EM CARTAZ: O Telefone Preto

(Imagem: Divulgação/Blumhouse)

Filmes de terror e suspense sempre chegam com grande expectativas de aterrorizar uma geração. O maior embate entre eles é ser mais assustador que O Exorcista, que para muitos é tido como “o maior filme de terror de todos os tempos”. Para mim, isso é uma luta perdida e creio que cada filme traz uma proposta única de ser o seu próprio grande filme. Alguns conseguem se sobressair em meio a tanta tralha que é lançada no gênero.

Quando O Telefone Preto foi lançado, a crítica especializada logo se deitou para a obra e tratou de aclamar. Dirigido por Scott Derrickson, que vem de obras como O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade, e que dirigiu Doutor Estranho em 2016. Experiente em trazer obras aterrorizantes, sem apelos a grandes artifícios, Derrickson consegue fazer a diferença em sua nova obra.

Baseado no livro Fantasmas do Século XX, do Joe Hill, que tem como pai o mestre Stephen King, o filme pega o conto de mesmo nome e faz um ótimo trabalho. Hill, que aprendeu muito bem com o pai, trazendo um suspense muito bem construído e que lembra em alguns momentos IT: A Obra Prima do Terror, de King. Ao misturar o mundo real com aspectos místicos, a obra cresce e se expande de maneira singular.

No filme, algumas crianças estão desaparecendo e logo no início somos surpreendidos por um sequestro em plena luz do dia. Se passando na década de 70, o protagonista é o Finney (Mason Thames) e sua irmã Gwen (Madeleine McGraw). Filhos de um pai alcoólatra, sua mãe suicidou e aparentemente ela possuía o mesmo dom de sua filha, que tem sonhos clarividentes. Esse “poder” da Gwen é oprimido pelo pai.

Como já é de se imaginar, Finney é levado pelo serial killer Albert Shaw (Ethan Hawke), ou The Grabber, como ficou conhecido. Levado para um sótão à prova de som, o garoto vai precisar lutar pela sua vida. No quarto, tem apenas um colchão e um telefone preto grudado à parede, que o Grabber afirma não funcionar. Ao menor sinal, o telefone toca e uma pessoa fala com o Finney. Aos poucos, o nosso protagonista vai descobrindo que aquelas vozes vem das crianças que sumiram ao longo do tempo e foram mortas ali, naquele quarto. As vozes por trás do telefone buscam ajudá-lo a vencer o assassino, pois eles passaram por tudo aquilo antes.

No olho do furacão, a Gwen busca em seu dom uma forma de encontrar seu irmão desaparecido. Em seus sonhos, ela consegue adentrar em acontecimentos que na forma de um quebra-cabeça vai guiando-a até o antro do nosso antagonista. Aos poucos, tudo vai sendo construído, sendo dosado em pequenas porções. O suspense e as investigações convergem de maneira muito sutis.

O filme utiliza sabiamente o que lhe é dado, sem precisar apelar a jumpscare aos excessos, como vários filmes fazem ultimamente. As atuações dos jovens são de uma maturidade sem igual, junto com a sintonia do Mason e da Madeleine, que fazem uma parceria muito legal. Ethan Hawke é um show à parte, onde consegue brilhar de forma natural com seu talento. Ele é um monstro, tanto na atuação quanto dentro do filme. Sem escrúpulos, levando a momentos de loucura total seu personagem.

O filme pode desagradar quem espera um filme de terror que dá arrepios na espinha. Aqui, o suspense é o foco e os momentos são feitos com maestria. Tal qual filmes como It: A Coisa, a pureza juvenil se mistura ao terror latente dos acontecimentos. Você teme que realmente algo possa acontecer ao nosso protagonista. As máscaras utilizadas pelo Grabber são obra do mestre Tom Savini, que tem em seu currículo Sexta-Feira 13, Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos.

O Telefone Preto estreou nos cinemas estadunidenses em 24 de junho e chegou oficialmente hoje, dia 21 de julho, aqui no Brasil.


Nota: 8,5/10


Confira abaixo o trailer:

Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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