RESENHA: O Homem nas Trevas 2


(Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Quando um filme de Hollywood faz um sucesso mesmo sem ninguém esperar, existem as consequências boas e ruins. A boa é o reconhecimento merecido, seja para o roteirista, diretor, responsáveis pela parte técnica ou parte do elenco. A ruim é que, muito provavelmente, os estúdios e empresas responsáveis pela distribuição irão solicitar uma sequência para aquela história. Não importa se ela já tenha sido fechada de maneira ótima, sem a necessidade de uma continuação. Temos inúmeros desses exemplos ao passar dos anos e, O Homem nas Trevas 2, é mais um deles, embora ainda tente entregar uma conclusão decente para a mais nova “franquia”.

Neste segundo filme, seguindo os eventos do anterior, Norman Nordstrom (Stephen Lang) vive agora isolado junto com a Phoenix (Madelyn Grace), tentando recriar a relação de pai e filha e de uma família, da qual ele perdeu desde os acontecimentos de O Homem nas Trevas (2016). Porém, o veterano da marinha tem novamente a casa invadida por bandidos que buscam sequestrar a jovem garota, por razões que são respondidas na medida em que o enredo avança.

É difícil para o público se importar com o protagonista por conta das ações dele no primeiro longa. Mesmo ele buscando uma redenção, tendo o apoio verbalizado de outros personagens, ainda há uma distância entre o Norman e o espectador. É alguém asqueroso, que só se importa com o próprio bem-estar. Então, como reverter essa sensação? A aposta foi no carisma da personagem Phoenix e a relação dela com o pai, e trazer antagonistas ainda mais escrotos, direcionando o ódio para eles.

A parte técnica se sobressai, dosando a trilha sonora de forma inteligente, até mesmo apostando no silêncio em alguns momentos de tensão, fazendo quem assiste ter ainda mais foco para não deixar passar nada. O trabalho de iluminação é outro destaque, já que boa parte se passa no escuro, mas ainda assim, o uso das cores do ambiente servem para realçar as cenas de ação. O clima de terror, porém, não se compara ao primeiro filme. Tentaram de forma artificial imitar tudo que deu certo anteriormente, mas as motivações dos personagens não são as mesmas, enfraquecendo as sequências de invasão e até mesmo o “plot twist” é raso.

O resultado final é mediano porque o roteiro não consegue manter a consistência esperada. A tentativa de introduzir porções de dramas não funciona, é artificial. Mas, o que importa é o lucro, dando espaço para uma cena pós-crédito que deixa abertura para tentarem espremer ainda mais essa história que, visivelmente, já deu o que tinha que dar. Pelo menos, com o protagonista atual. Uma saída seria utilizar da mesma premissa, mas alterando o restante. Veremos o que virá a seguir.

Nota: 6/10

Onde assistir? HBO Max
Micael Menezes
Micael Menezes

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