As Vantagens de Ser Invisível e todo o impacto na minha vida

(Imagem: Divulgação)


Quando a gente se apaixona por um livro, é inevitável pensar na sua transposição para uma obra live-action. Ao mesmo tempo que criamos nossos fancast e imaginamos as cenas que gostaríamos de ver na telona, o medo de ver tudo sendo destruído pela mediocridade de Hollywood é tremenda. São vários os casos, onde o filme não chega nem na orelha do que o original propôs. Mas, quando isso ocorre de forma magistral, é algo que mexe com a vida do bookstan.


Quando eu li As Vantagens de Ser Invisível, eu já não era aquele adolescente de início de vida, mas também não era nenhum adulto. Tinha acabado de terminar o ensino médio, sem saber o que fazer da vida após isso. Tinha uma ambição de vida, mas não sabia se isso seria o que iria fazer. Estava gatilhado emocionalmente, sem saber quem eu era e se seria capaz de seguir. Eu estava e era uma bagunça. Quando finalizei o livro, encontrei muito do que estava conectado ao que estava ocorrendo comigo e como eu estava me sentindo.


Quando eu assisti a adaptação cinematográfica, encontrei um grupo de amigos ali onde tudo fazia sentido. Ninguém era perfeito e todo mundo estava passando por alguma merda. De certo modo, não existe final feliz pois a vida continuava e muita merda ainda iria ocorrer. Dirigido por Stephen Chbosky, o autor do livro, que também roteirizou a obra, As Vantagens de ser Invisível é uma obra-prima tanto da literatura, quanto do cinema jovem adulto.


Estrelado por Logan Lerman, Emma Watson (em seu 2º filme pós saga Harry Potter) e Ezra Miller, como o trio de protagonistas. Passando por vários temas que podem dar gatilhos a muita gente, o filme se passa em 1991 e traz Charlie (Lerman), como um adolescente que desde pequeno luta com a depressão. Saindo recentemente de uma clínica de saúde mental, ele é um garoto extremamente tímido que está entrando no 1º ano (ou freshman year), sem amigos, ele se conecta logo com o professor de Inglês (Paul Rudd).


Durante um jogo da escola, Charlie faz amizade com Sam (Watson) e seu meio-irmão Patrick (Ezra Miller). A partir desse momento, a vida dele começa a se movimentar e ao mesmo tempo ele tenta lutar contra um trauma que o afetou profundamente. Charlie frequentemente escreve cartas para essa pessoa que lhe entende e por essas cartas que conhecemos melhor nosso protagonista. Logo de início, descobrimos que seu melhor amigo, Michael, cometeu suicídio.


Durante o livro e o longa, conhecemos melhor cada personagem pela visão de Charlie e como ele consegue absorver melhor do que qualquer um ali. Ao mesmo tempo que ele se apaixona pela Sam, ele tenta lidar com suas dificuldades de socialização. Sua amizade com Patrick, que é gay e namora escondido um jogador do time da escola, o faz entender bem como funcionam alguns de seus sentimentos. Assim como o relacionamento familiar, formado pelos seus pais (Kate Walsh e Dylan McDermott) e sua irmã mais velha (Nina Dobrev), que vive um relacionamento abusivo, onde Charlie não compreende o porquê dela mantê-lo.

(Imagem: Trecho do filme As Vantagens de Ser Invisível)


A discussão nunca se torna rasa e a transposição disso para tela foi de enorme abrangência, sendo bem trabalhada e transformando cenas do livro com um efeito duradouro. Tudo ali é real. Você sente, vive e respira aquilo. Você se encaixa em alguém ali. E mesmo que doa, ela tem que ser sentida. A imagem de Charlie de ser esse garoto solitário, invisível que encontra sua turma e que ali, ele pode ter um apoio. Mesmo com tudo ocorrendo na sua cabeça, ele é alguém amável, protetor, um ótimo amigo. 


A grandeza de As Vantagens de Ser Invisível perpetua até os dias atuais, onde a discussão sobre a saúde mental é maior do que foi em 2012. Onde os casos de transtornos psicológicos e a grande depressão social, se tornou debate de saúde pública, principalmente nesse mundo pós pandêmico. Outros filmes até tentaram, mas poucos alcançaram a importância do que ele conseguiu.


Outro ponto positivo é a trilha sonora. Não poderia sair desse texto sem citar esse tópico. De The Smiths à New Order, sendo marcada pela emblemática e sublime Heroes do camaleão do pop, David Bowie. Tudo funciona aqui como fosse uma poesia suplicante e refulgente. Além claro, da notória cena em que recriam o cultuado filme de 1975, Rocky Horror Picture Show, em uma dos lances mais divertidos.


Após 10 anos, o culto à As Vantagens de Ser Invisível só aumenta. Sua difusão nesse mundo virtual só mostra a força da obra do Stephen Chbosky. É um daqueles livros e filmes que merece ser lido e relido, seja por você jovem que está perdido ou por você adulto que passou por tudo e está aqui ainda. E nunca esqueça, que você só precisa de um momento para que você se sinta infinito e tudo valer a pena.


Nota: 10
Onde assistir?: Netflix, HBO Max, Globoplay e Stazplay

P.S.1: Queria dedicar esse texto a todos, que como eu, passaram/passa por alguma dificuldade psicológica. Você não está sozinho.

P.S.2: "Amanda, tá tocando musica boa" <3 


(Imagem: trecho do filme As Vantagens de Ser Invisível)



Adan Cavalcante
Adan Cavalcante

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