RESENHA: The Morning Show (1ª temporada)


(Foto: Divulgação/AppleTV+)

Sou fã da Jennifer Aniston, sou fã da Reese Witherspoon e sou fã do Steve Carell, logo, me senti na obrigação de assistir The Morning Show – além do Jornalismo, é claro. Quando eu comecei a série também estava no começo, mas acabei parando por um tempo e retomei há poucas semanas, finalizando a primeira temporada finalmente.

Lançada pela AppleTV+, a série estreou em 2019 e foi um sucesso logo de cara. A trama não é leve, já adianto, pois apesar do elenco muito conhecido por sua ligação com a comédia, o enredo gira em torno de denúncias de abuso sexual e moral dentro do ambiente corporativo.

Aniston interpreta Alex Levy, âncora do telejornal matinal The Morning Show, onde divide bancada com Mitch Kessler, interpretado por Carell. Quando ele é denunciado por má conduta sexual na emissora, e é afastado do trabalho por consequência da repercussão, Bradley Jackson entra em cena. Jackson, como você pode prever, é o papel de Reese. Esse trio é sutilmente orquestrado por Cory Ellison (Billy Crudup), que atua como diretor de noticiário da UBA, emissora do TMS.

A primeira temporada se passa num espaço de três a quatro semanas, com flashbacks do passado. Durante esse período temos a difícil adaptação da nova dupla, Alex e Bradley, temos os bastidores das investigações contra o Mitch e tudo isso sob a ótica do jogo de poder dentro da emissora, desde a bancada até os mais altos cargos. Questões como machismo, relações de trabalho, assédio sexual e estupro, corporativismo, o papel do jornalismo, entre outros aspectos, são debatidos verbal e não-verbalmente pela produção.

Não é à toa que Jennifer Aniston concorreu o tanto que foi possível ao Emmy por Melhor Atriz em Série Dramática com a sua Alex Levy. Uma das melhores cenas, inclusive, é uma explosão que ela tem com a filha Lizzy (Oona Roche) onde a pauta é carreira, maternidade e casamento. Sensacional.

Reese Witherspoon também entrega uma Bradley Jackson destemida, persistente, com uma avidez jornalística que leva para TMS o gás de iniciante que os demais profissionais já haviam perdido. Além disso, ela leva humanidade. Seu olhar social para as pautas mexe com a estrutura do The Morning Show, que estava acostumado a colocar panos quentes nas coisas e não ir além do raso quando deveria.

Steve Carell é uma grata surpresa, mais uma vez mostrando toda sua versatilidade. Mitch deveria ser asqueroso, quase como a figura de um monstro, mas se na vida real nos deparamos com abusadores sob a pele de “caras legais”, “homens de bem”, às vezes até dentro de casa, na série não seria diferente. Kessler é um cara legal, profissional competente, um pai exemplar e um marido que personifica muito bem o casamento perfeito, mas esconde debaixo do tapete uma coleção de casos e, é claro, de relações não-consensuais com mulheres do local de trabalho que estão em uma posição abaixo dele.

Já tinha visto o Carell em drama no longa-metragem Little Miss Sunshine, onde ele interpreta Frank Ginsberg, tio de Olive que estava internado em um hospital psiquiátrico após uma tentativa de suicídio. Contudo, o que ele entrega com o Mitch é impressionante. Como dito, você sabe que deveria odiá-lo e você o odeia, mas em muitos momentos ele se mostra somente um cara legal que pode estar sendo vítima de difamação. É nojento e o mérito é todo do ator pela interpretação impecável.

Mas, de todos os meus elogios, a mais merecedora é Gugu Mbatha-Raw (você deve conhecê-la de Loki). Eu não dava nada pela personagem dela, a Hannah Schoenfeld, mas ela entregou absolutamente tudo. Minha maior e melhor surpresa com a produção. A personagem é uma espécie de produtora júnior e mostra que é muito boa no que faz. Aos poucos ganhamos mais dela em tela e a atuação de Gugu é absurda, faz valer a pena cada segundo.

Ou seja, The Morning Show é uma coleção de boas atuações, frente a uma boa história e uma boa direção. Certamente essa é a receita do sucesso e é completamente justificada. O segundo ano da produção já está disponível também na AppleTV+ e eu já comecei a assistir, mas não consegui esperar para resenhar tudo junto, então nos vemos aqui em breve.


Nota: 10/10
Onde assistir? AppleTV+


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Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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