Arremessando Alto é uma cesta de três pontos na carreira de Adam Sandler


(Foto: Divulgação/Netflix)

Gosto de pensar que o Adam Sandler chegou em um ponto da carreira que consegue fazer, basicamente, qualquer trabalho que quiser. Não do ponto de vista de ser convidado para quaisquer grandes projetos, mas de ter liberdade para desenvolver e aceitar aqueles que ele acredita no potencial – nem que seja para zoar, como foi o caso de Halloween do Hubie. Por que eu estou dizendo isso? Porque seu projeto mais recente parece ter sido desenvolvido sob medida para o ator. Sim, eu estou falando de Hustle, que no Brasil foi traduzido como “Arremessando Alto”.

Para quem sabe um pouco da vida do ator, além de acompanhar outros trabalhos no cinema, fica bem claro fazer essa associação, visto que ele é apaixonado por basquete. Depois de vários filmes em que seu personagem tem o esporte como hobby, finalmente chegou o momento de chegar mais perto da temática a partir da ótica profissional, mas não menos apaixonada.

Em Hustle, encontramos o Sandler interpretando Stanley Sugerman, um olheiro de basquete que não tem tanta sorte assim em encontrar a futura grande estrela do NBA, mas ainda assim não desiste. É justamente por não desistir que o acaso faz ele esbarrar em Bo Cruz, vivido aqui por Juancho Hernangómez. O potencial de Bo é tremendo e Stanley acredita que pode agregar a técnica em todo esse talento, fazendo do jovem um grande nome na liga de basquete.

Se você não faz ideia do que significa a NBA, calma que eu te explico resumidamente. A sigla vem do nome National Basketball Association e é a principal liga de basquete do mundo e da América do Norte. Ela possui cerca de 30 franquias e existe desde 06 de junho de 1946. Dentre as principais equipes que participam da liga, que se divide em Leste e Oeste, estão Golden State Warriors, Chicago Bulls, Los Angeles Lakers, Boston Celtics, New York Knicks e vários outros, incluindo o Philadelphia 76ers, time que vai ter bastante foco em Hustle.

Na trama, depois de voltar para os Estados Unidos com o Bo Cruz à tiracolo, o Stanley não consegue provar que o garoto tem chance na disputa e passa a arcar com a resposabilidade e as despesas às próprias custas a fim de garantir que esse “tesouro” não seja dispensado antes de ter uma chance verdadeira.

O filme é mais dramático do que engraçado, mas não perde o timing do humor, afinal de contas ainda trata-se do Adam Sandler. O entrosamento dele com o Juancho faz da dupla um grande acerto diante do elenco, considerando que eles são donos do maior tempo de tela da produção. Ao lado de Sandler, também temos Queen Latifah, que interpreta a esposa do olheiro, Teresa.

Hustle se mostra muito fiel aos bastidores do processo que leva os jovens jogadores ao draft da NBA e esse ponto é mérito da produção, principalmente, que além de ter Adam Sandler, também conta com a assinatura de LeBron James, astro dos Lakers. A direção do filme é de Jeremiah Zagar e o roteiro se divide entre Will Fetters e Taylor Materne.

Outro ponto que contribui para a verossimilhança entre ficção e realidade é o elenco composto de, majoritariamente, jogadores de basquete, a começar pelo próprio Juancho. O profissional foi selecionado em 2016 para o Denver Nuggets e recentemente foi contratado pelo Toronto Raptors. Outro titular da NBA presente na produção é Anthony Edwards, que joga pelo Minnesota Timberwolves desde 2020 e interpreta Kermit Wilts, principal rival de Bo Cruz.

Tem até participação da família Curry, do astro Stephen Curry, jogador do Warriors. Seu irmão, Seth Curry, que joga pelo Brooklyn Nets, aparece no filme. No elenco geral temos outros nomes como Heidi Garner, Kenny Smith, Jordan Hull, Ben Foster, etc. Esse é um dos raros filmes que não conta com nenhum nome já conhecido por trabalhar com o Sandler, como Salma Hayek, Maya Rudolph, Rob Schneider, Kevin James, entre outros.

Como eu disse mais acima, o filme pende mais para o drama do que para comédia e ainda bem. Por ter sido construído dessa maneira, a gente consegue ver mais camadas tanto do processo, e para quem gosta de basquete (como eu gosto) deixa tudo mais interessante ainda, quanto dos próprios atores e de suas interpretações. Ah, e lembrando que o Juancho é jogador e não ator, mas ainda assim fica “fácil” entregar uma atuação de algo que ele mesmo vivenciou, né?

Não lembro se me incomodei com algo depois de finalizá-lo, visto que tem quase dois meses que o filme estreou, mas, se teve, não foi algo de grande relevância – do contrário, eu lembraria. Uma outra curiosidade da trama é que apesar de serem rivais no longa-metragem, Hernangómez e Wilts jogaram juntos em 2019 e 2021 no Timberwolves.

Por fim, se ainda não te convenci a assistir, reitero que é um filme interessante, com certa profundidade e um ótimo equilíbrio com doses de humor. Cativante, vai te fazer ficar torcendo pelo personagem e ainda vai proporcionar uma outra visão do trabalho de Adam Sandler, que se desenvolve muito bem aqui – e eu acredito que seja pela conexão com o esporte. As ambições de seu personagem são o fio condutor da trama que desemboca na realização de sonhos para muitos dos envolvidos no enredo.

É um filme sobre sonhar e, mais do que isso, sobre acreditar na força desses sonhos. Ao mesmo tempo, ele nos lembra a todo momento que tudo fica mais fácil quando encontramos pelo caminho pessoas que confiam no nosso potencial e, por isso, abrem portas e caminhos para as irmos até às conquistas.

O filme se tornou o longa mais bem avaliado do ator, alcançando um percentual de 93% de aprovação de crítica e audiência no Rotten Tomatoes. É oficial, a junção de basquete, cinema e Adam Sandler nunca deu tão certo.

Nota: 9/10
Onde assistir?  Netflix


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Beatriz de Alcântara
Beatriz de Alcântara

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