Desculpe o transtorno, mas que seja eterno enquanto dure ou que dure para sempre?

(Foto: Reprodução/Star Channel)

Compositor de destinos, um dos deuses mais lindos. Tempo, tempo.

Você, caro leitor aí do outro lado, tem problemas com despedidas? Em aceitar quando as coisas realmente chegaram ao fim e entender que precisa deixar ir, se desvencilhar e encerrar aquele ciclo? O meu objetivo era guardar This Is Us para ser tema da coluna na semana que vem, já que o último episódio estreia hoje nos EUA e chega ao Brasil na próxima quinta-feira. Mas, foi justamente esse o motivo que me inquietou para escrever sobre esse tema hoje: eu não estou pronta para dar adeus.

This Is Us é uma das minhas séries preferidas, sem dúvidas, mas, mais do que isso, ela é a melhor série que eu já assisti na vida. Bem feita, em todos os seus detalhes, desde a escolha do elenco para cada fase, o roteiro dos episódios, a fotografia, a trilha sonora…tudo! Emocionante, com narrativas que se aproximam do nosso cotidiano, seja em relação à família, aos amores, às amizades, questões políticas, raciais, sociais, e tudo isso abordado com muita delicadeza e sensibilidade.

“Quem me conhece, sabe” que ao longo desses seis anos da produção, eu chorei em todos os episódios – alguns de forma mais copiosa do que outros, mas sempre com as lágrimas presentes ali nos olhos. E pela coleção de todos esses pequenos argumentos aqui mencionados, é simplesmente muito difícil aceitar que acabou. Depois de quinta-feira não haverá mais esperas e expectativas, não terá mais Pearsons se preparando para uma nova temporada, sem mais dramas e sem mais risos relacionados a essa família que aprendemos a amar. A c a b o u.

No elenco, o casal protagonista é interpretado por Mandy Moore (Um Amor para Recordar) e Milo Ventimiglia (Gilmore Girls) – vocês sabem que eu amo este homem. O Milo foi meu principal motivo para começar a assistir a série, ele faz o Jack Pearson, que está no rol de homens perfeitos e inexistentes, é claro. Mandy dá vida a Rebecca Pearson e, para mim, a série inteira é sobre ela. Sobre sua força, suas relações, sua forma de enxergar o mundo, sua maternidade e, enfim, sua vida.

No penúltimo episódio, que eu assisti domingo, um personagem específico diz a ela a seguinte frase: se algo te deixa triste quando termina, devia ser maravilhoso enquanto estava acontecendo. É esse o sentimento em relação à This Is Us e é também uma frase que se encaixa na vida, em diversos outros momentos.

Pensando em como não me julgo pronta para me despedir da série, relembrei outras tantas vezes em que tive dificuldade de dar adeus. Não se trata nem de questões relacionadas à morte, por exemplo, porque eu tenho uma dinâmica de começo, meio e fim para lidar com o luto. Contudo, com coisas mais triviais ou pessoas de passagem pela minha vida, daquelas que sabemos que estão ali por determinado ciclo, tenho muita dificuldade em deixar ir.

Relacionamentos amorosos, grandes amizades (ou mesmo as mais curtas), eu aprendi a insistir. Eu insisto e demoro a colocar um ponto final, porque em algum momento da minha vida eu entendi que quando eu, realmente, encerro um ciclo, não volto para ele. Então é duro me despedir, porque no final das contas eu sei que estou deixando aquilo ir de forma permanente. Deve ser culpa do signo essa coisa dramática, mas faz parte.

Mesmo quando me despeço e alguém, por acaso, volta para minha vida, é completamente diferente. Se era uma relação de proximidade, se torna alguém que eu não faço questão de ter por perto. Não trato mal, mas se for embora não sofro mais. Dá para entender?

E aí, como se não bastasse essa dificuldade em soltar a mão de This Is Us, em um dos episódios dessa última temporada, o personagem Randall Pearson (Sterling K. Brown) discursa sobre o tempo. Sobre como o tempo passa mais devagar quando somos mais novos e como agora, à medida que envelhecemos, esse tempo parece passar cada vez mais rápido. E a partir disso, alguns muitos momentos vão nos dar vontade de parar o tempo – e em outros teremos a sensação de que o tempo está passando um pouquinho mais devagar só para vivermos mais daquilo.

Queria que a quinta-feira se prolongasse para que a série não acabasse, queria que o ponteiro do relógio atrasasse em sábados que estou reunida com meus amigos, queria que a roda da vida fosse mais devagar com os anos…Mas, se a gente não consegue parar o tempo e nem fazê-lo passar mais lento, que a gente lembre de aproveitar cada minuto como se fosse o último então.

E aqui, nessa mistura de This Is Us com About Time, eu quero te convidar a viver mais momentos como se o tempo estivesse parando para aquilo (ou como se tivesse voltado no tempo várias vezes para aquele momento ali), prestando atenção nos detalhes, nas pessoas, no ao redor; o tempo não está passando mais rápido do que quando éramos mais novos, é que agora temos tanta pressa, vivemos correndo, olhando para os ângulos errados, que deixamos de aproveitar a vida com a leveza e simplicidade de quando nossa maior preocupação era entrar em casa pra beber água sem ser visto para poder voltar para brincar.

Mas, mais do que tentar apreender o tempo e a vida (e as pessoas, de certa forma), que a gente aprenda também a hora de soltar. A hora de entender quando algo acabou, quando não vale mais a pena, quando o ciclo se concluiu – bem naquela analogia de que, às vezes, continuar segurando a corda na mão é mais doloroso do que soltá-la.

Parece confuso, mas esse é o agridoce equilíbrio da vida entre compreender os apegos, mas aceitar os desapegos mais ainda. Isso é muito do que fala This Is Us, do que ela ensinou ao longo desses seis anos. Entre os finais e os recomeços existe aquele pequeno minuto de coragem de tomar uma decisão libertadora. Entre os finais e os recomeços existe aquele pequeno minuto de sabedoria de olhar tudo, respirar fundo, absorver o que fica e deixar ir o que tem de ir.

Apesar de ainda não estar pronta para dar adeus aos Pearson, eu olho para essa trajetória de seis temporadas e agradeço porque escreveram da melhor forma possível, entregaram da melhor forma possível e estão sabendo a hora de terminar. Vai deixar saudades, mas “viveu o suficiente para se tornar inesquecível”. Às vezes, é só sobre isso.

E aí, quer parar o tempo?

Onde assistir? Star+

Minha nota para essa série já é 10/10 desde o primeiro episódio. 


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Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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