ATERRORIZADAN: O cinema de terror Found Footage

(Imagem: Divulgação/ Haxan Films)

Quando se fala de cinema de terror, um dos pontos mais marcantes é o baixo orçamento. Os diretores dão giros de 360 graus para trazer histórias que prendam o público e assim, quem sabe, em futuros projetos, o caixa fique maior. Um dos caminhos mais apresentados para diretores que não possuem tanta grana assim é o investimento em filmes no formato de found footage.

Found Footage, ou fitas encontradas, é um subgênero cinematográfico onde o mote é o desenvolvimento envolto de películas gravadas de forma caseira, sem “técnica”, dando a impressão de que seja tudo real. Ou seja, o filme acaba sendo as fitas encontradas. Em 1999, o filme A Bruxa de Blair deu um susto no mundo todo e, com um orçamento de 60 mil dólares, arrecadou cerca de 249 milhões de dólares. O filme é um dos maiores faturamentos de todos os tempos.

Possuindo um elenco de desconhecidos, A Bruxa de Blair trazia apenas três atores perdidos numa floresta, com toda a parafernália de uma produção de filmes, buscando gravar um documentário sobre a famosa bruxa. A jogada de marketing também foi incrível. Em uma época onde o acesso a internet não era como hoje, e spoilers não eram uma doença virtual, A Bruxa de Blair foi “vendido” como uma fita real, fazendo muita gente acreditar durante um bom tempo da veracidade do que foi visto.

Por mais que A Bruxa de Blair tenha sido um fenômeno e popularizado esse subgênero no mainstream, ele já vem sendo produzido desde 1980, tendo sua abertura datada pelo lançamento do polêmico Canibal Holocausto do mesmo ano. O filme italiano, banido em vários países, trouxe uma história controversa e cenas tão realistas que o diretor Ruggero Deodato chegou a ser preso por acusações de obscenidade e chegaram a acreditar que a obra se tratava de um filme snuff, onde afirmaram que atores realmente tinham sido mortos na realização da fita.

Um dos grandes chamarizes de filmes found footage está na clareza de ideias, onde o público sente que está assistindo algo real. Sem atores famosos, sem técnica de direção, com câmera tremendo e uma iluminação real, filmes assim invocam o medo de forma mais genuína. Pois, o que é mais assustador do que a identificação de algo horripilante trazendo em um filme de terror?
 

(Imagem: Divulgação/Filmax)

Após oito anos da estreia de A Bruxa de Blair, em 2007 o cinema teve uma explosão de filmes com a temática e dois dos grandes expoentes desse movimento com toda certeza foram os filmes Atividade Paranormal e o espanhol REC. Devo ressaltar, que o lançamento de Atividade Paranormal em 2007 se deu em festivais, saindo apenas para o grande público em 2009. Mas ainda assim, seu impacto foi sentido. Ambos os filmes tiveram continuações, se transformando em franquias de sucesso, não se mantendo em níveis de qualidade de seus originais, claro.

A partir desse momento, foram vários os filmes, com temáticas das mais variadas, trazendo o found footage em sua proposta. Alguns, claro, deturpando a ideia original de algo mais caseiro, se transformando em grandes blockbusters, tirando assim, sua maior essência. Mas, mesmo assim, grandes obras merecem o seu destaque, como é o caso de Cloverfield, filme de 2009, dirigido por Matt Reeves e produzido pelo J.J. Abrahams, trazendo uma história estilo Godzilla em seu plano de fundo.

Nos últimos anos, com as novas tecnologias, o found footage ganhou uma nova forma de ser encontrado, não sendo mais fitas/vhs e sim vídeos na internet ou até uma live de Zoom ou Instagram. É o caso de Host, filme feito durante a pandemia que traz atores desconhecidos em uma chamada de Zoom que é afetada por uma presença maligna.

Com o advento da internet, a atualização e o modo de se fazer cinema foi amplificado, trazendo novos rumos em como trazer um filme para o grande público, A maior e mais eficiente, ainda é o boca-a-boca, o fazendo ser viral. Em épocas de TikTok, o filme de 2011, Megan is Missing, tomou conta da rede social de dancinha e apresentou “como uma história real”, o filme de horror dirigido por Michael Goi. Em 2020, ele “hitou” e ganhou a rede da internet, com teorias e vários sustos. De fato, a história é baseada em um caso real, mas isso não é assunto para esse #Aterrorizadan.

Em meio a tanta porqueira, o found foontage no cinema de terror, ainda é uma ótima saída para diretores que querem iniciar seus projetos com baixo orçamento, apresentando para o público ideias novas e ousadas. Vocês gostam de filmes assim? Se sim, tem algum preferido?

Por hoje é só e até a próxima. 💀


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Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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Autoria de Clube do Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.