EM CARTAZ: Cano Serrado


(Imagem: Divulgação/H2O Filmes)

Para nós, brasileiros, a violência na sociedade não é estranha. Esse tema é discutido em jornais e transportados para debates políticos, sendo uma importante pauta para as candidaturas de diversos cargos. Naturalmente, o cinema, que também traz temas espelhados do nosso mundo, é um importante espaço onde se mostra eventos não tão estranhos em nossa vida diária. Principalmente em locais no qual a lei aparenta estar distante, ficando a mercê dos poderosos de cada região.

Em Cano Serrado temos uma típica história de vingança, mas que rapidamente inclui particularidades brasileiras para fazer o público correlacionar com situações encontradas no cotidiano, embora às vezes exagerada. Sebastião (Rubens Caribé) é um sargento de uma cidade fictícia no interior da região Centro-Oeste. Ele tem um irmão caminhoneiro que foi vítima de latrocínio na estrada, o levando para uma empreitada de vingança em busca dos responsáveis. Entretanto, a raiva descontrolada pode cegar o agente da justiça, colocando pessoas que não tem nada a ver com o ocorrido também em perigo.

Este será o último filme lançado com a participação do ator Rubens Caribé, que faleceu no mês de junho deste ano de 2022. Ele divide o protagonismo com o Jonathan Haagensen no papel de Luca, um policial da capital que está em uma viagem para o interior. Ambos são os que mais entregam na atuação, paralelamente tirando o máximo do que o texto oferece. A direção do Erik de Castro (Federal) é segura, apostando em planos abertos, dando destaque às paisagens do cerrado quando estão em campo aberto.

É uma trama simples, tanto que o longa tem menos de 90 minutos de duração, e isso não necessariamente o torna ruim ou algo assim. Porém, em certos momentos, falta substância para nos relacionarmos mais com os personagens. As introduções e desenvolvimentos vêm e vão rapidamente, dificultando a conexão entre o público e história.

A ação é intensificada a todo momento pela trilha sonora pesada e uníssona, mas quando chegamos ao clímax desse gênero, a sequência também sofre da mesma pressa citada anteriormente. Temos um tiroteio que inicialmente, na construção e posicionamento, remete aos faroestes, entretanto, na execução, não recebemos o impacto esperado pela conclusão. A parte de investigação traz uma série de eventos instigantes, com algumas surpresas, mas tudo termina de uma forma muito abrupta. Dessa maneira, Cano Serrado tem ideia do que deseja comunicar e de como fazê-lo, faltando apenas uma transmissão precisa desses assuntos para a tela.

Nota: 5.5/10
Micael Menezes
Micael Menezes

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