Resenha Literária: Greenwich Park

(Foto: Adan Cavalcante)

Ao olhar para a capa de Greenwich Park, primeira obra da jornalista britânica Katherine Faulkner, algo te instiga a começá-lo. A arte desenvolvida pelo designer Leonardo Iaccarino entrega um emaranhado que remete a história, que vai se interligando e se enroscando ao desenrolar das páginas.

Greenwich Park é um thriller psicológico que faz qualquer um se prender e não desgrudar dessa história. Tendo três pontos de vista, a nossa protagonista é a jovem Helen, que se encontra grávida e extremamente solitária. Ao iniciar um curso de gestantes, ela conhece Rachel, uma garota tresloucada, que causa desconforto, inicialmente, em todos os seus modos.

Ah, um ponto que deve ser ressaltado é que o livro tem início com alguém escrevendo uma carta para Helen, de dentro de uma penitenciária. Um dos maiores mistérios do livro, o principal, é descobrir quem é o sujeito em questão. Ao desenrolar do livro, existem diversos apontamentos para vários personagens.

A relação entre Helen e Rachel começa a ser criada, às vezes, aparentemente de forma forçada pela segunda. Após tirar a licença maternidade, simplesmente Helen se viu sem nada a se fazer. Seu marido vive no trabalho, suas amizades seguem suas vidas e enquanto isso, a única amizade que sobrou é a que ela menos deseja.

Serena é a esposa do irmão mais velho de Helen, Rory. Apresentada como de uma beleza única, de um charme gigantesco e de um gosto ímpar, ela é uma personalidade social, diferente da cunhada, cercada de amigos. Em vários momentos do livro, é mostrada uma pequena rivalidade entre as duas. Seja por parte de inveja da Helen, ou pelo ar de superioridade da Serena, que vê na cunhada alguém sem sal.

O terceiro personagem é a Katie, jornalista e amiga de infância da Helen, atualmente está em um relacionamento com o irmão mais novo da protagonista, Charlie. Focada em seu trabalho, no momento está cobrindo um caso de estupro que envolve grandes nomes. Ela se vê cercada por esse caso, tanto profissionalmente quanto emocionalmente.

Entrelaçados, esses personagens vão adentrar em curvas que serão difíceis de sair. Nossa protagonista, Helen, começa essa história com 24 semanas de gravidez, que vem calejada devido a abortos que a afetaram profundamente. Toda a ambientação nos proporciona a solidão e vulnerabilidade que ela se encontra. Sem apoio de ninguém, pois Daniel, seu marido, está mais focado no trabalho, ela acaba entrando na vida conturbada de Rachel.

A única colega que ela tem ultimamente, mesmo grávida, mantém vícios e foge todas as recomendações medicas. Aos poucos, tanto Helen, quanto nós leitores, começamos a observar e descobrir coisas sobre Rachel que cria aquela pulguinha atrás de nossa orelha. Aliás, esse livro faz muito bem a concepção de mistérios e duvidas. Chegamos a duvidar de quem está contando a história e de todos que os rodeiam.

No meio do livro, um acontecimento movimenta mais ainda o livro. Fazendo a gente questionar o que aconteceu durante uma festa. Sempre uma boa e movimentada festa, não é mesmo? Todos os personagens pode ser tanto meras testemunhas, até os principais suspeitos. O desaparecimento de um dos personagens, a incriminação de outro. Tudo pode acontecer. 

E nesse caso, a posição hierárquica de poder e dinheiro, a mulher na sociedade, questões psicológicas e até onde você iria por vingança ou destruir a vida de alguém, é questionado. Enquanto vemos grandes personalidades se saindo impune de seus atos, também podemos enxergar vítimas sendo apontadas na sociedade como escória. Ninguém está a salvo.

Durante 417 páginas, Faulkner entrega um trabalho digno de veterana. Ela brilha em toda a construção de temas, personagens e ambientação. A todo segundo, eu enxergava o que ela queria passar. Criava meus próprios universos diante de seus personagens. Cada história ganha vida em minha mente. Até seu último parágrafo, sua última linha, ela vai deixar o leitor sem ar. É plot twist atrás de plot twist e você não pode confiar em ninguém, desde quem você conheceu agora, até quem lhe acompanha a vida toda. Um livro que fala sobre amizade, e como também temos que cuidar de nós mesmos.

Greenwich Park foi o sexto livro a ser entregue pela TAG Inéditos de 2022, mas você pode comprar por fora a caixa do mês sem precisar assinar.


Nota: 9.5/10

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Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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