RESENHA LITERÁRIA: Em Outra Vida, Talvez? (2015)

(Foto: Adan Cavalcante)

Quando o famoso bookstan se identifica com o autor, é normal ele querer consumir tudo o que foi produzido por ele. No caso do Clubinho, a paixão atual tem nome e sobrenome: Taylor Jenkins Reid. Autora de livros como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones and the Six, a escritora é um fenômeno literário e cultural, tendo várias de suas obras em processo de adaptação.

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Após entrar em um dos universos dela, eu viciei e sai procurando outros livros em que eu pudesse me apaixonar mais e mais. Foi assim que conheci Malibu Renasce e Evidências uma Traição, ambas tendo um estilo bem parecido entre si. Malibu ainda mais, pois se passa no jenkinsverse, tendo como ligação o roqueiro Mick Riva, que esteve presente em Evelyn Hugo e Daisy Jones. Em Evidências de Uma Traição, temos a menção de Daisy Jones, comprovando que se passam no mesmo universo. Um prazer maravilhoso isso tudo.

Mas, o que acontece fora desse cosmo que se interliga de maneira deliciosa? Bem, decidi sair um pouco dessa zona, buscando uma obra de 2015. Em Outra Vida, Talvez? é o terceiro projeto de Reid e o primeiro a ser publicado aqui no Brasil. Quando achei o livro, decidi não ler sua sinopse e apenas adentrar ali e descobrir aos poucos sobre o que se tratava. Bem, seu título é bem autoexplicativo, mas quando entrei não sabia onde estava me metendo, confesso.

O enredo acompanha a história de Hannah, uma garota com quase 30 anos, que se sente perdida no mundo. Após tentar se encontrar no mundo, pulando de lugar em lugar, vendo se acha algum em que ela se adapta verdadeiramente, ela retorna para o lugar onde basicamente cresceu. Após uma decepção amorosa, ela se vê de volta em Los Angeles para morar na casa da sua melhor amiga, Gabby.

Gabby é casada e, diferente de Hannah, leva uma vida estruturada. Hannah, ao retornar para Los Angeles, busca se reestruturar e, quem sabe, fixar seus pés em um só lugar. Um dos motivos desse retorno ser tão aguardado é o reencontro com Ethan, seu grande amor de adolescência a quem ela nunca esqueceu.

Para comemorar o retorno, eles decidem ir a uma boate e lá, logicamente, encontram Ethan. As coisas vão fluindo de acordo com o previsto e automaticamente as fagulhas brotam entre os dois. Claramente existe sentimento ali entre ambos, o que pode ou não virar algo no futuro. Acontece que Gabby e seu marido decidem ir embora, fazendo com que Hannah tenha que decidir entre ficar ou ir também.

Suas decisões são o mote principal da obra e é aqui onde fui pego de surpresa. Eu não imaginava que isso aconteceria e achei extremamente interessante. A partir desse momento, o que a Hannah optar vai ter consequências. É o multiverso operando aqui também. Suas decisões irão resultar em algo, que a gente espera ou não. Algumas coisas deveriam acontecer e VÃO ACONTECER EM AMBOS os universos e outra nem chega a sequer existir.

Ao decidir ir embora, Hannah descobre que Ethan foi embora com outra mulher para casa, deixando-a extremamente triste. Sua amiga a leva para conhecer um ponto turístico e para comer algo, ela é tragicamente atropelada. Ao acordar, ela descobre que além de ter se machucado gravemente, perdeu um filho que nem sabia que existia.

Quando a escolha é ficar com Ethan, eles começam a construir uma nova vida juntos. Se apaixonar e se descobrir como casal novamente. Aqui, sua vida começa a dar uma start up e ela consegue a fazer metas e conseguir dar check nelas. Mas uma gravidez inesperada paira em sua cabeça, fazendo com que isso afete não só sua relação, mas também tudo que ela vem construindo.

É muito fácil você se identificar com ambas as versões de Hannah. Principalmente, quando você está nas casas dos 20/30 e percebe que seus planos não se concretizaram ou simplesmente você também está perdido. Reid constrói muito bem os dois universos, fazendo com que as escolhas surjam naturalmente e você acaba torcendo mais por uma realidade do que outra também. Não esquecendo dos coadjuvantes, que ali também são interferidos com as possibilidades da Hannah.

Principalmente quando a história é da Gabby, que vivia um relacionamento apenas “ok”, por achar que só existia aquilo que o mundo podia lhe oferecer. Ela vê sua vida virar de cabeça para baixo sem ela menos esperar, e aqui, o como acontece é mais importante do que o porque. Outro personagem que roubou minha atenção foi o Henry. O principal interesse amoroso de Hannah em uma das realidades simplesmente é encantador. Eu, como bom fã de séries médicas, me vi num episódio de Grey’s Anatomy.

Toda caminhada estruturada até o seu final é um deleite ao leitor. As montanhas-russas de emoções que a nossa protagonista é jogada faz com que mais e mais a gente se apegue a ela. Você torce, tenta ajudá-la nas suas escolhas, e, ao fim, as entende. Tudo é muito complexo e nada é simplesmente por ser. Tudo tem um motivo para acontecer. Faz a gente se questionar sobre nossas escolhas e onde estaríamos se tivéssemos escolhido diferente.


Nota: 9/10


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Editora: Record
Ano: 2022 (6ª Edição)
Páginas: 322 
Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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