EM CARTAZ: A Pior Pessoa do Mundo (2021)

(Imagem: Divulgação/Oslo Pictures)

Envelhecer, amadurecer, trintar. Conceitos de vida que não cabe no tempo cronológico de todo mundo. A arte de ganhar idade e experiência como a sociedade espera é algo que vai de cada um, nem sempre o imposto vai ser acatado por todo mundo.

Vimos com frequência obras que tratam do fato de chegar aos 30, em como toda essa transformação afeta o psicológico do ser humano. Recentemente, tivemos a obra Tick, Tick.. Boom!, dirigida por Lin-Manuel Miranda e estrelada por Andrew Garfield. Em seu argumento principal, temos o personagem chegando na idade tão temida e todas as neuras o acompanhando. O que conquistou ou que deveria ter conquistado vem à tona. Toda aquela pressão de ser “alguém” ou de ter algo de “valor” é referido a ser ou não bem-sucedido.

O que encontramos no filme A Pior Pessoa do Mundo, filme de 2021 indicado ao Oscar desse ano em duas categorias, é a vida em suas mais variadas formas na figura de sua protagonista. O ato de estar chegando na idade balzaquiana, sem emprego fixo, sem um parceiro ou sem uma direção, faz a personagem Julie (Renate Reinsve) ser eu, você ou qualquer um que se identifique com essa versão da vida.

A agente condutora desse microuniverso começa essa história sem saber qual carreira seguir, decidindo com o coração o que pode ser que seja sua vocação. Em meio ao pequeno caos que se torna sua existência, ela encontra Aksel (Anders Danielsen Lie) e nele um possível futuro e estrada para trilhar. Aksel é mais velho que ela, mais estruturado e aquele sonho que todas possivelmente desejam. Mas, em meio tempo, as coisas começam a se complicar e Julie encontra em Elvind (Hebert Nordrum) algo novo e mais uma vez muda sua vida. Narrando quatro anos da estrada de Julie, o filme perpassa por estranhos sentimentos, descobertas e amadurecimento. Não só para ela, mas a todos que estão ao seu redor.

Todas essas transições são tratadas como forma de crescimento e aprendizado para nossa heroína. As quedas, como ela se ergue e quando ela se ergue. O estudo do personagem aqui é embalado com uma trilha sonora precisa e melancólica do Ola Fløttum, em uma fotografia fria, que altera de acordo com sua necessidade em cena.

A Pior Pessoa do Mundo é dividido em doze capítulos e um epílogo e cada um deles formam e transformam essa história em algo que é necessário ser relatado. Ela é, possivelmente, a história de todo mundo que chegou ou vai chegar aos 30 ou está em transição. Ela fala sobre a vida na mais dura e dolorosa forma. O filme fala sobre limites, sobre transpassar eles e ver até onde a linha vai. Uma hora ou outra você se encontra e se define como algo que nem você sabia que necessitava ser formulado. E no final você não é boa, nem ruim, e, com certeza, não é a pior pessoa do mundo. Você é apenas humano.

Nota: 10/10

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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