigido bons filmes como: Doze é Demais (2003), Uma Noite no Museu (2006), Gigantes de Aço (2011), o mais recente Free Guy - Assumindo o Controle (2021), entre outros. Aqui, o diretor aposta em visuais marcantes para os artefatos tecnológicos, sejam eles as naves, armaduras e também as armas, bebendo um pouco da fonte de Star Wars. Tudo isso demonstra leveza para o público, que se afeiçoa e fica familiarizado rapidamente com o universo apresentado. Também há o destaque para as interações verossímeis dos personagens.

Por todo o decorrer do filme, as relações familiares são o ponto forte. O foco está no Adam e todas pessoas com quem ele se relaciona, seja ele mesmo, a mãe (Jennifer Garner), o pai (Mark Ruffalo) e outro membro que aparece mais à frente. Um ótimo elenco que gera sequências e diálogos emocionantes. O Ryan Reynolds domina o personagem e parece estar se divertindo em tela, demonstrando boas camadas de atuação.

O longa conta ainda com um desenvolvimento apressado, mas não necessariamente no sentido ruim da palavra. Rapidamente ficamos a par do que está em jogo e de como aquele mundo deve funcionar. Isso funciona muito bem na primeira metade. Embora, vale ressaltar que quando o ritmo pedia uma desaceleração, isso acaba não ocorrendo. Faltou uma melhor dosagem nesse sentido.

O Projeto Adam constrói um universo rico, estimulando a imaginação do espectador que rapidamente compra a trama proposta. Mesmo não sendo um filme perfeito, com resoluções simplórias demais para o nível que o próprio roteiro introduziu, o saldo final é favorável. Com cenas de ação divertidas e uma boa parceria do elenco e direção, a Netflix pode apostar em uma sequência tranquilamente, aproveitando ao máximo o potencial dessa aventuresca ficção científica.

Onde assistir? Netflix

Nota: 8/10
Micael Menezes
Micael Menezes

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