RESENHA: Kimi – Alguém Está Escutando


(Imagem: Divulgação/HBO)

A pandemia de Covid pegou todo mundo de surpresa. Na verdade, ainda estamos nos adaptando ao estilo de vida que pode mudar de uma hora para outra. Levando para o cinema, essas circunstâncias abriram oportunidades para que obras menores pudessem ser contadas mais facilmente. Uma trama se passando em pouquíssimas locações ou até mesmo em uma única, não é mais problema, basta ter uma boa construção para funcionar. Kimi: Alguém Está Escutando é um desses exemplos, mas que falha ao subestimar o espectador com resoluções simplórias.

No filme, que se passa nos dias atuais e na nossa realidade, uma nova assistente virtual, a Kimi, foi lançada para competir com a Alexa e a Siri. Buscando poder entrar no mercado de uma forma atrativa para os clientes, a empresa idealizadora propôs um diferencial: aperfeiçoar o programa através de pessoas reais escutando e corrigindo os eventuais erros de interpretação da Kimi, mas assegurando a privacidade ao não identificar de quem são os áudios. Uma funcionária da empresa, a Angela Childs (Zoë Kravitz), se vê em uma situação difícil ao escutar um possível crime e, a partir disso, tenta de todas as formas denunciar o ocorrido e ajudar a vítima.

Olhando para a parte técnica, Kimi: Alguém Está Escutando tem tudo o que precisa. O diretor, Steven Soderbergh, é um nome consolidado em Hollywood, com um currículo recheado de bons filmes, entre eles o Terapia de Risco de 2013. A premissa de acompanharmos um mundo ainda afetado pelos problemas da pandemia é interessante, não precisando sair da casa da Angela, trabalhando em home office, para o enredo evoluir. Entretanto, nem mesmo a Zoë Kravitz conseguiu dar conta com um elenco de apoio fraquíssimo e sem propósito. A protagonista tem um trauma que a impede de realizar atividades simples do cotidiano, e conseguimos nos simpatizar com ela por conta dessa atuação competente.

O filme tem um ótimo começo, apresentando calmamente o ambiente da história para o público, mas se perde a partir da metade quando resolve acelerar a trama, jogando personagens irrelevantes na tela apenas com o intuito de tentar criar uma tensão para os acontecimentos que deviam ser angustiantes por si próprios. Tinha tudo para ser melhor caso focasse na visão micro do roteiro, que seria a questão da investigação para resolver um crime sem muito recurso, como já aconteceu em filmes como Celular: Um Grito de Socorro (2004) e Por um Fio (2002), porém, prefere ir para o macro, criando uma grande aventura, sem necessidade, tornando enfadonho de se acompanhar.

Nota: 5/10

Onde assistir? HBO Max
Micael Menezes
Micael Menezes

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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.